João Carreira defende manifestações pela habitação: “As pessoas não querem uma casa de graça”

João Carreira saiu em defesa dos manifestantes pelo direito à habitação e criticou os preços das casas e das rendas. Num vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira, 19 de outubro, o cabeleireiro rejeitou a ideia de que quem protesta pretende receber uma casa do Estado e recorreu ao exemplo do seu próprio apartamento para explicar a sua posição.

“Porque quem não se sente não é filho de boa gente”, começou por dizer, antes de explicar que ponderou se deveria pronunciar-se sobre o assunto.

“Eu pensei muito se vinha aqui abordar este tema com as minhas maravilhosas e maravilhosos também, e decidi que sim, que tenho mesmo de vir aqui falar sobre este assunto, porque tenho visto muita coisa na televisão, nas redes sociais e companhia limitada a falar sobre o tema da habitação.”

A posição que assumiu foi de apoio às reivindicações: “E é o seguinte: as pessoas estão cheias de razão. Tem toda a razão do mundo quem está efetivamente a reclamar o seu direito a ter uma habitação.”

“As pessoas não querem que o Estado lhes dê uma casa”

João Carreira considerou que parte das críticas aos protestos assenta numa interpretação errada do que os manifestantes pedem.

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“Agora, o que me faz muita confusão é que há pessoas que ainda não entenderam: as pessoas não querem uma casa de graça, as pessoas não querem que o Estado lhes dê uma casa. As pessoas querem que os preços das casas estejam de acordo com a realidade, porque estão a vender as casas muito acima do que é o valor delas. É logo o primeiro ponto.”

O cabeleireiro acrescentou uma segunda preocupação: “Segundo ponto: as rendas estão exorbitantes, entendem?”

Para desenvolver o argumento, recuperou a crise financeira de 2008, estabelecendo uma comparação pessoal com a situação atual do mercado imobiliário.

“E há aqui uma coisa… Vamos recuar lá atrás, a 2008, quando aconteceu aquela crise muito grande que começou nos Estados Unidos. Porque é que aquele banco foi à falência? Se a memória não me falha, foi porque o banco estava a avaliar imóveis a valores muito acima do que eles realmente valiam, ok?”

Sem identificar a instituição bancária, prosseguiu: “E é o que está a acontecer em Portugal e em toda a Europa neste exato momento. As coisas são vendidas a um preço que não é o valor delas. É um valor muito acima do que aquele imóvel vale, seja uma casa, um apartamento, uma loja, o que quer que seja, entendem?”

Apartamento próprio serve de exemplo

Na sua reflexão, João Carreira usou o imóvel onde vive para ilustrar a diferença que considera existir entre o preço de venda e o valor de uma casa.

“Eu tenho o apartamento onde vivo, que comprei por um valor que, atualmente, se o quiser vender, posso vendê-lo por quatro vezes aquele valor. Mas eu seria muito inconsciente se fosse vender o imóvel a quatro vezes o preço por que o comprei, porque ele não tem aquele valor, ele não vale aquele dinheiro.”

O cabeleireiro relacionou depois o problema com a desigualdade e com a responsabilidade de quem toma decisões.

“É isto que eu acho que faz muita falta a quem está a comandar este barco, não é? A culpa é de quem? É de que uns têm tudo e outros não têm nada. É a realidade da situação. Mas é impossível as pessoas ficarem indiferentes ao que está a acontecer no nosso país e em toda a Europa.”

Apelo ao debate e receio de conflitos

João Carreira referiu-se também ao caso de Mari Carmen, em Espanha, descrevendo-o como um exemplo doloroso das consequências de um despejo.

“O que aconteceu àquela senhora em Espanha? É uma vergonha. A senhora foi para o hospital porque foi despejada de casa e acabou por falecer, a Mari Carmen. É muito, muito triste.”

Na comparação que fez com os protestos noutros países, manifestou o receio de que possam ocorrer episódios de violência em Portugal.

“Graças a Deus, em Portugal não temos conflitos, não temos os atos de vandalismo que estão a acontecer lá fora. Não temos ainda, mas ainda podemos vir a ter, não é?”

Ressalvando que não fala enquanto especialista, defendeu a necessidade de discutir respostas para o problema.

“Portanto, eu não sou político, não sou especialista neste tema, mas temos de falar e de debater este assunto para que se encontrem soluções viáveis e para perceber efetivamente…”

O vídeo terminou com o anúncio de uma segunda intervenção sobre a habitação e uma despedida dirigida aos seguidores.

“E agora vou fazer um outro vídeo para continuar a falar deste tema. Portanto, esta é a primeira parte, vamos ter uma segunda parte. Procurem na página, que ele vai estar publicado já de seguida, está bem? Princesas lindas do meu coração, muitos beijinhos e até já.”

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