As casas para renovar atingem um preço médio anunciado de 5.727 euros por metro quadrado em Cascais, contra 222 euros na Pampilhosa da Serra. Uma análise do Imovirtual mostra que precisar de obras está longe de garantir uma compra acessível, sobretudo nos mercados mais caros.
A diferença entre os dois concelhos chega aos 5.505 euros por metro quadrado. Os dados, divulgados em comunicado nesta sexta-feira, 30 de outubro, abrangem apartamentos e moradias anunciados para venda na plataforma e classificados como imóveis para renovar.
Os preços mais baixos concentram-se sobretudo no interior. No extremo oposto, destacam-se concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, do Algarve e o Funchal. Grândola também integra o grupo dos valores mais elevados.
A análise refere-se a preços pedidos nos anúncios, não a valores finais de transação. Para a comparação por metro quadrado, foram considerados apenas concelhos com pelo menos dez anúncios no período analisado.
Pampilhosa da Serra lidera os preços mais baixos
Depois da Pampilhosa da Serra, Mogadouro e Sátão apresentam os menores valores identificados, ambos com 250 euros por metro quadrado.
Campo Maior surge entre os concelhos mais acessíveis, com 308 euros por metro quadrado. Penedono, Carregal do Sal, Oleiros, Miranda do Corvo e Gouveia completam o conjunto destacado pelo Imovirtual.
| Concelho | Preço médio anunciado por m² |
|---|---|
| Pampilhosa da Serra | 222 € |
| Mogadouro | 250 € |
| Sátão | 250 € |
| Penedono | 302 € |
| Carregal do Sal | 306 € |
| Campo Maior | 308 € |
| Oleiros | 309 € |
| Miranda do Corvo | 318 € |
| Gouveia | 328 € |
Os valores mais reduzidos não correspondem necessariamente a imóveis pequenos. Na Pampilhosa da Serra, a área mediana das habitações para renovar é de 151 metros quadrados.
Em Carregal do Sal, esse indicador situa-se nos 149 metros quadrados, enquanto Penedono apresenta 145 metros quadrados. O custo da recuperação, porém, pode alterar significativamente o investimento necessário.
“Comprar um imóvel para renovar pode representar uma oportunidade para quem procura um preço de aquisição mais baixo, sobretudo em determinados concelhos do interior”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, em comunicado.
A responsável ressalva que o cenário muda nos mercados com maior pressão sobre os preços.
“No entanto, nos mercados mais caros, mesmo os imóveis que necessitam de obras apresentam valores muito elevados, frequentemente distantes dos orçamentos de muitas famílias portuguesas.”
“Quando a este preço se acrescentam os custos de recuperação, o investimento necessário pode tornar-se ainda mais exigente, mostrando que a necessidade de renovação não significa, por si só, uma habitação mais acessível.”
Grândola iguala Amadora no preço por metro quadrado
Cascais lidera o grupo dos preços mais elevados, seguido de Lisboa, com 5.143 euros por metro quadrado, e Oeiras, com 4.773 euros.
Lagos ocupa a posição seguinte. Já Grândola e Amadora apresentam exatamente o mesmo valor médio anunciado por metro quadrado: 3.836 euros.
| Concelho | Preço médio anunciado por m² |
|---|---|
| Cascais | 5.727 € |
| Lisboa | 5.143 € |
| Oeiras | 4.773 € |
| Lagos | 3.902 € |
| Amadora | 3.836 € |
| Grândola | 3.836 € |
| Funchal | 3.802 € |
| Odivelas | 3.784 € |
| Albufeira | 3.671 € |
A igualdade entre Amadora e Grândola esconde diferenças na dimensão das casas e nos preços totais anunciados. Na Amadora, o preço médio é de 268 mil euros, com uma área mediana de 70 metros quadrados.
Em Grândola, o preço médio sobe para 540 mil euros e a área mediana chega aos 108 metros quadrados.
Lisboa apresenta um preço médio de 449 mil euros e uma área mediana de 84 metros quadrados. Em Cascais, os indicadores atingem 700 mil euros e 131 metros quadrados, respetivamente.
Imóveis para renovar em Grândola custam menos 52% por m² do que os prontos a habitar
A distância entre imóveis para renovar e habitações prontas a ocupar também varia bastante de concelho para concelho.
“A comparação entre imóveis para renovar e prontos a habitar mostra que a diferença de preço pode ser muito significativa, mesmo dentro do mesmo concelho”, explica Sylvia Bozzo.
“Em Grândola, os imóveis para renovar apresentam preços por m² 52% inferiores aos dos imóveis prontos a habitar, enquanto no Porto essa diferença chega aos 38%. Já em Lisboa e Cascais, a distância é menor, de 25,6% e 17,3%, respetivamente.”
Estas diferenças dizem respeito ao preço anunciado do imóvel, sem incorporar o investimento posterior na recuperação.
“Estes dados mostram que a opção de comprar para renovar pode representar uma diferença relevante no investimento inicial, mas é fundamental considerar os custos das obras para perceber o valor total da aquisição e recuperação”, conclui a responsável.
