O ator Miguel Costa defende que Governo, partidos, autarquias e representantes da sociedade se sentem à mesma mesa para procurar respostas à crise da habitação. Numa publicação no Instagram, este domingo, 25 de outubro, pediu medidas concretas e lembrou que as dificuldades em conseguir uma casa também atingem os profissionais das forças de segurança.
“A crise da habitação não é um problema da esquerda ou da direita. É um problema geral e só se resolve se houver entendimento”, começou por escrever, numa mensagem acompanhada pela frase “Acredito na diplomacia”.
Miguel Costa esclareceu que a intervenção não pretende favorecer qualquer força política: “Não escrevo isto para defender ou atacar qualquer partido, governo ou responsável político. E muito menos para dizer que uns têm razão e outros não.”
Na sua perspetiva, a dimensão do problema exige que se reconheça quem é afetado, independentemente da profissão ou da idade.
“Atinge jovens, menos jovens, famílias, trabalhadores de todas as áreas. Até os nossos polícias, mal pagos e que também já saíram à rua, de forma legítima, para exigir melhores condições, não estão imunes a esta crise. A habitação é um problema que nos pode afectar a todos.”
Um apelo para juntar decisores e pessoas afetadas
Reconhecendo não ser especialista na matéria, o ator salientou a complexidade da habitação e a ausência de soluções imediatas. Ainda assim, questionou as prioridades do debate público.
“Mas não seria mais útil gastar menos tempo e energia a procurar culpados, a atirar responsabilidades de um lado para o outro, e mais tempo a procurar soluções? Claro que é importante apurar essas responsabilidades. Mas acho que agora é ainda mais importante tentar chegar a um entendimento.”
Para Miguel Costa, essa discussão deve incluir tanto quem decide e investe como quem enfrenta dificuldades no acesso a uma casa.
“Que se sentem todos à mesa. Governo, partidos, autarquias, proprietários, construtores, investidores privados, associações e legítimos representantes das pessoas que estão a sofrer na pele este problema. Que se ouçam uns aos outros, sem preconceitos nem dogmas, nem trincheiras políticas.”
O ator admitiu que a proposta possa parecer difícil de concretizar, mas insistiu na possibilidade de encontrar pontos comuns: “Parece utópico? Parece. Mas eu acredito na diplomacia. Não precisamos que estejam todos de acordo em tudo. Precisamos que sejam capazes de se entender naquilo que é essencial.”
Recuperar imóveis devolutos como ponto de partida
Entre as medidas possíveis, Miguel Costa apontou a recuperação de património público desocupado, mesmo que inicialmente em pequena escala.
“E comecem! Nem que seja pela recuperação de um único apartamento devoluto do Estado. Não resolve o problema? Claro que não. Mas é um começo!”
Deixou também uma exigência aos responsáveis políticos, considerando que têm “uma excelente oportunidade de mostrar que estão na política para servir o país e não para se servirem dela”.
A terminar, o ator relacionou o acesso à habitação com a dignidade de quem trabalha e reiterou o pedido de cooperação:
“Porque ninguém devia trabalhar uma vida inteira e mesmo assim não conseguir ter uma casa onde viver com dignidade. Menos tempo à procura de culpados, mais tempo à procura de soluções. Menos trincheiras, mais pontes. É por aí que se começa a resolver um problema que nos atinge a todos, directa ou indirectamente. Eu acredito nisso.”
