Diego Ventura decidiu deixar de participar, por regra, em cerimónias de entrega de prémios realizadas fora dos seus compromissos profissionais. Num comunicado publicado este domingo, 25 de outubro, na sua página oficial de Facebook, o cavaleiro explicou que as deslocações se tornaram difíceis de conciliar com a preparação dos cavalos, a gestão da coudelaria e o tempo para a família.
A decisão não representa uma recusa dos troféus nem uma desvalorização das entidades que os atribuem. Ventura pretende limitar as viagens feitas exclusivamente para receber distinções e propõe que as entregas aconteçam durante as próprias feiras taurinas.
“Por isso, tomei a decisão, como regra geral, de não assistir, daqui em diante, aos atos de entrega de prémios que se realizem fora dos meus compromissos profissionais”, anunciou no documento, escrito em espanhol.
Cerca de 60 dias para receber prémios
Ventura começou por agradecer o reconhecimento que tem recebido ao longo da carreira de associações, clubes taurinos, júris e aficionados. Explicou, porém, que uma temporada em que pode chegar às 50 corridas gera numerosos convites, por vezes com duas ou três distinções relativas à mesma atuação.
Cada cerimónia implica uma deslocação que, segundo o cavaleiro, pode ocupar um dia de ida e parte do seguinte para regressar. Somados todos os compromissos, estima que seriam necessários cerca de 60 dias exclusivamente para receber prémios, dos aproximadamente 130 que separam uma temporada da seguinte.
Esse intervalo, sublinhou, está longe de corresponder a férias. Durante anos tentou conciliar todos os pedidos, mas concluiu que não consegue fazê-lo sem prejudicar outras responsabilidades.
Também rejeitou a hipótese de escolher algumas entidades em detrimento de outras ou procurar justificações para cada ausência: “Prefiro dizer a verdade: não tenho tempo material para estar em todas.”
Preparação dos cavalos exige trabalho diário
Uma das principais razões apresentadas prende-se com a preparação da quadra. Ventura explicou que não pode deixar de montar nem transportar os cavalos consigo sempre que se desloca para uma cerimónia.
“Os meus cavalos são atletas de elite e exigem um trabalho diário, constante e especializado. São muitos os cavalos que tenho de preparar para enfrentar a temporada com todas as garantias possíveis e estar à altura da minha própria trajetória e daquilo que os aficionados e o público esperam de mim”, afirmou.
Segundo o comunicado, esse trabalho ocupa aproximadamente oito horas diárias, mesmo depois de terminada a temporada. A atividade inclui ainda a atenção à coudelaria, à reprodução e criação de mais de uma centena de cavalos, éguas e poldros, bem como à preparação dos animais jovens que irão estrear-se em praça.
Este ano, acrescentou, o acidente sofrido pelo camião que transportava os seus cavalos trouxe exigências adicionais. Ventura referiu que a recuperação dos animais requer cuidados permanentes da equipa, que também tem visto o descanso condicionado.
Família e filhos pesam na decisão
O cavaleiro lembrou que os períodos de maior atividade profissional coincidem frequentemente com aqueles em que as famílias descansam: verão, fins de semana e feriados.
Por isso, defendeu a necessidade de reservar parte do intervalo entre temporadas para a vida pessoal.
“Quando termina a temporada, também preciso de encontrar tempo para a minha família, para os meus filhos e, porque não, até para desfrutar de uns dias de férias com eles.”
A decisão surge, assim, depois de várias tentativas de compatibilizar as cerimónias com o trabalho e a família. No comunicado, Ventura reconheceu que não é fácil dar este passo, sobretudo por envolver pessoas e instituições que sempre lhe demonstraram carinho e respeito.
Proposta passa por entregar os troféus durante as feiras
Como alternativa, Diego Ventura sugeriu que o setor organize as entregas de prémios durante as próprias feiras, antes ou depois das corridas, evitando deslocações adicionais nos meses de menor atividade em praça.
O cavaleiro apontou como exemplos o Clube Taurino de Múrcia e o Rejón de Oro de Méjanes, em França, defendendo que essa solução permitiria manter a tradição de reconhecer os profissionais e, ao mesmo tempo, respeitar os seus calendários.
Na parte final, insistiu que a ausência física não altera a importância de cada distinção.
“Cada prémio continuará a ter para mim o mesmo valor, quer o receba pessoalmente ou não. Não renuncio ao reconhecimento. Renuncio unicamente a estar em todos os lugares onde me pedem que vá recebê-los nestes meses fora de temporada, porque me custa cada vez mais compatibilizar o tempo que isso exige com aquele de que preciso para mim e para continuar a preparar a minha quadra para a próxima temporada.”
Terminou com uma mensagem dirigida a quem acompanha o seu percurso: “Obrigado, de coração, a quem valoriza o meu trabalho e, especialmente, a quem souber compreender esta decisão.”
