Catarina Furtado despede-se de Jorge Palma: «O meu herói morreu»

Catarina Furtado despede-se de Jorge Palma: «O meu herói morreu», escreveu numa longa publicação nas redes sociais.

Catarina Furtado precisou de algum tempo antes de conseguir escrever sobre a morte de Jorge Palma. A apresentadora recorreu ao Facebook para recordar o músico, a ligação que manteve com ele ao longo dos anos e vários momentos em que os caminhos de ambos se cruzaram.

A publicação surgiu por ocasião das cerimónias fúnebres do cantor e compositor. Catarina começou precisamente por explicar o silêncio das horas anteriores.

«Ontem não consegui escrever. Na noite anterior, já bem tarde, apanhei a notícia e tive uma noite assombrada. O meu herói morreu.»

No dia seguinte à notícia, uma coincidência levou-a a trabalhar no mesmo estúdio onde Jorge Palma tinha estado pouco tempo antes.

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«E ontem o universo conspirou para que eu fosse trabalhar todo o dia no estúdio onde há muito pouco tempo o meu herói tinha estado a gravar. E lá deixou o banco do seu piano, ao Fred Pinto Ferreira. E o Fred sentou-me no banco. Neste banco.»

«Não tinha palavras à altura»

Catarina Furtado escreveu a homenagem depois de muitas outras figuras públicas e admiradores de Jorge Palma terem recordado o músico, mas assumiu que a dificuldade em encontrar palavras não nasceu com a morte do artista.

«Hoje escrevo uma série de banalidades, na hora das suas celebrações fúnebres, depois de centenas de pessoas, públicas e anónimas, o terem feito, relembrando o artista e a obra.»

E acrescentou: «Mas a verdade é que quando me encontrava com o meu herói, só me saíam banalidades e ele ria-se com isso, porque eu sempre lhe disse que não tinha palavras à altura do exímio coreógrafo das palavras que ele era.»

Seguiu-se um retrato pessoal de Jorge Palma, construído a partir daquilo que Catarina Furtado admirava no músico para lá das canções.

«E derretia-me apenas, meia tonta, uma fã incondicional da sua voz, da sua poesia, das suas autorias, do pianista inacreditável que era, da sua humildade (genuína), da sua generosidade, da sua consciência cívica e política, da sua coragem, audácia, humor, do seu amor próprio, da sua imprevisibilidade, do seu carácter meio indomável, do optimismo, do politicamente incorrecto, da sua avidez por viver, da sua atenção aos outros. Da sua capacidade para amar.»

A frase de Tim e as canções que ficam

Na homenagem, Catarina recuperou também palavras de Tim, dos Xutos & Pontapés, sobre Jorge Palma.

«Ouvi o Tim_dos_Xutos dizer que o meu herói era um ‘gato musical que caía sempre bem’. Amar era o seu verbo e sobreviver também. Arriscando muito.»

Para a apresentadora, é precisamente na música que permanece uma parte essencial do legado de Palma.

«O que nos deixa em canções sobre o amor, será eternamente uma boia de salvação, de sobrevivência para os humanos sensíveis. Os que interessam, no fundo…»

Catarina Furtado recordou depois alguns dos momentos profissionais que lhe permitiram acompanhar Jorge Palma de perto.

«Tive tanta sorte por ter acompanhado de perto o projecto musical Rio Grande. De ter assistido a momentos memoráveis antes e depois do palco.»

A ligação passou igualmente pelo telefilme «A Noiva», de Luís Galvão Telles.

«Tive tanta sorte porque uma das letras que escrevi para a banda sonora do telefilme ‘A noiva’, de Luís Galvão Telles, foi cantada pelo meu herói (ao lado da Lena d’Água, com música do João Gil).»

De «Filhos do Rock» ao banco do piano

Outra das memórias recuperadas por Catarina Furtado remete para a série «Filhos do Rock» e para uma cena acompanhada pela música de Jorge Palma.

«Tive tanta sorte por ter representado na série ‘Filhos do Rock’ numa cena (para mim inesquecível) com a @fechadaparaobras ao som da ‘Estrela do mar’ interpretada pelo Afonso Lagarto.»

Mas foi um objeto aparentemente simples que acabou por ligar o presente a todas essas memórias: o banco do piano onde Jorge Palma se tinha sentado no estúdio.

«Tive tanta sorte em me ter sentado ontem neste banco.»

A homenagem de Catarina Furtado junta-se às muitas mensagens deixadas desde a morte de Jorge Palma, mas assume sobretudo a forma de uma recordação pessoal de alguém a quem a apresentadora chamou repetidamente «o meu herói».

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