Jorge Jesus mantém posição sobre estatutos na Seleção: “As regras são iguais para todos”

Jorge Jesus mantém posição sobre estatutos na Seleção: “As regras são iguais para todos”, afirmou o selecionador.

Jorge Jesus não recuou na distinção entre o estatuto dos jogadores e as regras da Seleção Nacional. Depois da vitória por 4-2 sobre a Dinamarca, esta quinta-feira, 1 de outubro, o treinador garantiu que não se arrepende do que disse e preferiu centrar o balanço na exibição portuguesa, que considerou a melhor desde que assumiu o cargo.

Na conferência de imprensa em Copenhaga, as perguntas sobre Cristiano Ronaldo cruzaram-se com a análise ao jogo, os festejos junto dos adeptos e a confiança do grupo nas ideias do selecionador.

“Não me arrependo e continuo a pensar da mesma maneira”

Questionado sobre se lamentava ter falado em estatutos diferentes dentro da seleção, Jesus foi categórico.

“Nada, zero. Não me arrependo e continuo a pensar da mesma maneira. Há jogadores com estatuto. É claro como água, mas volto a dizer: as regras são iguais para todos. Sempre pensei assim e tenho de continuar a pensar”, afirmou.

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O treinador não revelou o que Ronaldo lhe disse antes de deixar a concentração. Em resposta a essa pergunta, destacou o resultado alcançado no Parken.

“Foi uma vitória com muita qualidade. Quatro golos, uma exibição, na minha opinião, a um nível alto e isso não pode passar em claro. É mais importante do que tudo isso que aconteceu. É no jogo que me quero focar. Neste jogo e no próximo, no Dragão, regressando a Portugal com o nosso povo, que vai lotar o estádio, certamente. Isso é o mais importante para mim”, declarou.

Ataque posicional e confiança para assumir riscos

Jesus relacionou a evolução da equipa com o tempo de trabalho e a experiência dos jogadores, sublinhando a confiança coletiva no modelo que está a implementar.

“Eles acreditam no que fazem. O mais importante é que a equipa acredita coletivamente no que faz. Foi o melhor jogo dos três, a meu ver. Também é normal, são mais alguns treinos em que a equipa já conseguiu fazer mais momentos do jogo”, analisou.

O selecionador utilizou dois golos para explicar as diferenças entre os processos ofensivos.

“Trabalhei o ataque posicional, hoje viu-se o golo do Gonçalo, uma jogada fantástica de ataque posicional. O do João [Félix] foi mais no contragolpe, mais fácil. Mas a ideia é o que desenvolvemos nestes dois dias, na repetição do ataque posicional”, explicou.

A avaliação estendeu-se às restantes fases do jogo: “O futebol não se ganha só porque tens bom ataque posicional. É importante conheceres os cinco momentos do jogo. Contra equipas fisicamente mais poderosas a equipa está a dar boas respostas na bola parada defensiva. Isso faz com que estejamos mais perto da vitória. E fizemos golos de grande qualidade”.

A conversa com Bruno Fernandes ao intervalo

Bruno Fernandes mereceu uma análise individual, com Jesus a revelar que lhe pediu maior influência no jogo durante o intervalo.

“Acho que o Bruno Fernandes fez uma segunda parte melhor do que a primeira. Ao intervalo, disse-lhe que a equipa precisava mais do jogo dele. Exijo muito aos jogadores daquela posição. Se algumas coisas não estão a acontecer, digo-lhes que têm de fazer mais isto e aquilo”, contou.

O técnico reproduziu ainda a mensagem transmitida ao médio: “Disse-lhe: ‘Se não fizeres, o jogo não vai sair tão perfeito.’ Esteve melhor, faz um passe telecomandado para o Vitinha. E esteve melhor naquele espaço que parece que não é de ninguém, mas quem sabe andar lá tem muita importância. Esteve muito bem na segunda parte”.

Sobre a possibilidade de a exibição representar uma mensagem do grupo, Jesus fixou-se no futebol apresentado.

“É uma mensagem de qualidade. Essa é que é a mensagem que quero que a equipa dê. Uma mensagem de qualidade, de conhecimento do que se faz. Uma equipa que não tem medo de arriscar a defender. Jogamos no meio-campo adversário, a equipa aceita o risco, confia no que está a fazer. É o mais importante e os jogadores gostam desta ideia, deste risco. São jogadores com muita qualidade”, afirmou.

“Tenho um grupo que acredita”

Antes da conferência de imprensa, na entrevista rápida à RTP, o selecionador já tinha destacado a vitória e a pressão exercida sobre a Dinamarca.

“O que gostei mais foi a vitória, como é evidente. Depois do jogo fazemos análises e temos vindo a melhorar. O que gostei mais… Não sei quantas equipas vieram aqui ganhar 4-2 nos últimos anos. A esta Dinamarca, não à de há 15 anos. Depois gostei do pressing, também gostei muito. O Hjulmand deu os parabéns a dizer que Portugal joga muito”, revelou.

À pergunta sobre se sentia ter o grupo “na mão”, respondeu: “Grupo na mão? Não sei, acho que sim, mas não sei responder. Tenho um grupo que acredita e por isso as coisas são mais fáceis. Se acha que isso é ter o grupo na mão, então tenho o grupo na mão”.

Jesus afastou também dificuldades em concentrar-se no trabalho.

“Até para o jogo que vem a seguir no Dragão, tenho de estar focado no jogo. Depois, logo se vê o resto… Difícil de me focar? Difícil era se não soubesse o que se passa ali dentro. Tenho de me focar é em treinar os jogadores”, disse à RTP.

Dos festejos com Ronaldo ao apoio dos emigrantes

Confrontado com relatos de assobios, Jesus afirmou não os ter ouvido entre os apoiantes portugueses.

“Não ouvi assobios dos adeptos portugueses. E estive lá perto deles. Dos portugueses, não ouvi nada disso. Mas pronto. O importante depois de uma vitória, e mesmo quando não ganhas, é respeitar os adeptos. É importante para poderem estar ligados à Seleção”, declarou.

O treinador associou essa ligação à sua própria experiência no estrangeiro: “Eu, nestes últimos seis ou sete anos, fui emigrante. Ao seres emigrante não és mais português, mas tens mais sentimento. Estas pessoas identificam-se com a nossa bandeira e o nosso País. Dá-se valor a isso”.

Sobre a aproximação à bancada no final do jogo, recordou outros momentos da carreira, incluindo os que partilhou com Ronaldo.

“Se vocês olharem para o meu passado como treinador, fazia a mesma coisa nas outras equipas. No Al Nassr fazia a mesma coisa. Quando ganhava, até bombo tocava, com o Cris. A minha aproximação aos adeptos é total, mas Portugal é diferente”, afirmou.

“Gostava que o País estivesse comigo”

Jesus mostrou satisfação com a imagem deixada pela equipa: “Acho que vocês [jornalistas] estão super felizes por Portugal ter demonstrado qualidade de jogo e por ser uma equipa com maturidade e ideias de risco, convencida de que é capaz de pô-las em prática no jogo. A vida de um treinador é isto: vitória. Ganhar. É a vida de treinador”.

Já sobre o apoio do país, admitiu não ter uma resposta.

“Sei lá se tenho o País comigo… Isso não sei, mas gostava que estivesse. Vamos jogar ao Dragão com a Noruega. Também será importante uma vitória, jogar bem e estarmos com os nossos adeptos, com orgulho da Seleção e do jogo que possa fazer… Por muitas voltas que queiramos dar, a vitória é que garante a tua qualidade. Passe o que se passar pelo meio, vai dar sempre ao mesmo”, concluiu.

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