Cristiano Ronaldo: Rafael Leão fica com o número 7 e Elma Aveiro volta a falar em “traição” ao futebolista.
Rafael Leão vai utilizar a camisola 7 de Portugal no encontro com a Dinamarca, depois da saída de Cristiano Ronaldo do estágio da Seleção Nacional. A indicação consta da listagem da UEFA citada pelo jornal A Bola e surge num dia marcado por novas reações de Elma Aveiro, pelo debate televisivo sobre Jorge Jesus e por notícias acerca dos planos federativos para o capitão.
A atribuição do número a Leão diz respeito à ficha do encontro em Copenhaga. Não corresponde, por si só, a uma decisão sobre o futuro de Ronaldo na Seleção, que o jogador não esclareceu na mensagem em que anunciou a saída.
Francisco Conceição também fica fora do encontro
Além de Ronaldo, Portugal não contará com Francisco Conceição, devido a lesão, conforme tinha sido indicado na conferência de imprensa de antevisão.
Segundo a informação publicada por A Bola, a ausência dos dois jogadores reduz a convocatória de 25 para os 23 nomes que podem constar da ficha. O jornal refere ainda que a numeração prevista para o encontro vai de 1 a 23, enquadrando assim a utilização do número 7 por Rafael Leão.
Elma Aveiro reage à perda de seguidores da Seleção
Nas histórias do Instagram, Elma Aveiro voltou a publicar mensagens críticas depois da decisão do irmão.
“Traição é um prato que se serve frio”, escreveu, acrescentando: “Aqui se faz, aqui se paga. Caminho é para a frente.”
A irmã do jogador partilhou também referências à quebra de seguidores da conta da Seleção, acompanhadas pela frase “Aqui vamos, o mundo dá muitas voltas.”
De acordo com os valores divulgados por A Bola, a página passou de cerca de 24 milhões e 942 mil seguidores, às 22 horas de quarta-feira, para aproximadamente 24 milhões e 600 mil na manhã seguinte. A diferença entre as duas contagens ronda os 342 mil seguidores.
A descida foi registada no período posterior à saída de Ronaldo. Os números, isoladamente, não permitem determinar o motivo de cada utilizador para deixar de seguir a conta.
Jornal As avança versão sobre planos da Federação
O diário espanhol As noticiou que a Federação Portuguesa de Futebol esperava uma despedida de Ronaldo depois do Mundial de 2026. Segundo essa versão, alguns candidatos à sucessão de Roberto Martínez teriam colocado o afastamento do capitão como condição, entre eles José Mourinho, antes de assumir o Real Madrid.
O jornal acrescentou que a expectativa seria a de que o próprio jogador anunciasse a decisão e que Jorge Jesus acabou por voltar a convocá-lo perante a ausência desse anúncio. Trata-se de uma versão atribuída ao As, distinta da posição que Pedro Proença tinha apresentado publicamente.
À margem do Portugal Football Summit, antes do encontro com o País de Gales, o presidente da FPF afirmou:
“O presidente da Federação, novo selecionador nacional e Cristiano Ronaldo, este triângulo, sabemos perfeitamente o que queremos fazer esta época e aquilo que será o papel de Cristiano Ronaldo. Um papel muitíssimo importante, todos sabemos o que significou no passado, o que significa hoje e o que vai projetar na Seleção Nacional e na Federação Portuguesa de Futebol.”
Proença reforçou então a ideia de entendimento: “Há uma tranquilidade total, por parte do selecionador, por parte do Cristiano e, obviamente, pela parte do presidente da federação, no papel que Cristiano vai desempenhar.”
E concluiu: “É evidente que um símbolo como Cristiano Ronaldo, depois de Eusébio e Figo, são pessoas que ficaram de forma clara ligadas à Federação Portuguesa de Futebol, à Seleção. É claro o gosto que Cristiano Ronaldo tem de estar na Seleção, de ajudar. É com Cristiano que vamos iniciar este novo ciclo e, portanto, ele fará sempre parte da solução.”
Isabel Figueira critica tratamento dado ao capitão
No “V+ Fama”, da V+ TVI, Isabel Figueira defendeu que o percurso de Ronaldo deveria ter pesado na forma como Jorge Jesus comunicou as suas decisões.
“Aquilo que eu acho, e que é a minha opinião, é que o Cristiano Ronaldo não é um jogador qualquer”, afirmou.
A comentadora distinguiu a autoridade do treinador do modo de a exercer: “Este discurso, que compreendo que ele possa fazer, mas tratar desta maneira alguém com a carreira que tem, eu não considero – e que ele não me leve a mal – o Cristiano Ronaldo igual aos outros jogadores da seleção.”
Isabel pediu “algum respeito pelo caminho e pelo percurso profissional de Cristiano Ronaldo” e defendeu a necessidade de “um bocadinho, uma palavra que eu sei que não aprecias muito, mas empatia”.
