Inês Aires Pereira defende filme de Ruben Alves: «Nem tudo o que é popular é pobre», afirmou nas redes sociais.
A atriz reagiu às críticas a «Santo António – O Casamenteiro de Lisboa» e questionou a desvalorização do cinema comercial. Para sustentar a sua posição, contou como os próprios pais voltaram ao cinema e se emocionaram.
Inês Aires Pereira saiu em defesa de «Santo António – O Casamenteiro de Lisboa», filme de Ruben Alves no qual participa, e contestou a ideia de que uma comédia perde valor por procurar chegar a um público alargado. Numa publicação nas redes sociais, esta segunda-feira, 12 de outubro, a atriz reconheceu a importância da crítica, mas defendeu que a capacidade de levar espectadores às salas também merece atenção.
“Num país onde o cinema português enfrenta tantas dificuldades, onde é tão difícil conseguir financiamento e levar espectadores às salas, aparece um realizador que consegue pôr milhares de portugueses a comprar bilhetes para ver um filme português. Isso merece ser celebrado, ou não?”, questionou.
O desabafo colocou no centro da discussão a relação entre o cinema nacional e o público, com a atriz a argumentar que o sucesso de uma produção popular pode ajudar a aproximar espectadores de outras propostas portuguesas.
«É uma comédia popular. E ainda bem!»
Inês Aires Pereira defendeu que o filme deve ser avaliado tendo em conta a proposta que apresenta. Na sua perspetiva, Ruben Alves assumiu desde o início o género e o público a que se dirigia.
“O filme do Ruben nunca tentou vender gato por lebre. Nunca se apresentou como uma obra-prima do cinema de autor. É uma comédia popular. E ainda bem!”, escreveu.
A atriz destacou os temas da solidão, das relações humanas e do amor, bem como a presença de Lisboa na narrativa. Ao descrever a experiência que a produção procura proporcionar, acrescentou: “Tem momentos absolutamente disparatados que nos fazem rir, momentos bonitos que nos fazem chorar, imagens lindíssimas de Lisboa e um elenco de atores extraordinários.”
Inês Aires Pereira contesta desvalorização de filmes populares
Uma das críticas mais diretas da atriz incidiu na associação entre acessibilidade e falta de qualidade. Inês rejeitou que fazer rir ou alcançar muitos espectadores deva ser entendido como uma limitação artística.
“Como se a acessibilidade fosse um defeito artístico. Como se fazer rir fosse uma coisa menor. Nem tudo o que é popular é pobre. E nem tudo o que é difícil é genial.”
Para a atriz, o cinema comercial e o cinema de autor podem coexistir e beneficiar da criação de hábitos de ida às salas. Uma comédia que leva alguém ao cinema pode, no seu entendimento, abrir caminho à descoberta de outros filmes e realizadores.
Experiência dos pais reforça defesa do cinema português
Inês Aires Pereira recorreu à própria família para ilustrar o argumento. Contou que os pais, que raramente vão ao cinema, assistiram a «Santo António – O Casamenteiro de Lisboa» e gostaram da experiência, tendo o pai chegado a emocionar-se.
Esse encontro com espectadores pouco habituados às salas foi um dos aspetos que quis valorizar na defesa do filme. Na passagem mais enfática da publicação, resumiu a sua satisfação com a receção da produção portuguesa: “F-se! É nosso! E está a ter sucesso!”*
