Marco Silva assume erros do Benfica e responde a Farioli: “Aqui consegue-se condicionar árbitros”, afirmou o treinador.
Marco Silva não procurou desculpas para a derrota do Benfica no Dragão. Depois do 3-1 frente ao FC Porto, o treinador encarnado começou por olhar para dentro, responsabilizou a própria equipa pelos momentos em que perdeu o controlo do clássico e só depois entrou no tema que já vinha a marcar os dias anteriores ao jogo: a arbitragem.
O técnico foi claro na leitura do resultado.
“Fomos nós que perdemos o jogo. A culpa é nossa.”
A expulsão de Clément Lenglet, ainda durante a primeira parte, mudou naturalmente o contexto da partida. Mesmo assim, Marco Silva não quis usar esse momento para retirar responsabilidade à equipa e apontou sobretudo à forma como o Benfica reagiu depois de conseguir chegar ao 1-1 já em inferioridade numérica.
“Temos de ser mais maduros”
O Benfica conseguiu empatar no início da segunda parte, através de Alexander Bah, mas praticamente não teve tempo para estabilizar o jogo. Froholdt recolocou o FC Porto na frente e Hwang aumentou pouco depois para 3-1.
Foi precisamente nessa sequência que Marco Silva encontrou um dos maiores problemas da noite.
“Temos de ser mais maduros.”
A mensagem do treinador foi dirigida à gestão emocional e competitiva dos momentos imediatamente posteriores ao empate, numa altura em que o Benfica tinha conseguido regressar a um jogo que parecia bastante mais difícil desde a expulsão.
Arbitragem volta à conversa
O tema que tinha começado ainda antes do clássico regressou inevitavelmente na conferência de imprensa.
Francesco Farioli tinha afirmado, depois da vitória portista, que “hoje, não houve coisas estranhas”, recuperando a expressão que alimentou a troca de palavras entre os dois clubes nos últimos dias. O próprio FC Porto aproveitou depois a frase para publicar nas redes sociais “Coisas normais”, com a palavra “estranhas” riscada.
Marco Silva respondeu sem entrar diretamente na análise de lances concretos, mas deixou uma consideração sobre o ambiente que rodeia a arbitragem em Portugal.
“Aqui consegue-se condicionar árbitros.”
O treinador acrescentou que esse condicionamento pode acontecer antes, durante e depois dos encontros e admitiu que, na sua leitura, “por vezes dá resultado”.
Até agora, Marco Silva tem procurado manter-se afastado das discussões públicas sobre decisões de arbitragem. Depois do clássico, porém, deixou no ar que essa postura poderá não durar toda a temporada.
“Não sei se irei conseguir continuar assim até ao final da época.”
“Não sou eu que tenho de ver se o FC Porto passa dos limites”
Questionado sobre se considera que o FC Porto ultrapassa determinados limites na comunicação em torno das arbitragens, Marco Silva evitou assumir o papel de juiz da estratégia do rival.
“Não sou eu que tenho de ver se o FC Porto passa dos limites.”
O treinador preferiu deixar essa avaliação para quem tem responsabilidades sobre o futebol português.
A conferência terminou, assim, com dois discursos que se cruzam mas não são exatamente iguais. Marco Silva colocou a derrota na conta dos erros do Benfica e da falta de maturidade em determinados momentos, mas não deixou passar em claro aquilo que entende ser a pressão exercida em torno da arbitragem.
No Dragão ficaram os três pontos para o FC Porto. Fora do relvado, a discussão está longe de terminar.
