Cláudio Ramos enfrenta Suzana Garcia no Dois às 10: “Estamos a ofender de forma gratuita uma pessoa”

Cláudio Ramos enfrenta Suzana Garcia no Dois às 10: “Estamos a ofender de forma gratuita uma pessoa”, afirmou.

Uma discussão sobre os limites da liberdade de expressão colocou Cláudio Ramos e Suzana Garcia em desacordo no Dois às 10 desta quinta-feira, 8 de outubro. O debate começou com declarações de Numeiro sobre o aborto e acabou por envolver Joana Marques, depois de a advogada se referir à aparência da humorista.

O apresentador interveio para contestar a forma como Suzana Garcia falou da comediante. A comentadora respondeu recorrendo precisamente ao argumento que estava em discussão: a liberdade de expressão.

Comentários sobre Numeiro deram início ao confronto

Na crónica criminal da TVI, o painel analisou a notícia de que o Ministério Público não tinha considerado criminosas declarações de Numeiro sobre mulheres e aborto, enquadrando-as na liberdade de expressão.

Suzana Garcia concordou com essa leitura jurídica: “Perante a lei penal está correto. Não foi cometido nenhum crime.”

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Cláudio Ramos quis perceber que possibilidades teria uma mulher que se sentisse atingida pelas palavras do influenciador.

“Se eu for uma destas mulheres que apresenta queixa e que, eventualmente, tenha feito um aborto posso apresentar uma queixa particular por me sentir ofendida por esta frase?”, perguntou.

A advogada respondeu com outra questão: “Por que é que é uma mulher que fez um aborto se há-de sentir vilipendiada por um sujeito, uma personagem destas? Explique-me.”

Durante a intervenção, Suzana Garcia partilhou também que tinha passado por vários abortos.

Suzana distingue uma declaração genérica de uma ofensa individual

A comentadora procurou explicar que a sua análise seria diferente se as palavras tivessem sido dirigidas a uma pessoa identificada.

“Quando ele diz ‘vocês são todas umas pi’. Vocês quem? Ele não está a dizer quem”, argumentou.

Para ilustrar a distinção que estava a fazer, apresentou um exemplo de uma expressão dirigida individualmente a alguém: “Uma coisa é dizer ‘tu és uma grande pu, gostas é de levar na pi e olhas para o aborto como um contracetivo’. Isto é injurioso, isto é ofensivo, é crime.”

As afirmações foram feitas enquanto interpretação jurídica da comentadora, no contexto da discussão televisiva sobre a notícia.

Paulo Santos, antigo inspetor da Polícia Judiciária e advogado, resumiu a sua posição com uma frase: “A liberdade de expressão dá direito ao disparate.”

Foi nessa altura que Suzana Garcia trouxe Joana Marques para a conversa.

“Não fale da Joana Marques que é minha amiga”

Sem começar por identificar a humorista pelo nome, Suzana Garcia referiu-se à sua aparência.

“Vocês não veem aquela sujeita de metro e meio, aquela caixa de óculos. Como é que ela se chama? Uma tipa que anda sempre com camisas até cá acima que passou a ter imenso sucesso.”

Cláudio Ramos interrompeu: “Não fale da Joana Marques que é minha amiga, não diga isso assim.”

A advogada respondeu de imediato: “Oh está ofendido, olhe é liberdade de expressão.”

O apresentador explicou o motivo da intervenção: “Está a ofender-me porque estamos a ofender de forma gratuita uma pessoa.”

Suzana Garcia discordou da classificação: “Ofender?! Então mas ela não é pequena? Não tem um metro e qualquer coisa?”

Apresentador esclarece posição sobre o impacto das palavras

Já perto do final, a discussão regressou às declarações de Numeiro. Suzana Garcia perguntou a Cláudio Ramos: “Você acha que algum homem que leu aquilo passou a odiar as mulheres?”

Perante uma primeira resposta afirmativa, a comentadora reagiu: “Tenho-o como mais inteligente.”

Cláudio reformulou então o que pretendia dizer, centrando a questão no reforço de opiniões já existentes.

“Não, eu vou responder aquilo que eu acho: muitos homens que pensam como ele vão dizer ‘este disse o que eu pensava’.”

Suzana Garcia assinalou que essa explicação era diferente da resposta inicial. A troca encerrou uma conversa em que apresentador e comentadora divergiram tanto sobre o alcance das palavras como sobre a forma de as usar no próprio debate.

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