Joana Figueira: “Eu não tenho muitos seguidores no Instagram, eu não tenho feitio para lamber botas…”, destacou.

Joana Figueira esteve, ontem, à conversa com Manuel Luís Goucha, na TVI, tendo abordado o seu afastamento da televisão, onde não tem trabalho há 10 anos.
“Não sou eu que decido se apareço ou se não apareço, também podia ser porque, a determinada altura, fui eu que, depois, me decidi afastar um bocado”, começou por dizer.
Lembrou que finalizou a sua participação no programa de Júlia Pinheiro, “As Tardes da Júlia”, em 2009, e que, depois, fez uma novela: “Com um papel já assim meio… aquilo era figuração para mim, para todos os efeitos. E, depois, deixei de ser chamada”.
“Eu não tenho muitos seguidores no Instagram, eu não tenho feitio para lamber botas… Acho que deve ser uma coisa que deve saber mal. Obviamente que não é toda a gente que está a trabalhar nesta área que o faz, mas eu não tenho feitio para determinadas coisas e, se existem muitas questões à volta desta minha profissão – estou a falar como atriz -, há muitas coisas com as quais não me identifico, nunca me identifiquei”, explicou.
“Sentia que, às vezes, engolia muitos sapos e fazia coisas que iam um bocadinho de encontro àquilo que eu acredito que deva ser, eu enquanto pessoa, enquanto profissional e aquilo que deve ser um ambiente de trabalho”, comentou.
Referiu não ter “dúvida nenhuma” do seu talento enquanto atriz.
“Cada vez mais, porque, depois, a idade também te dá alguma segurança. Eu sei que não tem a ver com o meu talento, eu estou seguríssima dele”, reforçou.
“Acho que, antigamente, beliscava-me mais quando havia paragens entre um trabalho e o outro. Às vezes, questionava-me”, recordou.
“A culpa não é minha, são os canais que perdem. Eu sou mesmo muito boa profissional”, disse, a rir.
Joana é também cuidadora da sua própria mãe.
“É muito duro. Ninguém nos prepara para isto”, começou por dizer.
“Eu já não tenho mãe. Eu é que sou mãe da minha mãe agora. É muito duro. Nós não estamos preparados para ser pais dos nossos pais”, disse, emocionada.
“É violento do ponto de vista emocional; físico foi horrível. Eu não tinha tempo para nada. Não dormia, eu quase não comia, porque ela necessitava mesmo de muita atenção… Trocar de roupa a toda a hora, pôr roupa a lavar, fazer comida, ir para a vila, andar de um lado para o outro tratar de questões burocráticas”, explicou.
Gostava de ter tido ajuda do Estado, mas não teve.
“Isto custou a minha saúde mental, a do meu pai. Não tenho dúvida nenhuma que a minha mãe teve a melhor cuidadora do mundo, foi tratada com todo o amor”, rematou.




