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Hans Zimmer em Lisboa: não foi um concerto — foi um murro emocional na MEO Arena

Hans Zimmer em Lisboa: não foi um concerto — foi um murro emocional na MEO Arena, na noite de ontem.

Foto: Francisco Paraíso / MEO Arena

Uma sala cheia, mas sobretudo entregue

Há concertos que se esgotam. E depois há concertos que se sentem antes de começarem.

Hans Zimmer voltou a Lisboa e bastaram poucos dias para desaparecerem os bilhetes para as duas noites na MEO Arena. Esta terça-feira, 31 de março, confirmou-se aquilo que já se adivinhava: não era só expectativa, era quase devoção.

A digressão “The Next Level” passou pela capital com um espetáculo milimetricamente construído. Mas mais do que isso, trouxe algo difícil de explicar — uma ligação direta entre música e memória.

Quando a música não acompanha o filme — é o filme

Desde os primeiros minutos, percebeu-se que isto não era apenas revisitar bandas sonoras. Era reviver histórias.

“Dark Knight” abriu caminho com peso. Não foi só som. Foi tensão, quase física, a percorrer a arena.

Logo depois, “Dune” levou tudo para outro território. Mais abstrato, mais sensorial. Aquela sensação de que a música não está ali para acompanhar — está ali para comandar.

E é aqui que Zimmer se distingue. Não compõe para filmes. Constrói mundos.

Há momentos que ficam — e “Interstellar” foi um deles

A meio do concerto, houve um desses instantes raros.

“Interstellar” encheu a sala de uma forma quase esmagadora. O órgão não soava — ocupava espaço. E durante alguns minutos, a MEO Arena pareceu pequena para aquilo que estava a acontecer.

Não foi o momento mais ruidoso. Foi o mais sentido.

“Time” e aquele silêncio que só acontece quando tudo bate certo

Já no final, chegou “Time”. E com ele, aquele crescendo que se conhece… mas que nunca se sente da mesma forma.

A sala calou-se. Mesmo. Não por obrigação, mas porque ninguém quis estragar aquele instante.

E depois veio o aplauso. Longo, pesado, merecido.

Não foi só o fim de um concerto. Foi o fim de uma viagem.

Muito mais do que nostalgia: uma experiência total

Pelo meio, Zimmer foi soltando clássicos que dispensam apresentação. “Gladiator”, “Pearl Harbor” e “Piratas das Caraíbas” surgiram com uma força renovada.

Mas o que realmente elevou tudo foi a produção. A componente visual, a orquestra, o ritmo — tudo alinhado para criar uma experiência completa.

Não havia pausas mortas. Não havia distrações. Só imersão.

O alinhamento completo do espetáculo

ACT 1

— “Dark Knight”
— “Dune”
— “Man of Steel”
— “Hannibal”
— “Chevaliers”
— “Sherlock”
— “Gladiator”

ACT 2

— “Inception”
— “160BPM”
— “Pearl Harbor”
— “F1”
— “Dune Love”
— “Interstellar”
— “Africa”

ENCORE

— “Pirates”
— “Time”

Lisboa ainda não acabou — há mais uma noite

Esta quarta-feira, 1 de abril, a história repete-se. Ou melhor, continua.

Quem vai entrar na MEO Arena já sabe ao que vai. Mas, ao mesmo tempo, não sabe nada.

Porque com Hans Zimmer há uma certeza: pode-se conhecer cada nota… mas nunca se sente da mesma forma duas vezes.

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