Cláudio Ramos manifestou solidariedade com os protestos pelo direito à habitação e pediu que a discussão não se afaste das dificuldades de quem não consegue pagar uma casa. Numa publicação nas redes sociais, o apresentador da TVI condenou o vandalismo e o oportunismo, mas alertou que a conduta individual não deve servir para desvalorizar toda uma manifestação.
“É preciso entender que um manifestante não é uma manifestação e que o foco numa altura destas não deve, nem pode ser desviado por barulho de fundo”, escreveu.
«Sei exactamente o que sente uma família que não consegue ter uma casa»
Para explicar a sua posição, Cláudio Ramos recuperou o próprio percurso e afirmou reconhecer as dificuldades de famílias, jovens e estudantes confrontados com os custos da habitação.
“Basta conhecer a minha história para se perceber que sei exactamente o que sente uma família que não consegue ter uma casa, o que sente um jovem que não consegue pagar uma renda, o que passa um estudante que precisa de estabilidade para se focar nos estudos”, declarou.
O apresentador assumiu depois o apoio às razões dos protestos: “É impossível passar ao lado do estado em que o País se encontra neste momento, por isso me junto na causa e nas razões desta manifestação.”
Na mesma mensagem, colocou a habitação entre as necessidades básicas que devem estar asseguradas: “Para todos deve ser evidente o direito a uma habitação digna. Tal como nos deve ser garantida a saúde e a educação.”
Apoio à causa acompanhado de críticas ao vandalismo
Cláudio defendeu que as reivindicações devem ser ouvidas, deixando um apelo: “Então que se faça para que o povo seja escutado. Para que sejamos escutados!”
O apoio foi acompanhado por uma advertência sobre comportamentos que, na sua perspetiva, podem prejudicar a discussão do problema.
“Que se escute e se discuta o problema, mas que não se use uma causa tão preocupante, como a necessidade de ter um teto para viver, para a manchar com atos de vandalismo, desobediência à lei, discursos de ódio, oportunismo político e pessoal”, afirmou.
A publicação não individualizou episódios ou responsáveis, centrando-se na necessidade de preservar o propósito dos protestos.
Apresentador aponta responsabilidades à política e à comunicação social
O rosto do «Dois às 10» estendeu o apelo aos responsáveis políticos e aos meios de comunicação, destacando a influência da forma como os acontecimentos são apresentados.
“A responsabilidade está nas mãos de cada um. Nas nossas, na dos políticos e da comunicação social que tem uma responsabilidade gigante no que passa e como o faz”, escreveu.
No final, defendeu uma resposta que ultrapasse diferenças partidárias e sociais: “Há, na verdade, uma responsabilidade gigante de todos, para lá da cor da pele, do sotaque, da idade ou simpatia política, para que se chegue a um lugar bom, que é o de todos termos uma casa para onde voltar!”
