Manuel João Vieira explica os 60 mil votos e aponta ao «absurdo» de Trump

Manuel João Vieira explica os 60 mil votos e aponta ao «absurdo» de Trump, em entrevista no Alta Definição.

O músico acredita que a adesão ao Candidato Vieira também revela a importância do humor perante a crescente simplificação do discurso político.

Manuel João Vieira levou a sua personagem política até às eleições presidenciais de 2026 e conseguiu mais de 60 mil votos. Entrevistado por Daniel Oliveira no «Alta Definição», o artista procurou explicar o resultado alcançado pelo Candidato Vieira e enquadrou-o no atual cenário político internacional.

Para o músico, parte do eleitorado percebeu que poderia votar de forma descontraída, sem o receio de contribuir para uma vitória de André Ventura.

«Diz, por um lado, que as pessoas não achavam que fosse possível que o Ventura ganhasse. Eu acho que as pessoas perceberam que ia ganhar o candidato do meio, que era o Seguro, e portanto não tiveram a votar com receio, pelo menos essas pessoas. Por outro lado, desde 2001 que existe no mundo uma onda de presidentes e candidatos a presidentes que estão a colocar a fatia do absurdo cada vez mais alta», afirmou.

A política e a caricatura confundem-se

Manuel João Vieira considera que algumas figuras políticas apresentam soluções simples para problemas complexos, aproximando-se de personagens que poderiam ter sido criadas para uma caricatura.

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«As pessoas vão pelo absurdo quando o absurdo lhes é dado como uma solução fácil e uma resposta fácil ao extremamente complexo mundo em que vivemos. Temos o presidente Trump como o mais óbvio dos presidentes, mas há outros, o presidente da Argentina, etc., que são personagens de caricatura», explicou.

É nesse cenário que coloca o Candidato Vieira, embora destaque a intenção assumidamente humorística da personagem: «E o Candidato Vieira também é uma personagem de caricatura, só que a caricatura do Candidato Vieira põe as coisas num patamar tão absurdo que entra no domínio da ironia e do humor».

«Todos prometem, eu prometo mais»

Conhecido por propostas como a criação de vinho canalizado, Manuel João Vieira defendeu que o humor pode despertar o eleitorado e funcionar como uma ferramenta de resistência perante determinados discursos políticos.

«Eu acho que nos acorda também. E acho que o humor na política é essencial, acaba por ser saudável e acaba por ser uma arma contra a estupidez propriamente dita. E acho que foi por aí que houve votação no Candidato Vieira (…) Todos prometem, eu prometo mais. É uma coisa que ninguém diz, mas que é um facto que se passa na política», considerou.

Apesar do caráter satírico da candidatura, o artista mostrou-se satisfeito por ter conseguido, desta vez, cumprir todos os requisitos para entrar formalmente na corrida eleitoral.

«Consegui dar a volta e ser relativamente sério a dizer disparates. De qualquer maneira, fiz uma coisa que não tinha feito antes, que é conseguir ser efetivamente candidato. Fiquei contente de ter dado esse passo», concluiu.

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