Adriano Silva Martins questionou-a: “Mas não achas que quem manda numa seleção é o treinador?”
“Quem manda é o treinador, é verdade”, respondeu Isabel, acrescentando que “nós não estamos a falar de um jogador qualquer que ele foi buscar e que pode usar e não usar”.
Declarações de Jorge Jesus no centro da discussão
O debate recuperou a explicação do selecionador sobre a utilização de Ronaldo frente à Noruega.
“Eu posso prometer o que eu quiser, eu sou treinador”, afirmou Jorge Jesus. “Disse ao jogador: ‘Não eras para jogar, vou-te levar para o banco. Se precisar de ti 30 minutos, vais jogar. Se não precisar, não vais jogar.’ Eu conduzi o jogo à minha maneira, ele não entrou.”
O técnico prosseguiu: “Porque não é o Cristiano, nem nunca vai haver nenhum jogador que vai mudar as minhas ideias como treinador. Nunca. Nem ele, nem ninguém no futebol. Nem ele, nem ninguém, nenhum presidente. Nunca. Zero.”
Isabel Figueira considerou que esse discurso contrastava com as palavras anteriores do selecionador sobre a presença de Ronaldo.
“Mais valia não o ter convidado, mais valia Cristiano Ronaldo não ter sido convocado para a Liga das Nações. Para quê? Para o convocar e fazer isto a uma figura como Cristiano Ronaldo não parece correto.”
A comentadora concluiu: “As palavras que Jorge Jesus disse antes de Cristiano Ronaldo ser convocado e a maneira como se dirigiu a ele são completamente diferentes deste discurso que teve, e acho lamentável porque o Cristiano não é um jogador igual aos outros.”
António Leal e Silva defende decisões do selecionador
António Leal e Silva apresentou uma posição diferente, embora tenha reconhecido a dimensão mundial do jogador.
“Tenho de pedir desculpa ao Jorge Jesus porque eu disse aqui que não acreditava que houvesse alguém com coragem suficiente para tirar o Cristiano Ronaldo. E o Jorge Jesus teve essa coragem, bem ou mal”, afirmou, esclarecendo depois que “não foi que alguém o ‘tirou’, foi uma decisão”.
Para o comentador, existe “uma parte que é uma discussão de egos, há uma guerra de egos”. Ainda assim, defendeu a autonomia do treinador.
“Eu entendo e aceito, e tenho de aceitar, não pode ser de outra forma, a postura de Jorge Jesus. Ele é o selecionador, ele é que sabe o que é que está a passar no campo, ele é que sabe quem é que tem que jogar. E o objetivo máximo do Jorge Jesus é ganhar o jogo.”
Acrescentou: “Ele é selecionador, não está ali para paparicar jogadores, mas para ganhar jogos em nome de Portugal.”
Na sua leitura, “Cristiano foi para lá para jogar em nome de Portugal e também em seu nome, para atingir os seus objetivos pessoais, como os ‘mil golos’, ou outras marcas”. António resumiu o conflito como “dois egos que chocaram, que não se conseguiram entender”.
Dimensão de Ronaldo condiciona atenção sobre a equipa
António Leal e Silva considerou ainda que a presença do capitão concentra inevitavelmente a atenção pública.
“Mesmo que o Jorge Jesus estivesse a fazer um trabalho meritório e a ganhar os jogos todos, o foco, enquanto Cristiano Ronaldo estivesse presente, seria sempre ele.”
O comentador destacou a projeção internacional do avançado: “Cristiano Ronaldo não é de Portugal. Cristiano Ronaldo é do mundo. É o português mais conhecido no mundo inteiro.”
Num registo de humor, acrescentou: “Vamos aos confins da Austrália e, ao dizeres que és português, até o canguru tem uma bandeira com a cara dele, percebes?”
Vera de Melo distingue autoridade de necessidade de a demonstrar
Num artigo de opinião publicado na SELFIE, a psicóloga Vera de Melo analisou a comunicação entre os intervenientes, sem apresentar uma avaliação clínica.
“Há uma coisa particularmente perigosa nas relações de poder: quando duas pessoas deixam de discutir aquilo que aconteceu e começam, silenciosamente, a disputar quem manda”, escreveu.
A psicóloga defendeu que “existe uma diferença entre ter autoridade e precisar de demonstrar autoridade” e refletiu sobre a forma como uma decisão desportiva pode ser recebida.
“‘Não vais jogar’ é uma decisão técnica. ‘Vais aquecer durante 20 ou 30 minutos e depois não vais entrar’ pode ser vivido emocionalmente de outra maneira.”
Vera de Melo concluiu: “As pessoas podem aceitar que não jogam. O que nem sempre aceitam é sentir que foram diminuídas.”
A análise constitui uma interpretação do episódio público. Ronaldo continua a remeter para mais tarde a explicação dos motivos que o levaram a deixar o estágio.
