O percurso de Cristiano Ronaldo na Seleção terminou com 234 internacionalizações e 146 golos, depois de 23 anos de recordes, derrotas e conquistas. Entre a estreia em Chaves e a despedida anunciada nesta quinta-feira, 5 de novembro, o avançado participou na conquista de um Europeu e de duas Ligas das Nações.
Na mensagem aos portugueses, Ronaldo escolheu destacar a relação com os adeptos e o orgulho de representar o país. A carreira internacional deixou, porém, uma sequência de momentos que marcaram várias gerações.
2003: a estreia de um jovem de 18 anos
Cristiano Ronaldo estreou-se pela equipa principal de Portugal a 20 de agosto de 2003, num particular frente ao Cazaquistão, em Chaves. Luiz Felipe Scolari lançou-o na segunda parte, para o lugar de Rui Costa, numa partida que terminou com uma vitória portuguesa por 1-0.
O avançado tinha 18 anos e acabara de trocar o Sporting pelo Manchester United. Na Seleção, começava um percurso que atravessaria mais de duas décadas.
2004: o primeiro golo e a final perdida em Lisboa
O Europeu organizado por Portugal foi a primeira grande competição internacional de Ronaldo pela equipa principal. Marcou o primeiro golo frente à Grécia, na derrota da jornada inaugural, e conquistou espaço ao longo do torneio.
A caminhada terminou na final do Estádio da Luz, novamente diante dos gregos. As lágrimas após a derrota tornaram-se uma das imagens mais reconhecíveis do início da sua carreira internacional.
Dois anos depois, no Mundial da Alemanha, ajudou Portugal a chegar às meias-finais. A equipa terminou a competição em quarto lugar, depois das derrotas frente à França e à Alemanha.
A braçadeira e o caminho até ao Mundial de 2014
Ronaldo usou pela primeira vez a braçadeira de capitão em 2007, num encontro com o Brasil. A responsabilidade tornou-se permanente após o Euro 2008, já com Carlos Queiroz no comando técnico.
No Euro 2012, Portugal voltou a chegar às meias-finais, sendo eliminado pela Espanha no desempate por penáltis.
No ano seguinte, o avançado protagonizou uma das exibições mais marcantes ao serviço da equipa nacional. Em Estocolmo, marcou três golos à Suécia na segunda mão do play-off de acesso ao Mundial de 2014, confirmando o apuramento português.
Em 2014, ultrapassou também Pauleta na lista de melhores marcadores da Seleção. O Mundial do Brasil, disputado com limitações físicas, terminou na fase de grupos.
Euro 2016: o troféu que faltava
A primeira conquista chegou em França. Ronaldo marcou dois golos no empate com a Hungria, na fase de grupos, e voltou a marcar na meia-final frente ao País de Gales.
Na final contra a seleção francesa, uma lesão obrigou-o a sair ainda na primeira parte. Acompanhou o restante encontro fora do relvado e celebrou o golo de Éder que decidiu o título.
No Stade de France, ergueu o primeiro grande troféu da Seleção principal masculina, doze anos depois da final perdida em Lisboa.
2018 e 2019: dois hat-tricks e outro título
O Mundial de 2018 começou com três golos de Ronaldo no empate com a Espanha. Portugal acabaria eliminado pelo Uruguai nos oitavos de final.
Em 2019, o capitão voltou a marcar um hat-trick, desta vez à Suíça, nas meias-finais da primeira edição da Liga das Nações. Na final, disputada no Estádio do Dragão, Portugal venceu os Países Baixos e conquistou o segundo título.
Recordes internacionais e cinco Mundiais a marcar
No Euro 2020, disputado em 2021, Ronaldo terminou como melhor marcador do torneio e igualou o registo internacional de golos de Ali Daei.
Em setembro desse ano, dois golos frente à República da Irlanda permitiram-lhe ultrapassar a marca do iraniano e tornar-se o maior goleador do futebol de seleções masculinas.
No Mundial de 2022, no Catar, tornou-se o primeiro jogador a marcar em cinco fases finais de Campeonatos do Mundo masculinos. A participação portuguesa terminou nos quartos de final, frente a Marrocos.
Das 200 internacionalizações à segunda Liga das Nações
Com Roberto Martínez no comando técnico, Ronaldo ultrapassou em 2023 a barreira das 200 internacionalizações. No Euro 2024, na Alemanha, participou pela sexta vez numa fase final do Campeonato da Europa.
Em setembro de 2024, atingiu os 900 golos oficiais na carreira durante um encontro com a Croácia, no Estádio da Luz.
Portugal voltou a conquistar a Liga das Nações em 2025, somando o segundo triunfo na competição e o terceiro título do percurso internacional do capitão.
A despedida aos portugueses
O anúncio do fim da carreira internacional chegou a 5 de novembro de 2026. Na mensagem de despedida, Ronaldo agradeceu aos companheiros, aos profissionais da Seleção, à família e aos adeptos.
“Passei a minha vida a trabalhar para ser o melhor jogador do mundo. Hoje percebo que a maior vitória foi ter merecido representar o melhor país do mundo.”
A última referência foi para a camisola com que construiu grande parte dessa história: “A camisola 7 fica, o orgulho de a ter vestido será meu para sempre. Portugal estará sempre em mim.”
