Filipa Nascimento responde às críticas e António Leal e Silva denuncia ameaças

Filipa Nascimento responde às críticas e António Leal e Silva denuncia ameaças através das redes sociais.

Filipa Nascimento decidiu pronunciar-se sobre os comentários ao seu visual nos Globos de Ouro depois de receber mensagens de mulheres que lhe contaram como o julgamento sobre a aparência condiciona as suas escolhas. A atriz defendeu o direito de discordar de uma roupa, mas recusou que essa liberdade legitime a humilhação.

António Leal e Silva, autor de um dos vídeos que motivaram a reação, afirmou entretanto estar a receber ameaças e insultos homofóbicos. Nas redes sociais, responsabilizou várias figuras públicas por aquilo que considera ser uma promoção de ódio contra si.

“Se tenho voz neste meio, é agora que a devo usar”

Na publicação que acompanhou com uma fotografia do coordenado usado na gala, Filipa explicou por que razão decidiu falar.

“Não tencionava tecer mais comentários sobre tudo aquilo que se tem dito por aí. Sou uma mulher segura, confiante e, acima de tudo, orgulhosa de quem sou. Mas hoje acordei a pensar de outra forma. Eu sei quem sou e sei aquilo em que acredito. Sei também que nem todas as mulheres têm a mesma segurança ou a mesma capacidade de ignorar determinadas palavras. Como mãe de uma menina, isso importa-me. E, se tenho voz neste meio, é agora que a devo usar.”

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A atriz distinguiu a crítica às escolhas pessoais do ataque a quem as faz.

“Não temos de gostar todos da roupa de alguém. Não temos de concordar com aquilo que alguém diz ou escolhe mostrar. Não temos sequer de pensar da mesma maneira. Mas não temos o direito de humilhar, julgar ou atacar.”

As conversas com outras mulheres pesaram na decisão.

“Desde ontem, várias mulheres falaram comigo. Algumas para me apoiar. Outras para partilhar histórias que mostram como este tipo de julgamento ainda condiciona, e muito, a liberdade de tantas mulheres e que pode ainda extrapolar para outros lugares. E é isso que me preocupa.”

Atriz recusa responder com ataques pessoais

Filipa Nascimento afirmou que poderia procurar fragilidades em quem a criticou, mas rejeitou essa forma de resposta.

“Todos temos direito a uma opinião. Mas uma opinião não é um passe livre para invadir o espaço do outro e diminuí-lo. Eu poderia responder na mesma moeda. Poderia procurar algo em cada uma dessas pessoas para usar contra elas. Seria bem fácil. Mas seria também descer ao mesmo lugar e eu não quero lá estar!”

A mensagem terminou com um apelo à liberdade de escolha e à solidariedade entre mulheres.

“Não quero diminuir ninguém para me sentir maior ou melhor. Não quero alimentar uma cultura em que uma mulher é julgada pela roupa que veste, pelo corpo que mostra ou pela liberdade que escolhe exercer. Gostava que todas as mulheres se sentissem livres. Livres para vestir o que quiserem, para mostrar o que quiserem, para ocupar o espaço que quiserem. Para serem quem são. Sem pedir licença, sem pedir desculpa, sem medo do julgamento alheio.”

Acrescentou: “A liberdade de uma mulher não ameaça a liberdade de outra. E quando tentamos ensinar uma mulher a ter vergonha de si, não estamos a protegê-la, mas sim a limitá-la. Acredito que devemos caminhar para a frente e não para trás! Não se esqueçam de uma coisa muito importante… quando uma de nós cai, todas caímos.”

As palavras de Leal e Silva que motivaram a polémica

No vídeo publicado no Instagram, António Leal e Silva associou a indumentária da atriz a um colete de forças e fez referências a problemas psiquiátricos.

“Não sei o que é que aconteceu. É um colete de forças, está com problemas do foro psiquiátrico, está contida para não atacar ninguém dentro da festa, está isolada, tem que ser isolada. Não percebo, amor, não consegui perceber esse fato, filha. Não chego lá. Sou eu que sou muito estúpido, não consegui chegar lá, querida. Mas parabéns. Beijinhos, vá para casa, querida.”

Sónia Tavares partilhou um excerto e questionou a aceitação desse tipo de comentário.

“Enquanto andamos todos atarefadíssimos a apontar o dedo aos humoristas deste país, vamos achando um piadão a António Leal e Silva. Mas se calhar sou eu que sou muito estúpida e não chego lá…”, escreveu a cantora.

Comentador diz ter recebido ameaças de morte

Na nova reação nas redes sociais, António Leal e Silva apresentou os seus vídeos como brincadeiras sobre roupa.

“Estão todos contra mim porque faço vídeos a falar dos looks das pessoas, coitadas, que não podem receber uma crítica. É uma brincadeira, porque é uma humilhação”, afirmou.

O comentador do «V+ Fama» disse que as mensagens privadas passaram a incluir ameaças de agressão e de morte, além de insultos dirigidos a si e à família.

“Mereço morrer, que sou uma bicha, um paneleiro, um velho, um gordo, um careca, que sou uma merda, que a minha família é uma merda, que sou isto, que sou aquilo, que me vêm matar, que me vêm bater, que eu desprezo, que eu faço, que tenho a mania, bem, do pior que há”, relatou, reproduzindo o conteúdo das mensagens que afirma ter recebido.

Acusações dirigidas a figuras públicas

António Leal e Silva mencionou Sónia Tavares, Jéssica Ataíde, Fátima Lopes, Filipa Torrinha, José Mata, Kiko Izzo e Paula Labaredas ao responsabilizar figuras públicas pelo ambiente de hostilidade que diz enfrentar.

“Quero-vos agradecer pela vossa promoção do ódio, porque à conta dessa estupidez de me difamarem, enxovalharem, achincalharem com uma coisa que eu não fiz, porque eu brinco com roupas que não foram bem, temos pena, meus queridos.”

A acusação de incentivo ao ódio é feita pelo comentador, que sustentou: “Pior do que criticar com roupas é falar do caráter das pessoas. Sem as conhecerem de lado nenhum.”

Sobre Sónia Tavares, voltou a recordar o encontro no Rock in Rio: “A Sónia, que era muito minha amiga do Rock in Rio. Tive com ela uma tarde. Era muito querida. Ficou muito contente porque me conheceu.”

Criticou depois os comentários mantidos na página da cantora: “Deixa por aqueles comentários no Instagram dela. A incentivar ao ódio. A enxovalhar, a achincalhar. Que nem graça têm.”

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