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Empire of the Sun: festa cósmica na Lisboa de outra dimensão

Empire of the Sun: festa cósmica na Lisboa de outra dimensão. Foi esta a proposta do Sagres Campo Pequeno para o dia 23 de julho de 2025, na qual o Infocul esteve presente, e sentiu a alegria de quem esteve fora deste mundo através da música e efeitos surrealistas da banda. 

Texto: André Nunes / Fotografias: João Sousa.

A odisseia cósmica que olha para o futuro

A banda regressou a Lisboa com um espetáculo que transcendeu o concerto tradicional. Com visuais futuristas, figurinos teatrais e uma sonoridade que funde géneros, levaram o público numa viagem sensorial. 

Entre luzes hipnóticas e refrões etéreos, a capital portuguesa rendeu-se — mais uma vez — ao universo surreal e contagiante de Luke Steele e Nick Littlemore. Tudo entre música e performance herdeiros dos estilos de David Bowie e Daft Punk, mas com uma identidade própria.

Lisboa entrou em órbita com uma festa de verão para a história

Com toques de glam rock, foi o pop mais electro e psicadélico que fez a alegria reinar na capital, ao som de temas de refrão e musicalidade “pegadiços”. E os balanceamentos e danças continuaram pela noite fora, bem longe já da sala do Campo Pequeno.

No meio de uma teatralidade que transformou a atmosfera da Avenida da República em fogo de artificio musical, quem foi, sentiu que teve oxigénio para aguentar um verão quente.

Lisboa foi palco de uma viagem cósmica na noite passada, quando os Empire of the Sun aterraram no Campo Pequeno com o seu espetáculo inconfundível de cor, luz e som.

Empire of the Sun: festa cósmica na Lisboa de outra dimensão

Roi Turbo: o prólogo para uma noite de estilo surrealista

A abrir a noite, Roi Turbo fez jus ao nome: entrou em velocidade máxima com um set repleto de beats contagiantes e teatralidade absurda, provando que é possível fazer festa com muito glitter sonoro. Com as suas produções viciantes e modernas, que vão do trap ao funk e à pop eletrónica.

Os irmãos Roi Turbo abriram a festa – e que festa! Com um público rendido aos arranjos, em danças e cânticos. Foram recebidos em Lisboa com gritos de quem quer agarrar o verão. 

Aliás, a disposição do Campo Pequeno foi nesse sentido, com relva artificial nas plateias e as bancadas cheias lembravam uma grande claque unida pela estação mais quente do ano. Um cenário improvável para o recinto lisboeta, agora convertido numa espécie de discoteca de bom gosto, iluminada pela felicidade e calor a reinarem num ambiente diferente para o Campo Pequeno. 

Um império de luz, cor, som e fantasia no Campo Pequeno

Depois chegou o império, para delírio da audiência, numa sala que se encontrava com bilhetes esgotados. 

Em cima do palco, uma estátua partida. As luzes apagaram-se e, de repente, ouviu-se uma tempestade com luz ofuscante. E um relâmpago sonoro rasgou o espaço, iluminando com som estrondoso. Um ambiente explosivo. Um “ovo” abriu-se e as portas do céu começaram a revelar-se. Com trajes excêntricos, a banda entrou com solo de guitarra de “Changes” — um tema sobre a capacidade de mudar, de conter os nossos ímpetos. 

It’s the feeling you get, Portugal”, gritou o vocalista.

Ming, bonsais e Feiticeiros de Oz: o desfile visual

A estética visual puxava à imagética imperial do Japão: desde trajes dignos de um shogun a elementos como bonsais, visíveis durante “Cherry Blossom”. Em estilo de vilão saído do filme “Flash Gordon”, o Imperador Ming, o vocalista usou truques de magia e fitas lançadas ao público. E a sua roupa de imperador, tingida a vermelho, e maquilhagem, compuseram a figura. Era mesmo o vilão Ming. E a cantar de forma incrível! 

Mas as mensagens continuavam. Luke Steele gritava bem alto “Amor e Redenção! Amor e Redenção!”, passando mensagens de união a um público diverso — em idades, geografias e estilos. Era uma autêntica festa de união. 

Dois Óscares gigantes (sim, as estatuetas douradas!) e uma zebra surgiram em palco, tornando o ambiente ainda mais surreal e exótico. As vestes tornaram-se prateadas e refletiam cada feixe de luz, conferindo ao vocalista um ar de Feiticeiro de Oz intergaláctico. Ao som de “People That Rule the World”, ninguém ficou sentado.

O momento Prince e a emoção em palco

A produção foi exímia. Imagens 3D projetadas pareciam palpáveis. “Da última vez que estivemos aqui, tocámos com o Prince. O grande, o saudoso Prince. Tenho memórias muito queridas de Portugal. O difícil foi continuar depois dele. Quem consegue continuar depois dele? É ridículo”, disse o vocalista, num momento emotivo. “Mas estou grato por estar de volta. Obrigado por estarem aqui. E todos são bem-vindos à Austrália se lá forem.” 

