Domingo, Setembro 19, 2021

CRIPTOMOEDAS – O MAIOR ESQUEMA DE PONZI DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE (1 de 3)

CRIPTOMOEDAS - O MAIOR ESQUEMA DE PONZI DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE (1 de 3)

CRIPTOMOEDAS – O MAIOR ESQUEMA DE PONZI DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE (1 de 3), um artigo de opinião por Fernando Santos.

As criptomoedas, num determinado momento e para muitas pessoas, simbolizaram a vinda de um admirável mundo novo, mais global, democrático e transparente. Contudo, com o passar dos anos, essa visão poderá estar a caminhar a passos largos para se transformar numa perigosa ilusão que, tal como no livro de Aldous Huxley, pode vir a materializar-se num dos nossos piores pesadelos.

Quer queiramos ou não, hoje em dia é-nos impossível passar ao lado dos grandes temas da actualidade. As criptomoedas são um desses casos, pois embora a esmagadora maioria de nós não as utilize ou possua, todos os dias somos bombardeados com notícias sobre as suas flutuações de mercado, sobre as suas alegadas vantagens futuristas ou, nem que seja, sobre o mais recente Twitt de Elon Musk (que em circunstâncias “normais” já teria sido indiciado pelo crime de manipulação de mercado).

Num conjunto de três artigos de opinião irei tentar explicar os motivos pelos quais (no meu entender) as criptomoedas descentralizadas não só não representam qualquer valor acrescentados para o nosso desenvolvimento civilizacional, como são ainda um sério risco para a estabilidade económica mundial a médio e longo prazo.

Neste primeiro artigo irei caracterizar o que é a moeda e quais as suas funções. No segundo artigo abordarei a relação entre moeda e soberania, e os seus fundamentos sistémicos. E no terceiro tentarei explicar a razão pela qual as criptomedas descentralizadas para além de uma grande falácia, poderem também estar a ser usadas para a construção de um esquema de Ponzi à escala mundial.

Comecemos então por explicar o que é a Moeda.

A moeda é, em primeiro lugar, uma construção social com um papel fundamental nas nossas sociedades desde tempos imemoriais. Independentemente da sua forma de constituição e de organização, estivesse ou não associadas a um Estado, a moeda sempre desempenhou um papel social, económico e cultural muito importante, ao permitir-nos quantificar e operacionalizar a troca de bens e de serviços (reais ou simbólicos).

Ao longo das eras as moedas já se apresentaram sob várias formas e feitios, passando por matérias-primas (como o sal), metais preciosos ou mais recentemente o papel moeda ou a moeda de crédito. Mas todos estes distintos tipos de moedas se baseiam sobre a um denominador comum: a confiança.

Na verdade, para que possa ter qualquer valor, a moeda tem que estar inserida num contexto social no qual é reconhecida como capital cultural e enquanto geradora de confiança.

Nos tempos modernos, e após o abandono do padrão ouro, de acordo com a teoria monetária, a moeda deve respeitar as seguintes funções:

MEIO DE TROCA: esta é uma das principais funções da moeda e condição sine que non para a sua própria existência. É o que nos permite transaccionar bens e serviços com relativa facilidade.

MEDIDA DE VALOR: a moeda constituiu-se como um denominador comum de valores que facilita a atribuição e conversão de preços no mercado.

RESERVA DE VALOR – na medida em que a moeda corporiza um activo acumulável, com valor intrínseco, e que pode ser usado como poupança.

UNIDADE DE CONTA: A moeda aparece, desta forma, como unidade de conta, meio pelo qual ela constitui uma primeira forma de representação simbólica unitária da totalidade

social.

UNIDADE DINÂMICA: na medida em que é a moeda que nos permite a circulação de dívidas e créditos entre os vários membros da sociedade ao longo do tempo, preservando a sua unidade.

PAGAMENTO DIFERIDO – pois é a moeda, devido à sua liquidez, estabilidade e confiabilidade, que nos permite ter uma referência para o pagamento diferido no tempo.

Assim, uma das primeiras grandes interrogações é saber se as criptomoedas descentralizadas cumprem estas funções. À primeira vista até poderíamos pensar que sim, mas como veremos nos próximos artigos, tal está muito longe da verdade.

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