Inês Sá Frias recorda despedida do pai e perda de Trufa: “Foi o pior dia da minha vida”, afirmou na SIC.
No “Alta Definição”, da SIC, a atriz falou com Daniel Oliveira sobre dois lutos que marcaram a sua vida. Recordou o último telefonema do pai e o acidente que matou a sua cadela, de apenas nove meses.
Às quatro da manhã, depois da sua primeira saída à noite, Inês Sá Frias recebeu um telefonema do pai, que estava internado. Tinha 14 anos e ainda não conseguia reconhecer na insistência daquelas palavras uma despedida. Na entrevista a Daniel Oliveira, no “Alta Definição”, da SIC, a atriz recuperou essa conversa e falou também de outra perda que a obrigou a aprender a pedir ajuda.
A intérprete de “Páginas da Vida” distinguiu a experiência da doença prolongada do pai do choque provocado pela morte repentina de Trufa, a cadela com quem já imaginava partilhar muitos anos.
O telefonema que só mais tarde reconheceu como uma despedida
Ao recordar aquela madrugada, Inês Sá Frias reproduziu as palavras que ouviu do pai:
“Era o meu pai. Ele diz-me a seguinte frase: ‘Nunca te esqueças do quanto o pai te ama.’ E eu disse: ‘Eu sei.’ E ele: ‘Mas nunca te esqueças mesmo do quanto o pai te ama.’ Eu disse novamente ‘eu sei’ e que tinha que ir dormir. ‘Filha, nunca te esqueças do pai.’ Isto é claramente uma despedida.”
A distância dos anos permitiu-lhe compreender o significado de uma conversa que, naquela altura, não conseguiu encarar dessa forma.
“Aquela Inês ou não percebeu que era uma despedida, ou se calhar não quis acreditar. E fui dormir.”
Quatro horas depois, a mãe acordou-a para irem ao hospital. O pai estava a morrer, após um percurso de doença oncológica.
Os anos que imaginava viver com Trufa
Na mesma entrevista, a atriz falou da morte de Trufa, atropelada aos nove meses, a 16 de março do ano anterior. A ausência de qualquer preparação para a perda e o facto de ter presenciado o acidente marcaram profundamente a forma como viveu esse luto.
“A vida da minha cadelinha, ela morreu com 9 meses porque foi um acidente e eu tinha 14 anos planeados na minha cabeça com ela. Ela ia ser a primeira cadela dos meus filhos. Ela ia ser a minha cadela quando eu estivesse grávida. E de repente nada disso aconteceu. Como foi um acidente, foi do nada, eu nunca na vida sonhei que aquilo fosse acontecer e foi à minha frente e tudo.”
Inês Sá Frias descreveu a dimensão do choque através de uma comparação com a perda do pai:
“Foi muito gráfico, muito pesado, e foi o pior dia da minha vida. E eu vi o meu pai morto no hospital e eu estou aqui a dizer que este foi o pior dia da minha vida.”
A atriz recordou ainda a ligação que mantinha com o animal: “O amor que eu tinha pela Trufa era o maior amor que eu senti na minha vida inteira. E éramos as duas, éramos as duas contra o mundo. Ela ia comigo para todo lado, ela era perfeita e toda a gente que a conheceu a amava muito.”
A tentativa de conseguir ajuda
Inês Sá Frias contou que pegou imediatamente na cadela e tentou contactar assistência veterinária. Durante esses instantes, interpretou a diminuição do choro como um possível sinal de alívio.
“Ela passou a estrada, voltou para trás, precipitou-se comigo e veio um carro e o carro continuou. E ela começou a chorar muito, muito, muito alto. Começaram logo a vir os cães dos meus vizinhos e peguei logo nela assim, com a mão no peito dela. (…) Neste momento de estar ali à espera que alguém me atendesse, começo a reparar que ela começa a chorar menos. E eu penso, ufa, que bom, está-lhe a doer menos, está mais aliviada, já não está a chorar tanto, já está a passar. Isto foi tudo assim em segundos e depois ela para de chorar. É quando eu me começo a aperceber. Tenho a mão no peito dela e o coração… deixei de sentir o coração.”
Depois da morte de Trufa, recorreu aos amigos para a ajudarem a lidar com os passos seguintes. Essa necessidade de apoio alterou a autossuficiência com que procurava resolver as dificuldades.
“Bons amigos salvam vidas”
A atriz reconheceu que a experiência a levou a verbalizar o sofrimento e a aceitar a presença de outras pessoas:
“A verdade é que eu, que sempre fui muito armada em durona, e não preciso de ajuda de ninguém, não preciso que ninguém me safe em nada porque eu resolvo tudo na minha vida, quando foi a morte da Trufa foi quando eu comecei a dominar a arte de pedir ajuda. Estou muito mal, preciso de alguém, vem aqui comigo. (…) E é incrível como bons amigos salvam vidas.”
