Jorge Jesus prepara mudanças frente à Noruega e reconhece: “Poderia estar mais feliz”, afirmou o seleccionador nacional.
O selecionador destacou a vitória na Dinamarca, mas admitiu que lhe faltou algo para uma satisfação completa. Antes do jogo no Dragão, reafirmou a importância de Ronaldo e anunciou alterações para gerir o desgaste dos jogadores.
Jorge Jesus quer aproximar Portugal do apuramento para os quartos de final da Liga das Nações e prepara alterações na equipa para a receção à Noruega, este domingo, 4 de outubro, às 19h45, no Estádio do Dragão.
Na antevisão ao encontro, o selecionador alertou para o desgaste acumulado ao longo dos três jogos anteriores e defendeu que Portugal ainda tem uma margem significativa para evoluir, apesar do triunfo por 4-2 na Dinamarca.
“O que quero é que possamos ganhar para praticamente estarmos qualificados para os quartos de final. Se conseguirmos fazer o que fizemos com a Dinamarca, com momentos com muita qualidade… era aquilo que queria mais, mas nem sempre no futebol o que queremos conseguimos. Gostava que Portugal ganhasse. Que no nosso país ficasse com o carimbo da qualificação”, afirmou.
Gestão física obriga a mexer na equipa
A proximidade entre os jogos condiciona as escolhas. Jesus explicou que alguns dos futebolistas mais utilizados começam a exigir cuidados adicionais.
“Temos feito 4 alterações, tudo depende das condições dos jogadores. Vamos para o quarto jogo. Os jogadores que jogam mais minutos começam a estar no risco da lesão. Amanhã, vamos mudar alguns jogadores mais carregados. O Félix recuperou, acho que recuperou… ainda temos que fazer um treino”, declarou.
Sobre Pedro Neto, reconheceu o rendimento apresentado, mas voltou a chamar a atenção para o esforço acumulado.
“Nestes 3 jogos, deu indicações. Perdemos o Conceição e, portanto, isso também lhe deu alguma vantagem. Mas amanhã é o quarto jogo e as campaínhas já tocam nele”, observou.
Renato Veiga entre os jogadores a avaliar
Já em declarações à RTP, depois da conferência de imprensa, o treinador explicou que a defesa também seria avaliada no treino.
“Temos dois jogadores mais carregados atrás, principalmente o Renato Veiga, vamos ver o treino de hoje que é fundamental para tomar decisões. Se tudo estiver normal, não vou mexer lá atrás, mas não posso dar certeza sem saber o que será o treino hoje”, afirmou.
A possibilidade de manter o setor defensivo ficou, assim, dependente da resposta física dos jogadores, numa altura em que o selecionador procura equilibrar continuidade e gestão do esforço.
Noruega traz dimensão física e qualidade técnica
Jesus colocou a seleção norueguesa entre as cinco melhores da Europa, na sua avaliação, e explicou que o adversário reúne argumentos que vão além da força física.
“A estatística são factos. A Noruega é uma equipa com muita qualidade. Eu já disse isto aos meus jogadores. Apareciam em Portugal jogadores altos, grandes, mas não tinham muita qualidade técnica. Hoje em dia não. Têm técnica. Vamos jogar para ganhar, não vamos mudar as nossas ideias”, garantiu.
O treinador identificou diferenças entre as duas equipas que pretende explorar.
“Temos vantagens numas coisas e desvantagens noutros momentos. A questão física, aí perdemos. Têm 5 jogadores entre 1,90m e 1,88m. Mas temos vantagens, não somos tão grandes mas somos rápidos. Os nossos médios são todos jogadores com 1,70m, mas com bola nos pés é difícil pará-los. Tentar que isso entre dentro do jogo. O treinador da Noruega já viu o filme do primeiro jogo”, disse.
Travar Haaland começa antes de a bola lhe chegar
Questionado sobre Erling Haaland, Jorge Jesus explicou que a resposta passa por limitar o abastecimento ao avançado e preparar os duelos individuais.
“É um problema que o treinador tem que ter. Tentamos que sejam as duas coisas. Parar o jogo para que não chegue ao Haaland e quando a bola lá chegar, no um contra um, que o defesa seja tão forte como ele”, afirmou.
