Jorge Jesus explica saída de Ronaldo e banco de João Neves; Cancelo revela o que já mudou na Seleção com JJ no comando.
A primeira vitória de Jorge Jesus enquanto selecionador nacional deixou, para além do 1-0 sobre o País de Gales, várias decisões para explicar. Cristiano Ronaldo saiu ainda com cerca de 25 minutos para jogar, João Neves começou no banco e Nuno Mendes acabou substituído depois de uma exibição de grande desgaste físico.
No final, Jesus abriu o jogo sobre as três opções e João Cancelo explicou aquilo que o grupo já sente de diferente relativamente ao ciclo de Roberto Martínez.
Ronaldo saiu para Portugal pressionar mais
A substituição de Cristiano Ronaldo por Gonçalo Ramos não estava previamente programada. Jorge Jesus garantiu que foi uma decisão provocada pela evolução do encontro.
Com o País de Gales a procurar sair desde trás e Portugal a querer continuar a pressionar alto, o selecionador sentiu que precisava de maior velocidade na primeira linha.
Jesus explicou ao Canal 11 que Ronaldo já não estava a conseguir exercer a pressão que pretendia e que Gonçalo Ramos poderia oferecer outra disponibilidade defensiva. Resumiu a ideia dizendo que precisava de alguém “fresquinho para pressionar a saída de bola”.
O selecionador reconheceu que a troca retirava alguma qualidade técnica ao ataque, mas privilegiou naquele momento a capacidade de impedir uma construção confortável dos galeses.
Cristiano Ronaldo reagiu mais tarde nas redes sociais à vitória, sem qualquer referência à substituição. O capitão escreveu apenas: “Primeiro passo dado. Vamos, Portugal!”
João Neves tinha apresentado queixas
A ausência de João Neves do onze também foi explicada após o encontro.
Jesus revelou que o médio apresentou algum desconforto no treino realizado na véspera e, por esse motivo, preferiu não arriscar a sua utilização desde o primeiro minuto. João Neves acabou por ser lançado durante a segunda parte.
Nuno Mendes levantou outra preocupação. O lateral saiu aparentemente esgotado e Jesus acredita que a causa terá sido essencialmente física.
A explicação levou-o a estabelecer uma diferença entre aquilo que pede ao jogador e as funções que Luis Enrique lhe atribui no Paris Saint-Germain.
Jesus quer um Nuno Mendes com liberdade para atacar e garantiu: “Não posso tirar-lhe a criatividade.”
O selecionador coloca Vitinha no mesmo princípio: jogadores com capacidade para desequilibrar não devem, na sua perspetiva, ficar excessivamente presos a funções posicionais.
Cancelo aponta diferença para Roberto Martínez
João Cancelo foi um dos jogadores que mais claramente colocou em palavras aquilo que mudou nos primeiros dias com Jorge Jesus.
O lateral explicou à Sport TV que a pressão alta, particularmente nos pontapés de baliza adversários, ganhou outra importância. Para Cancelo, esta é uma das diferenças mais visíveis relativamente à abordagem de Roberto Martínez.
O internacional português reconhece que três treinos são insuficientes para executar todas as ideias do novo selecionador, mas identifica já um futebol mais orientado para atacar.
Cancelo classificou a proposta como “um futebol de ataque, atrativo” e admitiu identificar-se com essa forma de jogar.
Também deixou uma mensagem sobre o último Mundial. Portugal ficou aquém daquilo que o grupo esperava e Cancelo assumiu que os jogadores se sentiram uma “deceção no Mundial”, considerando que existia qualidade para chegar mais longe.
Quanto a Cristiano Ronaldo, o lateral continua a vê-lo como uma figura central do grupo, sublinhando o peso do capitão no balneário e a ajuda que presta aos restantes internacionais.
A estreia de Jesus terminou com três pontos. As declarações posteriores mostraram, contudo, que o novo selecionador está já a mexer em detalhes que vão para além do onze: pressão, liberdade dos laterais, gestão física e funções diferentes para jogadores que transitam do ciclo anterior.
