Miguel Sousa Tavares rejeita argumento financeiro sobre Ronaldo: “Tinha comprado um lugar vitalício”, afirmou o comentador.
Miguel Sousa Tavares contestou a ideia de que Cristiano Ronaldo deve continuar na Seleção Nacional devido às receitas que gera para a Federação Portuguesa de Futebol. No seu comentário na TVI, na noite de quinta-feira, 1 de outubro, o jornalista considerou que esse argumento desvaloriza o próprio percurso do jogador e defendeu que o capitão deve refletir sobre a decisão de abandonar o estágio.
Depois da vitória de Portugal sobre a Dinamarca, por 4-2, Sousa Tavares mostrou-se satisfeito com o futebol apresentado pela equipa de Jorge Jesus.
“Devo dizer, para tranquilizar os portugueses, que o país não acabou ontem com a saída de Cristiano Ronaldo. Nem acabou o país, nem acabou a seleção. Devo dizer também que há muito tempo que não tinha este prazer de ver jogar esta seleção. Portanto, eu estou perfeitamente tranquilo”, afirmou.
“O Ronaldo tem categoria a mais”
A vertente financeira da presença de Ronaldo na seleção foi um dos pontos que mereceram maior contestação do comentador. Para Miguel Sousa Tavares, a importância comercial do jogador não deve determinar o seu lugar na equipa.
“Mas não aceito o argumento de mercearia das receitas que a Federação deixa de receber com o Ronaldo. Porque isso é o mesmo que dizer que ele comprava o lugar na seleção. E, aparentemente, tinha comprado um lugar vitalício. O Ronaldo tem categoria a mais, tem um passado demasiado grande para também se reduzir a este argumento. Quer dizer, ele não pode sair porque a Federação vai perder muitas receitas”, declarou.
A crítica surgiu no contexto do debate sobre o impacto económico da saída do internacional português, que deixou a concentração em Copenhaga na quarta-feira, 30 de setembro, após a conferência de imprensa de Jorge Jesus e uma conversa com Pedro Proença.
Um apelo à reflexão sobre o papel de capitão
Questionado sobre a forma como o episódio se desenrolou, Sousa Tavares admitiu lamentar o desfecho e reconhecer o sofrimento que a situação poderá estar a causar ao jogador.
“Claro que lamento e claro que imagino que ele não está feliz, que ele também deve estar a sofrer com a situação”, afirmou.
O comentador defendeu, contudo, que Ronaldo deve avaliar a decisão à luz das responsabilidades que assume na equipa.
“Agora, não faz mal nenhum a Ronaldo um exercício de humildade e de realidade, e pensar: ‘eu sou o capitão, será que eu me portei como um capitão se deve portar?’ Essa é a grande questão, e eu acho que ele, se fizer essa pergunta a si mesmo, encontrará a resposta e talvez encontre um caminho da graça”, concluiu.
