Mau tempo causa estragos em Setúbal, mas bacia da Várzea impede cheias na Baixa, segundo foi revelado.
Chuvas provocam danos, mas evitam cenário mais grave
As chuvas intensas dos últimos dias provocaram quedas de árvores, deslizamentos de terras e danos em estradas no concelho de Setúbal.
Ainda assim, a baixa da cidade escapou a inundações graças à bacia de retenção da Várzea.
A informação foi confirmada este sábado pela Proteção Civil municipal.
A infraestrutura revelou-se determinante num contexto meteorológico adverso.
Solos saturados agravam riscos na circulação
De acordo com o Serviço Municipal de Proteção Civil, a saturação dos solos teve efeitos imediatos.
A água acumulou-se à superfície, criando situações de risco.
Segundo explicou José Luís Bucho à Lusa, “a saturação dos solos levou à acumulação de água à superfície, causando inundações pontuais em campos e arruamentos, bem como a degradação do pavimento, com buracos ocultos por lençóis de água e riscos acrescidos para a circulação rodoviária”.
A zona de Azeitão tem sido a mais afetada.
Sinalização e prudência são prioridade
Por outro lado, as autoridades admitem que não é possível intervir já em todas as vias danificadas.
A prevenção passa, para já, pela sinalização.
Nesse sentido, o responsável sublinhou: “Não é altura para reparar estradas, mas é fundamental sinalizar e apelar à prudência”.
O apelo dirige-se sobretudo aos condutores, com reforço do respeito pelos limites de velocidade.
Bacia da Várzea funciona dentro do esperado
Entretanto, a Proteção Civil destacou o desempenho da bacia de retenção da Várzea.
Atualmente, encontra-se com cerca de 30% da sua capacidade.
José Luís Bucho garantiu que “está a corresponder plenamente à nossa expectativa e a reter as águas provenientes das ribeiras do concelho”.
O impacto preventivo é considerado decisivo.
Como frisou ainda, “sem essa infraestrutura, as ribeiras já teriam transbordado e a zona da Baixa poderia estar completamente inundada”.
Apenas um desalojado registado no concelho
Apesar da intensidade do mau tempo desde 28 de janeiro, o balanço social é limitado.
A Proteção Civil registou apenas um desalojado em Setúbal.
Trata-se de um homem residente em Azeitão, que perdeu o telhado da habitação.
Foi acolhido na Pousada da Juventude e posteriormente encaminhado para um lar, com apoio dos serviços sociais.
Energia, florestas e estradas continuam sob pressão
Ainda assim, persistem problemas no fornecimento de energia elétrica em algumas zonas.
As falhas devem-se a avarias nas redes exteriores.
No terreno, estão mobilizados mais de 100 operacionais.
Participam bombeiros, serviços municipais, juntas de freguesia e serviços municipalizados.
Entre as áreas mais críticas estão zonas florestais e estradas.
Na ligação entre a Restinguinha e a praia da Figueirinha caíram mais de 200 árvores.
Limpezas vão prolongar-se e cemitérios encerram
Segundo a Proteção Civil, os trabalhos de limpeza e estabilização deverão durar várias semanas.
Como medida preventiva, os cemitérios do concelho foram temporariamente encerrados.
A decisão prende-se com a presença de ciprestes de grande porte.
Estas árvores necessitam de avaliação técnica devido ao risco de queda.
Contexto nacional marcado por vítimas mortais
No plano nacional, o impacto do temporal é severo.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada.
As vítimas estão associadas às depressões Kristin, Leonardo e Marta.
As regiões mais afetadas são o Centro, Lisboa e Vale do Tejo e o Alentejo.
Entre as principais consequências contam-se destruição de habitações, cortes de energia, inundações e encerramento de estradas e serviços.
Leia também: Depressão Marta desloca-se para norte e agrava risco meteorológico em Portugal