“Hoje o primeiro concerto desta digressão. O primeiro pôr do sol, o primeiro beijo, o primeiro sorriso. Obrigado. Vamos continuar a festa?”

Uma galáxia muito, muito dançante

Cada tema tinha detalhes únicos — desde os figurinos dos músicos e bailarinas até aos efeitos visuais e sonoros. Nada era estático. A cada canção, algo novo brilhava, até no mais ínfimo pormenor. A noite foi, de facto, um sol na capital. Os seus figurinos fazem logo os olhos brilhar, e a cenografia sci-fi leva-nos pensar “numa galáxia muito, muito distante, um concerto seria assim”.  

Ao vivo, Empire of the Sun oferece muito mais do que um concerto — é uma experiência quase cinematográfica.

Pop, eletrónica e rock numa fusão intergaláctica

Se não faltou pop e eletrónica, também não faltou rock. Pop, eletrónica e rock fundiram-se numa orquestra de três estilos que se entrelaçaram de forma inacreditável. Ao vivo, a fusão fazia ainda mais sentido do que ouvir em áudio. Entre David Bowie e Twisted Sister, o concerto foi intergaláctico e universal. 

David Bowie, em modo Ziggy Stardust teria orgulho em juntar-se à festa. Isto enquanto provava um pastel de nata com ginjinha numa Lisboa que, na noite de 23 de julho, se rendeu à festa glam rock com muito glitter e “rockalhada”. 

SupaChai: um alien, um polvo e uma declaração inesperada

“É altura de chamar um convidado especial. Eu disse para abrir o espetáculo e dar andamento. Batam palmas para SupaChai!” — Um alien com cara de polvo subiu ao palco. Voz distorcida, estilo Davy Jones extraterrestre. À pergunta “o que dizes a Portugal?”, respondeu (entre risos do público e ovação final): “As raparigas de Portugal são as mais bonitas do mundo.”

O espetáculo prosseguiu com “High and Low”. A nave que nos transportou por esta viagem estava agora estacionada no planeta do império do sol. Conhecemos a fauna e flora local deste planeta que musical em que reina a alegria e a união: cavalos extraterrestres, dançantes e sincronizados.

Quando a música toca no divino

Em “Ask That God”, a banda entrou num registo mais espiritual e divino: “Just ask that God/ Be a river right through your blood”. Uma prece embalada em luz e batida. Chegámos então ao momento alto com “Walking on a Dream”, um dos temas maiores, acompanhado pelo sol e lua, personificados à nossa frente. 

Após o tema e depois de sentirmos nesse mesmo sonho, os grandes portões do Império por detrás do sol fecham-se. Num vídeo mapping bem real. Mas o astral seria maior ainda! Os portões abrem-se e ficamos a conhecer mais um local deste planeta musical, com busto de pedra enorme. 

Do vilão Ming ao cowboy puro de branco

E Steele regressa após ter deixado o palco- e surge todo de branco, com chapéu de aba aberta a condizer. Já não em estilo vilão glam de Ming, mas em estilo de cowboy do bem e da luz, todo de branco. O pale rider começou com acordes bem hard rock na sua guitarra também branca. 

A nave deu-nos a conhecer mais um local, uma espécie de costa na estratosfera do planeta, com plantas de moléculas instáveis a esvoaçar, com os átomos a bater ao ritmo do tema. Era a costa do planeta e nós íamos ouvir “Standing on the Shore”. Com hard rock a roçar o metal, e a guitarra elétrica tocou nesse ponto, antes da sua destruição em apoteose.

“Alive”: o hino final de uma multidão rendida

Para terminar, fomos presenteados com o tema “Alive”. O Campo Pequeno foi iluminado por luzes intermitentes, fumo, palmas e saltos em euforia total. “Portugal, vamos lá!”, gritaram. “Obrigado, vemo-nos em breve. Que Deus vos abençoe.”

Com música a ecoar, a nave levantou voo e regressou à Terra. Ou não? Só se viam nuvens calmas a descer pela escadaria principal, com música angelical a acompanhar. Os portões fecharam-se. Onde estaríamos e onde nos levou este concerto empolgante?

Quando a nave levantou voo — e ninguém quis descer

Bem, o que sei é que nós, público, nós continuámos a festa. Continuou pela rua fora, na saída da sala, no regresso a casa, A festa continuou pela rua fora, no regresso a casa, no resto da semana e irá continuar pelo resto do verão.

Porque vimos um concerto que se tem de ver pelo menos uma vez na vida.

Alinhamento de Empire of the Sun no Sagres Campo Pequeno

Ato 1
Changes
The Feeling You Get
Half Mast
Cherry Blossom
We Are the People

Ato 2
Way to Go
DNA
Television

Ato 3
Supa Chai
Music on the Radio
Revolve
High and Low
Swordfish Hot Kiss Night

Ato 4
Ask That God
Happy / Wild World
Walking on a Dream

Encore
Standing on the Shore
Alive

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