Farioli celebra resposta do FC Porto e volta à arbitragem: “Hoje, não houve coisas estranhas”, afirmou o treinador.
Francesco Farioli saiu do clássico com aquilo que procurava: vitória, sete triunfos em sete jornadas e uma margem maior sobre o Benfica. Mas o treinador do FC Porto não transformou o 3-1 numa leitura excessivamente confortável. Reconheceu dificuldades, explicou o momento em que a equipa perdeu referências depois da expulsão de Lenglet e deixou ainda uma resposta curta sobre a arbitragem.
Na análise ao encontro, Farioli começou por destacar a capacidade da equipa para lidar com um jogo que foi mudando de natureza ao longo dos 90 minutos.
“Sabíamos que era um jogo difícil composto por momentos, situações, portanto jogámos muito bem, com uma grande atitude de equipa.”
O treinador admitiu, no entanto, que o FC Porto não tirou imediatamente partido da superioridade numérica.
Benfica com dez obrigou o FC Porto a reajustar
Depois da expulsão de Clément Lenglet, ainda na primeira parte, os dragões passaram por alguns minutos menos conseguidos.
“Não estivemos muito bem depois de o Benfica ter 10 jogadores, tivemos alguns minutos em que tivemos dificuldades em encontrar a referência e depois ajustámos.”
Farioli aproveitou também para recordar a dimensão da concorrência na luta pelo campeonato, sublinhando que ainda há muito caminho pela frente e apontando para o investimento feito pelos rivais diretos.
O Benfica chegou mesmo ao empate no início da segunda parte, através de Alexander Bah, mas a resposta portista foi rápida. Froholdt devolveu a vantagem e Inbeom Hwang fechou o resultado em 3-1.
Para Farioli, esse momento mostrou precisamente o perigo de desligar perante uma equipa com qualidade individual e coletiva.
“Contra tanta qualidade, se desligarmos um segundo ou não fizermos tudo de forma perfeita, podemos pagar o preço.”
O técnico explicou ainda que a ideia, depois do intervalo, passou por retirar espaço a um jogo demasiado aberto e evitar que o Benfica encontrasse condições para crescer mesmo em inferioridade numérica.
Gabri Veiga jogou condicionado
Um dos episódios menos visíveis do clássico aconteceu ainda antes da partida. Gabri Veiga, autor do primeiro golo, chegou ao jogo com limitações físicas e acabou substituído aos 37 minutos.
Farioli revelou que o médio vinha a sentir problemas nas pernas e que a equipa médica trabalhou até tarde para o colocar em condições de jogar.
“Ontem à noite, o fisioterapeuta esteve em sua casa até à meia-noite.”
Gabri conseguiu ainda marcar antes de voltar a sentir dores e abandonar o relvado. O treinador aproveitou o episódio para alargar o mérito da vitória a quem trabalha fora do onze inicial e destacou também o regresso de Samu, que voltou a competir após uma longa ausência.
“Nada de coisas estranhas”
A arbitragem tinha entrado na discussão ainda antes do clássico e voltou inevitavelmente à conferência de imprensa.
Questionado depois de uma partida com a expulsão de Lenglet e mais dois vermelhos junto aos bancos, Farioli respondeu com ironia.
“Nada de coisas estranhas hoje, portanto tudo bem.”
O italiano recusou depois comparações com a época anterior e preferiu colocar o foco no presente.
“O passado é o passado, é uma nova era, uma nova época.”
O FC Porto segue assim para a pausa internacional com 21 pontos e pleno de vitórias no campeonato, cinco pontos à frente do Benfica.
André Silva: “O importante é ganhar”
Também André Silva falou depois do clássico. O avançado não marcou, mas esteve diretamente envolvido no segundo golo portista e voltou a destacar aquilo que considera ser mais importante do que os números individuais.
“Sabíamos que o jogo não ia ser fácil.”
O avançado valorizou o ambiente no Dragão e explicou que o seu papel passa também pelo trabalho associativo, mesmo quando esse trabalho não termina com o próprio nome na lista de marcadores.
“Depois, os golos acabam por chegar ou não, mas o importante é ganhar.”
André Silva contou ainda que o plantel tentou preparar o clássico como qualquer outro jogo, apesar de toda a carga emocional que acompanha um FC Porto-Benfica.
“Tentámos, durante a semana, limar os detalhes que eram precisos e tirar o melhor de nós.”
Com a vantagem aumentada na classificação, o avançado recusou fazer contas aos resultados dos rivais.
“Queremos fazer o máximo de pontos e encarar cada jogo com o máximo esforço e ao mais alto nível.”
O discurso portista terminou, assim, no mesmo ponto em que começou: vitória no clássico, margem reforçada na Liga e a intenção de não baixar a exigência.
