Marítimo–FC Porto: Farioli responde a Van der Gaag sobre “campo inclinado”

Marítimo–FC Porto: Farioli responde a Van der Gaag sobre “campo inclinado”, após o jogo de ontem nos Barreiros.

O treinador dos madeirenses criticou a arbitragem após a derrota por 1-2. Farioli defendeu a justiça da vitória, elogiou o contributo de Pietuszewski e mostrou preocupação com a lesão de William Gomes.

A expressão “campo inclinado” passou da análise de Mitchell van der Gaag para a resposta de Francesco Farioli no final do Marítimo–FC Porto, disputado este sábado, 10 de outubro. O técnico dos insulares usou-a para criticar a arbitragem; o treinador portista recuperou-a para defender que a sua equipa dominou o encontro.

O FC Porto venceu por 2-1, depois de ter estado em desvantagem. Szalai marcou para o Marítimo, Froholdt empatou antes do intervalo e Oskar Pietuszewski decidiu a partida na reta final, num lance validado por uma margem de um centímetro na análise ao fora de jogo.

Van der Gaag: “Não somos coitadinhos”

Em declarações à Sport TV, Mitchell van der Gaag destacou a primeira parte da sua equipa e a resposta dos adeptos, antes de deixar a crítica à arbitragem:

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“Apesar da derrota, estamos de parabéns. Estamos a lutar pela nossa dinâmica e os adeptos reconhecem-no. A nossa primeira parte foi muito bem conseguida. Tentámos sair a jogar com bola e criar as nossas oportunidades. Todos conhecem os valores do FC Porto, é mais pressionante. Mas não sabia que o campo é tão inclinado nos Barreiros.”

O treinador neerlandês prosseguiu com uma referência ao resultado e à posição do Marítimo no confronto:

“O resultado é 2-1. Não somos a equipa grande, mas não somos coitadinhos. Amanhã, quando as pessoas acordarem, o resultado será esse.”

Apesar da derrota, considerou que a exibição representou uma evolução e que o empate teria recompensado o esforço dos jogadores:

“Competimos contra o atual campeão, que ainda não perdeu pontos, e demos de tudo para pontuar. Melhorámos face à receção ao Benfica, por exemplo. O empate seria um bom prémio para nós. Estamos tristes. Tentámos de tudo, mas não foi suficiente. Há que continuar. Tivemos uma espécie de pré-temporada nas últimas semanas e aproveitámos para preparar as próximas semanas.”

Farioli defende vitória e devolve a ironia

Na zona de entrevistas rápidas, Francesco Farioli reconheceu a dificuldade da deslocação à Madeira, mas rejeitou dúvidas sobre o mérito dos três pontos:

“Sobre as dificuldades de vir cá, ontem dei uma boa imagem do que podíamos esperar. Uma equipa bem organizada, lutadora. Começaram muito fortes, mas, na avaliação geral, não há dúvidas sobre a equipa que mereceu vencer o jogo. A nossa abordagem foi positiva, o golo deles aparece um pouco do nada, como uma bofetada na cara, mas pode acontecer. A reação foi positiva. Conseguimos marcar antes do intervalo e tivemos outras boas oportunidades na segunda parte. Jogámos em metade do campo, concordo com o treinador quando diz que esteve inclinado numa só direção. Mas sinto que foi ao contrário do que ele viu. Merecemos os três pontos.”

A resposta recuperou a expressão do treinador adversário, atribuindo-lhe um sentido diferente: para Farioli, a inclinação traduziu a superioridade territorial do FC Porto.

O empate antes do intervalo e a resistência final

Já em conferência de imprensa, o técnico italiano sublinhou a importância do golo de Froholdt e a necessidade de resistir à pressão madeirense nos últimos minutos:

“As dificuldades que tinha mencionado na antevisão, encontramo-las. Uma equipa bem organizada, competitiva. Estiveram sempre no jogo. O golo aparece do nada, porque estávamos num bom momento. Depois, a reação foi positiva e foi muito importante marcar antes do intervalo. Nos últimos 10 minutos, quando colocaram seis ou sete jogadores na última linha, tivemos de defender. Diz muito da mentalidade vencedora da equipa, de competir até ao fim. Feliz pela vitória.”

Farioli admitiu que a exibição não esteve ao melhor nível, mas valorizou a atitude dos jogadores e referiu as dificuldades colocadas pelo relvado:

“Sabíamos que seria muito complicado, mas, nos poucos treinos que tivemos, estivemos em grande nível. Boa atitude, os jogadores estavam ligados. Não foi a melhor exibição, mas não é fácil jogar aqui, a bola batia muito, o que não ajuda. Competimos bem.”

Sobre os instantes finais, acrescentou: “Quando foi o momento de sofrer, nos últimos 5 ou 6 minutos, em que nos empurraram para a nossa área”, a equipa também dispôs de contra-ataques que, na sua avaliação, poderiam ter aumentado a vantagem.

Pietuszewski tinha disponibilidade para “15 ou 20” minutos

O autor do golo decisivo mereceu uma explicação particular. Segundo Farioli, Pietuszewski regressou dos compromissos internacionais com dificuldades físicas, mas conseguiu dar um contributo determinante:

“O Oskar teve um arranque de época muito difícil. Nesta pausa internacional estávamos a contar tê-lo connosco, mas foi chamado à seleção, porque tiveram algumas dificuldades. Estando lá, é mais difícil controlar a carga física. Voltou pior do que estava quando foi para lá. Mas trabalhou bem, ontem perguntei-lhe quantos minutos sentia que podia jogar e ele falou em 15 ou 20. Fez a diferença no tempo que esteve em campo.”

Em sentido contrário, a saída forçada de William Gomes, com queixas no tornozelo direito, deixou o treinador apreensivo:

“Sobre o William, não parece bom pelas imagens… Está lá dentro do balneário com um sorriso, sempre, mas no tornozelo é muito doloroso.”

Farioli não avançou um diagnóstico nem um prazo de recuperação para o jogador.

Bétis é o próximo desafio

Depois da vitória na Madeira, o treinador apontou à preparação do encontro de quarta-feira com o Bétis, para a segunda jornada da fase de liga da Liga dos Campeões:

“Agora, temos de preparar bem o jogo com o Bétis. Vamos estudar o adversário e recarregar baterias, porque o jogo de hoje obrigou-nos a atingir um certo nível físico e mental. Temos de preparar-nos bem para chegarmos lá nas melhores condições e fazermos um grande jogo.”

Leia também: Pietuszewski decide na Madeira e FC Porto mantém pleno de vitórias

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