Filipa Torrinha Nunes critica Numeiro e Liliana Aguiar pelas posições sobre a divisão de despesas nos casais. No “Passadeira Vermelha”, a psicóloga rejeitou a imposição de responsabilidades financeiras em função do género e questionou o caráter “educativo” atribuído à intervenção do influenciador.
O debate decorreu na emissão de quarta-feira, 4 de novembro, da SIC Caras, apresentada por Liliana Campos. Em causa estavam declarações de Numeiro no Fly Podcast, gravado no Dubai, e a reação favorável de Liliana Aguiar nas redes sociais.
As palavras de Numeiro e o apoio de Liliana Aguiar
Durante a conversa no podcast, o criador de conteúdos contestou a divisão da conta de um jantar, invocando os gastos da mulher na preparação para o encontro. Terminou o argumento com uma expressão homofóbica.
“Eu acho que isso é completamente ridículo, né? Então uma mulher é capaz de passar 8 horas a decidir o que é que vai vestir e comprar se calhar um vestido novo, a maquilhar-se, a pensar como é que vai ter a melhor postura (…) e tu chegas a seguir e pedes-lhe 22,50 € pelo jantar? Se for preciso gastou 80 € em maquilhagem, no vestido e nos saltos e tudo, e tu agora pedes-lhe 22,50 € pelo jantar, meu? Isso é um paneleiro, não é um homem!”
Liliana Aguiar classificou a entrevista como “super interessante” e “educativa para alguns supostos homens”, a quem chamou “princesos”.
A antiga modelo defendeu depois a sua perspetiva: “Se houvesse mais homens como o Numeiro, mais educações como provavelmente os pais lhe deram, havia menos princesos e mais homens felizes, porque a verdade é que não é tudo sobre dinheiro, é sobre posicionamento, é sobre cavalheirismo. Não quer dizer que a mulher não possa trabalhar. A mulher não tem é que ter o peso de pagar as contas.”
“Não são inócuos e não são inofensivos”
No programa da SIC Caras, Filipa Torrinha Nunes começou por reagir à avaliação feita por Liliana Aguiar.
“Eu achei piada, só para preâmbulo, dizer que o Numeiro teve uma intervenção educativa e interessante, é tipo a piada do ano. Eu acho que isto fascina-me, é um nível que eu não estava à espera. Eu às vezes, juro-vos, isto não é por mal, mas às vezes eu fico cansada de ocupar o mesmo espaço físico que alguns pensamentos. Eu partilho o mesmo oxigénio que este tipo de ideologias e de pensamentos. Isto é tão simplesmente ignorante.”
A comentadora defendeu que a organização financeira de uma relação deve resultar da vontade das duas pessoas. Na sua análise, normalizar obrigações diferentes para homens e mulheres contribui para relações de poder desiguais.
“A violência doméstica não começa com a violência doméstica, começa muito antes com aquilo que é a cultura da violência doméstica. E como é que esta caminha é criada? Porque há este tipo de pensamentos [que] começam a ser normalizados, porque isto é uma assimetria de género que, quando é normalizada, faz parte de uma cultura onde temos números elevadíssimos de violência doméstica.”
Filipa Torrinha Nunes terminou sublinhando que não considera estas declarações meros comentários sem consequências.
“Os pensamentos deste género, de que o homem tem o dever de X e a mulher tem o dever de Y, não existem no vácuo, não existem sozinhos e não são inócuos e não são inofensivos. Eles são muito graves (…). Esta é que é a gravidade, é que estas coisinhas giras das redes sociais fazem parte de um conjunto de outros pensamentos e crenças que estão na base da violência doméstica.”
