Helena Sacadura Cabral publicou uma reflexão sobre os julgamentos precipitados e o sofrimento que as palavras podem provocar. Num texto partilhado no Facebook, a escritora pediu maior compreensão pelas dificuldades dos outros e lembrou que ninguém conhece inteiramente a história de quem julga.
“A arte de crucificar” dá título à reflexão
Sem identificar uma pessoa ou um episódio concreto, Helena Sacadura Cabral apresentou o texto com o título “A arte de crucificar”.
“Há muitas formas de crucificar alguém, sem sequer tocar no seu corpo. Às vezes, basta uma palavra maldosa, um julgamento precipitado, uma acusação injusta ou um olhar carregado de desprezo, para fazer alguém sofrer em silêncio”, começou por escrever.
A escritora questionou depois a facilidade com que se condenam decisões alheias, ignorando as circunstâncias em que foram tomadas.
“Vivemos num mundo em que muitas pessoas se sentem no direito de julgar a vida dos outros, apontar os seus erros e condenar as suas escolhas, como se fossem perfeitas e nunca tivessem falhado. Esquecem-se, claro, de que por detrás de cada rosto, existe uma história que desconhecem, feridas que não veem e batalhas que não imaginam.”
Um apelo à empatia antes da condenação
Helena Sacadura Cabral defendeu que ouvir e procurar compreender exige mais do que apontar erros a partir de fora.
“É fácil atirar pedras, quando não somos nós que estamos no centro da tempestade. É fácil condenar, quando não conhecemos a verdade por inteiro. Difícil é ter empatia, estender a mão, ouvir sem julgar e compreender que todos somos humanos, todos erramos e todos precisamos, em algum momento da vida, de compreensão e perdão.”
A reflexão prosseguiu com um apelo ao reconhecimento das próprias fragilidades.
“Antes de crucificar alguém com palavras, convém lembrar as próprias fragilidades”, escreveu.
“Antes de condenar uma história, procure conhecer os seus capítulos. E antes de apontar o dedo, olhe para dentro de si, porque ninguém é tão perfeito que tenha o direito de se considerar juiz da vida alheia. Já basta os que foram incumbidos de tal função!”
Escritora lembra consequências duradouras dos ataques
Na parte final da publicação, Helena Sacadura Cabral destacou a importância da humildade e da contenção.
“Que nunca nos falte humanidade para compreender, humildade para reconhecer os nossos próprios erros e sabedoria para perceber que, muitas vezes, o silêncio é mais nobre do que o julgamento.”
A escritora sublinhou ainda a diferença entre a rapidez de uma ofensa e o tempo durante o qual os seus efeitos podem permanecer.
“Porque destruir alguém com palavras pode levar apenas alguns segundos, mas as marcas deixadas no coração podem durar uma vida inteira.”
O texto terminou com um pedido para não acrescentar sofrimento a quem já atravessa dificuldades.
“Não crucifiquemos quem já tenta sobreviver às suas próprias dores. Sejamos abrigo, não tempestade; compreensão, não condenação. Afinal, o mundo já tem sofrimento suficiente para que sejamos nós a acrescentar-lhe mais.”
