Caso Ronaldo: Carlos Padrão relata alegada ameaça de demissão a Jorge Jesus

Caso Ronaldo: Carlos Padrão relata alegada ameaça de demissão a Jorge Jesus, após polémica com Ronaldo.

O amigo do selecionador afirmou na SIC Notícias que existiram pressões para um pedido público de desculpas. No comunicado divulgado na terça-feira, Cristiano Ronaldo sustentou que o documento acordado com o treinador não exigia esse pedido. Entretanto, Jorge Martinez saiu em defesa do capitão.

Carlos Padrão apresentou uma nova versão dos contactos que antecederam a saída de Cristiano Ronaldo do estágio da Seleção Nacional. Em declarações à SIC Notícias, o amigo de Jorge Jesus alegou que a equipa do treinador recebeu uma ameaça de demissão caso o selecionador não pedisse desculpa publicamente ao jogador.

Segundo o seu relato, o contacto terá partido de Tiago Craveiro, ligado à estrutura profissional de Ronaldo.

“Tentaram fazer um guião para o Jorge Jesus de um pedido de desculpas ao Cristiano Ronaldo”, afirmou Carlos Padrão, distinguindo depois os dois gestos: “Admitir um erro é uma coisa, pedir desculpa é outra.”

- Publicidade -

A alegação acrescenta uma versão ao conflito, mas não corresponde a uma confirmação de que a Federação Portuguesa de Futebol tenha decidido ou comunicado a intenção de despedir o selecionador.

No texto que publicou a 6 de outubro, Ronaldo apresentou uma leitura diferente sobre o documento preparado antes da conferência de imprensa de Jesus: “Nenhuma destas notas dizia, portanto, que o selecionador me pedisse sequer desculpa.”

Ronaldo diz que pretendia um esclarecimento público

No comunicado, o capitão descreveu uma reunião com Jorge Jesus e Simão Coutinho, diretor desportivo do Al Nassr, que classificou como “profunda, muito frontal, sem qualquer tipo de filtro”.

De acordo com Ronaldo, desse encontro saiu um entendimento para esclarecer publicamente o que tinha acontecido no jogo disputado na Noruega.

“O Selecionador começaria a conferência de imprensa por este tema, procurando encerrar o assunto contando a verdade. Diria que nunca pedi para jogar minutos nenhuns, que foi o Selecionador e mais ninguém, quem me propôs o plano para este estágio e que foi um erro colocar-me a aquecer para não entrar e que se voltasse a acontecer não o faria.”

O jogador relatou ainda uma reunião por videoconferência entre Jesus, Simão Coutinho e Tiago Craveiro, após a qual foi produzido um documento que validou.

Quando ouviu a conferência de imprensa, considerou que o entendimento não tinha sido respeitado.

“A postura não teve nada a ver com a nossa reunião, ouvi expressões e uma agressividade que julgo não merecer, uma atitude de quero, posso e mando que nunca me manifestou, nem de perto nem de longe, em privado, na véspera.”

Ronaldo sustentou que esse episódio representou uma segunda quebra de confiança: “Para mim a verdade ainda é a coisa mais importante na relação entre as pessoas. Por muito que doa, que me digam a verdade.”

O plano de utilização que o capitão diz ter aceitado

Para explicar a origem do conflito, Ronaldo recuou à primeira conversa com o selecionador na Cidade do Futebol.

“O Selecionador disse-me nesse dia que contava comigo e que a minha presença era fundamental para o seu projeto. Apresentou-me, logo ali, um plano para a minha participação. Disse-me que jogaria o primeiro jogo e o último e que por razões de gestão física iria fazer sempre três a quatro mudanças por jogo.”

Segundo o avançado, chegou a ser colocada a hipótese de permanecer em Portugal durante as deslocações à Noruega e à Dinamarca. Uma proposta que garantiu ter recusado.

“Parecia-me evidente que não a poderia aceitar. Não seria por não jogar os jogos no estrangeiro que deixaria de capitanear a nossa equipa. Esse privilégio de ficar em Portugal não seria um bom exemplo.”

O jogador afirmou que Simão Coutinho assistiu à conversa e que, numa reunião posterior em sua casa, “todos os princípios combinados em agosto foram mantidos”.

No dia do encontro na Noruega, porém, foi chamado para falar com Jesus.

“Para minha absoluta surpresa, o selecionador perguntou-me se estava bem para jogar 30 minutos. Eu estava totalmente focado na minha recuperação física, integrado com os meus companheiros como sempre e a pensar que não jogaria naquele dia. Sem nenhum problema.”

Ronaldo disse ter aceitado, mas acabou por não entrar: “Aqueci desde o intervalo, vi os minutos a passar e não fui chamado. O Selecionador tinha-me falhado com a sua palavra.”

