João Moura Caetano com filha nos braços e lágrimas no rosto: a surpresa que marcou a encerrona no Redondo, na tarde de ontem.
Entrevista e Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Carlos Pedroso
João Moura Caetano terminou a encerrona no Coliseu do Redondo com a filha bebé nos braços e sem conseguir conter as lágrimas. Depois de enfrentar seis touros em solitário, o cavaleiro encontrou na última volta à arena uma surpresa que tornou a tarde de 5 de outubro ainda mais pessoal: Luíza Abreu tinha levado Maria Guiomar para acompanhar o pai.
Não contava vê-las na praça. A namorada tinha-lhe dito que ficaria em casa com a bebé, mas acabou por aparecer no coliseu. Após a lide do sexto touro, Moura Caetano deu a volta à arena com a filha ao colo, num momento em que a emoção se sobrepôs à contenção com que habitualmente se apresenta.
Pouco depois de sair da praça, em entrevista a Rui Lavrador, explicou o que sentiu.
“Não me aguentei, mas foi de felicidade”
Confrontado com as lágrimas na última volta, o cavaleiro reconheceu que não é habitual mostrar daquela forma o que lhe vai por dentro.
“Tu conheces-me bem, Rui, e sabes que nunca me acontece, mas hoje aconteceu-me por todo o entorno, por ver a minha família toda reunida”, afirmou.
A presença inesperada de Maria Guiomar teve um peso especial nesse momento.
“Eu também não estava à espera que a Maria Guiomar viesse, porque é muito pequenina, e a Luíza disse-me que ficava em casa”, contou.
Ao vê-las, a emoção acumulada ao longo da tarde acabou por se tornar visível. “Não me aguentei, mas foi de felicidade, graças a Deus”, confessou.
Sobre a forma como a paternidade o toca, deixou uma observação breve: “Quando se tem filhos é complicado.”
Três gerações juntas na arena
A família já tinha protagonizado outro dos momentos da encerrona. Após a lide do terceiro touro, João Moura Caetano deu a volta à arena acompanhado pelo pai, Paulo Caetano, que também participou nessa lide, e pelo filho mais velho, António.
Avô, pai e filho partilharam, assim, uma volta que reuniu três gerações da família. Mais tarde, foi a vez de Maria Guiomar estar nos braços do cavaleiro, no final do sexto touro.
Na entrevista, Moura Caetano associou a emoção à presença de todos e à importância pessoal de uma tarde em que assumiu sozinho a responsabilidade de enfrentar seis touros, contando com a participação especial do pai.
“Uma tarde que vai marcar a minha memória para sempre”
No balanço da encerrona, o cavaleiro reconheceu a exigência do compromisso e mostrou-se satisfeito com o que conseguiu realizar.
“É exigente tourear seis touros, sejam eles quais forem, mas no final valeu a pena”, afirmou.
A dimensão artística da tarde e os momentos vividos com a família ficaram ligados na avaliação que fez à saída da praça: “Acho que foi uma tarde, pelo menos, que vai marcar a minha memória para sempre.”
Antes de responder sobre o espetáculo, Moura Caetano quis também deixar um agradecimento pelo acompanhamento do seu percurso.
“Primeiro que tudo, agradecer-lhe, Rui, porque você, com a sua escrita nestes últimos anos, fez-me inspirar muitas vezes”, disse, acrescentando que pretendia “também agradecer-lhe a sua inspiração muitas das vezes”.
Sobre a encerrona, escolheu uma expressão para resumir o significado que lhe atribuiu: “Acho que foi a cereja no topo do bolo.”

