Cristiano Ronaldo: Filipa Torrinha critica comunicado e apoia Jorge Jesus, após toda a polémica entre eles.
Filipa Torrinha Nunes considerou que o comunicado de Cristiano Ronaldo agravou a polémica com Jorge Jesus e revelou dificuldades do jogador em aceitar os limites da sua posição na Seleção. A comentadora apresentou essa leitura no Passadeira Vermelha de quarta-feira, 7 de outubro, numa conversa que também contou com intervenções de Liliana Campos e Joana Latino.
O esclarecimento tinha sido divulgado pelo próprio Ronaldo no dia anterior, com a sua versão dos acontecimentos que antecederam a saída do estágio.
“Não derrubou o maior obstáculo de todos”
Filipa Torrinha começou por apresentar uma avaliação crítica do texto.
“Achei este comunicado muito interessante porque nós tínhamos a dúvida se tinha sido uma birra e agora temos certeza absoluta”, afirmou.
Apesar de reconhecer o percurso desportivo do avançado, a comentadora considerou que a forma como gere o seu estatuto está no centro do conflito.
“É um homem com 41 anos de idade, que ao longo da vida derrubou os maiores obstáculos. Começando pela infância, a pobreza, derrubou a probabilidade que jogava contra ele, tendo em conta a sua origem, derrubou muitos oponentes e não derrubou o maior obstáculo de todos, que é o seu ego.”
Liliana Campos tinha recordado a relação profissional que manteve com o jogador desde os tempos do Sporting.
“Acompanhei a carreira. Sou-lhe grata, porque ele chamou-me muitas vezes. Pediu ao banco com quem colaborava para me chamar para apresentar o evento, porque já tínhamos alguma confiança”, contou.
A apresentadora explicou que o carinho por Ronaldo não a impediu de discordar da exposição pública do conflito.
Críticas à forma e ao momento do comunicado
Filipa Torrinha questionou a escolha do dia da publicação, coincidente com as notícias sobre a despedida de Lionel Messi da seleção argentina.
“Não sei se foi propositado, gostava de acreditar que não, mas há de saber que era à data e poderia ter feito antes ou depois. Acho indelicado”, declarou, sem afirmar que tivesse existido intenção de disputar atenções.
A comentadora criticou também a opção por um esclarecimento escrito, considerando que Ronaldo deveria ter dado a cara.
Na sua leitura, o problema principal estava na relação entre o estatuto do jogador e a autoridade da estrutura.
“O Cristiano Ronaldo fala da Federação e da Seleção como se fosse o quintal lá de casa, onde ele é senhor e dono das coisas.”
“E por mais prestígio que este homem tenha e possa ter, e o vejo validado nesse prestígio, a realidade é que ele não pode estar acima da hierarquia e das normas”, acrescentou.
O pedido de desculpa divide opiniões
Filipa Torrinha considerou que Ronaldo enfraqueceu o pedido de desculpa ao associá-lo à explicação do conflito.
“O que o Cristiano Ronaldo faz é peço desculpa, mas… E a seguir ao mas, vem uma justificação que, na cabeça dele, legitima toda a atitude. Não pode ser, isto anula o pedido de desculpas automaticamente. O pedido de desculpas é peço desculpas, ponto final.”
No comunicado, o capitão assumiu que não deveria ter abandonado o estágio, atribuiu a si próprio a responsabilidade pela decisão e declarou que o estatuto de capitão deveria constituir uma agravante na avaliação de uma eventual sanção.
Para a comentadora, a disponibilidade para aceitar consequências correspondia ao “mínimo olímpico”.
“Nós não vamos celebrar o mínimo”, afirmou, antes de manifestar apoio ao selecionador: “E se existir, não sei se existirá ou se está a existir ou não, um braço de ferro entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus, que ganhe Jorge Jesus. Neste momento, este homem merece o meu respeito.”
Joana Latino questiona o tom e a responsabilidade pública
Joana Latino também interpretou criticamente a passagem sobre uma eventual sanção.
“Esta parte em que o Ronaldo fala do cumprimento da sanção é que o tom do comunicado é eu, Ronaldo, autorizo-vos a aplicarem uma sanção”, afirmou, apresentando a sua leitura das palavras do jogador.
A jornalista considerou que o texto transmite uma posição de superioridade perante a estrutura e recorreu a uma metáfora para explicar essa opinião:
“Ele acha que é a única árvore num deserto e isso é o pior que pode acontecer.”
Filipa Torrinha encerrou a análise com uma reflexão sobre a influência do futebolista junto do público.
“Acho que é muito importante termos atenção que tipo de modelo temos aqui, se vale a pena colocarmos este homem ainda como um modelo, uma referência, não só por isto, como também outras coisas”, ponderou.
Joana Latino acompanhou a preocupação, referindo a “enorme responsabilidade que tem como influenciador, por exemplo, de meninos mais novos que possam achar que este comportamento é o modelo”.
