João Moura Caetano anuncia encerrona para o final da temporada

João Moura Caetano anuncia encerrona para o final da temporada, em que celebra os 20 anos de alternativa como cavaleiro tauromáquico.

Entrevista e Fotografia: Diogo Nora
Texto: Rui Lavrador

𝗝𝗼ã𝗼 𝗠𝗼𝘂𝗿𝗮 𝗖𝗮𝗲𝘁𝗮𝗻𝗼 𝗱𝗲𝗶𝘅𝗼𝘂 𝗮 𝗻𝗼𝘃𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗮𝗼 𝗜𝗻𝗳𝗼𝗰𝘂𝗹

João Moura Caetano anunciou, em declarações ao Infocul, que vai realizar uma encerrona de seis touros no final da temporada.

A revelação foi feita este domingo, na Moita, após a corrida integrada na Feira de Maio, onde o cavaleiro analisou as suas duas lides e falou também do momento que vive na temporada em que assinala 20 anos de alternativa.

Sem revelar ainda a praça escolhida, Moura Caetano confirmou que o desafio está previsto para o final da época. A data e o local serão conhecidos mais tarde.

Questionado sobre o balanço dos 20 anos de alternativa e sobre os projectos que tem pela frente, o cavaleiro deixou primeiro uma nota de gratidão.

“Olha, o balanço é muito feliz pelo que tenho conseguido. E agradecido a todo o público pelo apoio que me tem dado nos momentos bons e maus.”

Depois, avançou com a dimensão da temporada que tem em curso. Segundo João Moura Caetano, o calendário já está bastante preenchido.

“Esta é uma temporada em que já temos 40 e muitas corridas contratadas. Vamos tentar. É muito difícil hoje em dia, mas vamos tentar chegar às 50.”

Foi de seguida que surgiu a notícia principal.

“E posso adiantar, em primeira mão, que vai haver uma encerrona no final da temporada de 6 touros. Depois, a seu tempo, saberemos onde.”

𝗨𝗺 𝗱𝗲𝘀𝗮𝗳𝗶𝗼 𝗱𝗲 𝗽𝗲𝘀𝗼 𝗻𝘂𝗺 𝗮𝗻𝗼 𝗲𝘀𝗽𝗲𝗰𝗶𝗮𝗹

A encerrona surge num momento particularmente simbólico para João Moura Caetano. O cavaleiro cumpre duas décadas de alternativa e prepara uma temporada que, pelas suas palavras, poderá aproximar-se das 50 corridas.

Num contexto taurino em que esse número se torna cada vez mais difícil de atingir, o anúncio ganha relevância. Não se trata apenas de mais uma data no calendário. Uma encerrona de seis touros exige preparação, fundo, confiança e capacidade para assumir a tarde por inteiro.

Além disso, a revelação feita ao Infocul coloca a temporada de Moura Caetano num patamar de maior expectativa. O cavaleiro não adiantou ainda onde será realizada a corrida, mas confirmou que o objectivo está definido.

A encerrona será, por isso, um dos pontos altos do seu ano tauromáquico.

𝗔 𝗠𝗼𝗶𝘁𝗮 𝘀𝗲𝗿𝘃𝗶𝘂 𝗱𝗲 𝗽𝗼𝗻𝘁𝗼 𝗱𝗲 𝗽𝗮𝗿𝘁𝗶𝗱𝗮 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗼 𝗮𝗻ú𝗻𝗰𝗶𝗼

Antes de falar do futuro, João Moura Caetano fez também o balanço das duas lides na Moita. O cavaleiro considerou que enfrentou dois touros distintos e com dificuldades próprias.

Sobre a tarde, começou por explicar que teve de adaptar o seu toureio às condições apresentadas pelos animais.

“Olha, uma tarde com dois touros com teclas, touros diferentes. O primeiro, um touro com muito trapio, que começou ali de bem e depois arrastou-se, foi para tábuas. Teve momentos que me deixou estar a gosto, depois foi para as tábuas e tive que tirar outro tipo de toureio aí para lhe dar a volta.”

Ainda assim, o primeiro touro acabou por lhe dar interesse do ponto de vista técnico.

“Depois, foi um touro que me deu o gozo andar com ele, em termos técnicos.”

Já sobre o segundo, Moura Caetano destacou uma dificuldade concreta: a falta de galope após os ferros.

“O segundo era um touro com umas teclas complicadas porque, a seguir ao ferro, não tinha galope. Ou andava à carga ou estava parado.”

O cavaleiro referiu ainda que o piso condicionou a forma como podia lidar.

“E depois, com o piso um bocadinho duro, nós não podemos largar os cavalos completamente. Tinha que ir sempre apoiado e então ele deu-me ali o que fazer a seguir ao ferro.”

𝗖𝗮𝗺𝗽𝗼 𝗣𝗲𝗾𝘂𝗲𝗻𝗼 𝗲 𝗚𝗮𝗹𝗹𝗼 𝗮𝗷𝘂𝗱𝗮𝗿𝗮𝗺 𝗮 𝗿𝗲𝘀𝗼𝗹𝘃𝗲𝗿 𝗮 𝗹𝗶𝗱𝗲

Na análise à segunda atuação, João Moura Caetano destacou os cavalos Campo Pequeno e Gallo, que tiveram funções diferentes na lide.

Sobre Campo Pequeno, explicou que não era o touro ideal para as suas características, mas valorizou a resposta no momento da cravagem.

“Olha, o Campo Pequeno é um cavalo que gosta de tourear devagarinho. Portanto, é o contrário deste touro. Mas, no momento do ferro esteve muito bem.”

E acrescentou:

“Acho que bateu no sítio certo e arqueou-se com os três ferros bons. Eu, por trás, gosto de lidar e de ladear e de fazer coisas bonitas aos touros. E este não permitia esse tipo de toureio aí.”

Ainda assim, o cavalo conseguiu resolver.

“Mas ele, como é tão bom, conseguiu resolver a papeleta na mesma.”

Sobre Gallo, Moura Caetano foi igualmente claro.

“O Gallo é um cavalo mais de luta, mais de poder contra os difíceis. E depois, quando entrou, o touro também já estava no bolso. E teve uma vida mais facilitada.”

No final, o cavaleiro fez um balanço positivo da tarde.

“E no final, pudemos com ele, eu e a quadrilha. Portanto, acho que foi uma tarde positiva.”

𝗨𝗺 𝗮𝗻ú𝗻𝗰𝗶𝗼 𝗾𝘂𝗲 𝗺𝗮𝗿𝗰𝗮 𝗮 𝘁𝗲𝗺𝗽𝗼𝗿𝗮𝗱𝗮

A notícia da encerrona de seis touros passa a ser o grande ponto de interesse no percurso de João Moura Caetano esta temporada.

O cavaleiro atravessa um ano de forte actividade, com dezenas de corridas contratadas e a ambição de chegar às 50 atuações. Nesse contexto, uma encerrona no final da época surge como afirmação de responsabilidade e de ambição.

Para já, falta saber a praça, a data e os detalhes do cartel. Mas a confirmação está feita.

João Moura Caetano vai enfrentar seis touros no final da temporada. E, no ano dos 20 anos de alternativa, esse anúncio dá ao seu percurso uma leitura ainda mais forte.

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Rui Lavrador
Rui Lavradorhttp://www.infocul.pt
Jornalista e Director Infocul.pt

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