Os pedidos de desculpa e a disponibilidade para ser punido

O capitão assumiu responsabilidade por não ter acompanhado os colegas nos agradecimentos aos adeptos no final desse encontro.

“Uma falha que é apenas da minha responsabilidade e que não deveria ter acontecido. Peço desculpa aos portugueses que ali nos apoiaram intensamente, peço desculpa aos adeptos e peço desculpa aos que, sem serem portugueses, ali se possam ter deslocado para me ver e a quem eu possa ter desiludido.”

Sobre a decisão posterior de abandonar o estágio, reconheceu igualmente que não deveria ter saído.

“Apesar da absoluta quebra de confiança na palavra do Selecionador, como poderá testemunhar quem assistiu a estas conversas, eu não o devia ter feito. A responsabilidade é exclusivamente minha.”

Ronaldo defendeu que a condição de capitão não deve servir para atenuar uma eventual consequência disciplinar.

“Não sou um jogador qualquer, sou capitão de equipa e isso constitui uma agravante. Já pedi desculpa, mas sei que as atitudes têm de ter consequências. Quem está no futebol como estou sabe que, independentemente do estatuto de cada um, as regras são iguais para todos.”

A despedida que chegou a preparar depois do Mundial

O comunicado revelou também que Ronaldo tinha ponderado terminar o percurso na equipa nacional após o Mundial de 2026.

“Tal como prometi, decidi contar, na primeira pessoa e de forma direta, as circunstâncias que envolveram o último estágio da Seleção Nacional. Após o Mundial 2026 preparei uma carta aos portugueses, que ainda guardo, com as palavras que lhes quero dirigir quando abandonar, definitivamente, a nossa equipa.”

Segundo contou, Pedro Proença insistiu para que reconsiderasse. Consultado sobre a contratação de Jorge Jesus, deu uma opinião favorável.

“Respondi ao Presidente da Federação que, em minha opinião, seria a escolha certa. Por isso, no dia em que o atual Selecionador foi apresentado fiquei genuinamente feliz pela escolha. Era a opção certa, como os resultados vão comprovando.”

Apesar do conflito, o jogador não anunciou o fim da carreira internacional. Rejeitou a ideia de procurar apenas uma despedida e escreveu: “Aprendi na vida, com fome e sem nada para comer muitas vezes, que ninguém dá nada a ninguém.”

Terminou com uma declaração de disponibilidade, condicionada à sua situação desportiva e ao cumprimento de uma eventual sanção:

“Portanto se estiver bem fisicamente, a jogar no meu clube, com golos espero, a seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa Seleção. Esta é, acreditem, a mais pura das verdades.”

Jorge Martinez defende Ronaldo e critica a falta de reconhecimento

Entre as reações públicas ao conflito, Jorge Martinez manifestou apoio ao futebolista numa publicação nas redes sociais, na qual também recuperou queixas sobre o reconhecimento do seu próprio trabalho.

“Portugal trata sempre mal os verdadeiros gladiadores. Escorraçam e desrespeitam uma lenda mundial como Cristiano depois de tudo o que deu ao longo de tantos anos, lágrimas de suor e dedicação. Vem um prepotente que nem falar sabe fazer o impensável: brincar com uma Lenda como CR7”, escreveu o cantor.

O intérprete de “Silêncio” afirmou ter criado a “melhor música de sempre” para a Seleção e estabeleceu uma comparação entre o tratamento dado a Ronaldo e aquele que considera ter recebido.

“Patriotas de caca. Aldrabões e falsos. Eu, Jorge Martinez, fiz a maior lenda nacional dos Açores. Reconhecimento zero, apoio zero, ingratidão total! E fico por aqui! Este é o meu país que tanto fiz por ele. Entendo perfeitamente a frustração da maior lenda de sempre do futebol em Portugal, ícone mundial Cristiano Ronaldo. Portugal foi sempre um país ao contrário. Vergonha de ingratos.”

- Publicidade -

Destaques

João Moura Caetano no Redondo: vinte anos de alternativa e o perfume de um toureio com identidade

João Moura Caetano no Redondo: vinte anos de alternativa...

Paulo Caetano impactou no Redondo: três ferros curtos e uma lição de toureio

Paulo Caetano impactou no Redondo: três ferros curtos e...

João Moura Caetano com filha nos braços e lágrimas no rosto: a surpresa que marcou a encerrona no Redondo

João Moura Caetano com filha nos braços e lágrimas...

Cristiano Ronaldo: o legado é eterno, mas a saída começa a ficar feia

Cristiano Ronaldo: o legado é eterno, mas a saída...

Marcos Bastinhas após Elvas: «O público foi quem me fez voltar»

Marcos Bastinhas após Elvas: «O público foi quem me...
- Publicidade -

Reportagens

- Publicidade -

Artigos relacionados