Sobre a vitória portuguesa no primeiro encontro com a Noruega, destacou o trabalho estratégico, sem revelar os pormenores.
“Aquilo que identificámos como estratégia foi fechar alguns momentos, não vou dizer quais. Três ou quatro momentos com bola e conseguimos fazer, por isso é que conseguimos vencer”, explicou.
O selecionador foi ainda questionado sobre um episódio entre Bernardo Silva e Martin Ødegaard nesse jogo. “Não sei o que aconteceu entre o Bernardo Silva e o jogador da Noruega. Não me apercebi. O Odegaard jogou no jogo seguinte, é porque não houve problema nenhum”, respondeu.
Equipa ainda tem “muito mais para crescer”
Apesar da satisfação com a exibição em Copenhaga, Jesus considera que o processo de construção da equipa está longe de estar concluído.
“Não estamos tão aperfeiçoados em relação a todos os momentos do jogo, não houve tempo e eu tive de escolher o que pudesse trabalhar mais tempo no curto período de treino. Defensivamente isso foi atingido, depois passamos para a fase ofensiva, de ataque posicional, mas temos margem muito grande para crescer em todos os períodos de jogo, às vezes não estamos tão bem, como é normal”, explicou à RTP.
“Às vezes jogadores têm de saber identificar isso no momento. É um processo muito longo para crescer. Disse isso aos jogadores hoje, que na Dinamarca estivemos num plano alto mas temos muito mais para crescer”, acrescentou.
“Ronaldo é um símbolo de Portugal”
A possível reconciliação com Cristiano Ronaldo voltou a ser abordada pelos jornalistas. Jesus não antecipou o desfecho, mas reafirmou o reconhecimento pelo avançado.
“O foco tem de ser a Seleção, o jogo com a Noruega, o que temos de fazer bem, em sintonia com o nosso povo. Mas isso não me faz ignorar o Cris. É um símbolo da Seleção portuguesa, é um símbolo de Portugal, que isso fique bem claro. Depois do jogo, há tempo para falar sobre isso”, afirmou.
Perante novas perguntas, manteve a prioridade no encontro: “Vou-me focar na equipa, no adversário que é a Noruega, é uma das cinco melhores equipas da Europa. Esse é o problema neste momento. Depois há tempo para analisar o que acontecer a partir daqui”.
Apoio dos adeptos deve ser dirigido à Seleção
Sobre o acolhimento que espera encontrar no Dragão, Jorge Jesus defendeu que a atenção deve estar na equipa.
“O carinho que procuro e gostava não passa do símbolo da seleção. O carinho é para a equipa e não para mim. Eu faço parte de uma equipa, sou o comandante. Esse afeto que os adeptos têm pelo país. Antes de ser selecionador também era adepto da seleção ferrenho e doido. Olhava para o país. Não quero estar à parte de nada da Seleção”, declarou.
O treinador recusou também projetar as consequências da polémica até ao Mundial de 2030: “Não me vou desviar… já estamos a ir para 2030. O futebol é dia a dia, jogo a jogo. O jogo amanhã é o mais importante. Um jogo que se espera bem jogado. É para aí que eu quero ir. O problema neste momento chama-se Noruega”.
“Faltava-me uma coisa e essa fica no meu coração”
Ao fazer o balanço dos últimos dias, Jesus admitiu que o resultado na Dinamarca não lhe trouxe uma satisfação completa.
“Por muito que possa dizer que a vitória na Dinamarca me encheu de orgulho como treinador, por aquilo que os meus jogadores fizeram, mas também posso dizer que, quando acabou o jogo, fiquei feliz mas poderia estar mais feliz”, afirmou.
Mais tarde, à RTP, voltou à ideia, sem explicar concretamente o que lhe faltou.
“Não vamos focar outra vez no mesmo assunto, vamos falar do jogo. A minha felicidade é quando ela se completa com a felicidade da equipa, dos portugueses e de todos. Portugal estava super feliz, jogadores super felizes, eu também estava, mas faltava-me uma coisa e essa fica no meu coração”, concluiu.
