Montenegro reúne PS e Chega sobre habitação esta quinta-feira, 5 de novembro, em São Bento, para ouvir propostas dos dois maiores partidos da oposição. O primeiro-ministro anunciou os encontros numa declaração ao País e defendeu a atuação do Governo perante as críticas à resposta à crise.
Na intervenção de terça-feira, 3 de novembro, Luís Montenegro afirmou que pretende recolher contributos para as mudanças em curso no setor.
“Convidei-os a virem aqui com as suas equipas para apresentar as suas ideias e propostas com o intuito de desenvolvermos mais a transformação que está em curso neste setor”, declarou.
O chefe do Executivo garantiu que o Governo está “aberto ao diálogo e ao contributo de todos”, mas rejeitou entrar num “leilão de propostas”.
“Eu tenho direito e o dever de governar”
Questionando as críticas ao seu alegado silêncio, Montenegro considerou que “é injusta a crítica” e distinguiu a responsabilidade de governar da intervenção diária no debate público.
“Aquilo que se pede ao primeiro-ministro e ao Governo é que governem. Eu tenho direito e o dever de governar. Não sou comentador, nem político mediático. Aquilo que o País espera de mim é que não esteja todos os dias a dar opinião”, afirmou.
O primeiro-ministro sublinhou que lhe “incumbe ouvir e decidir”, lembrando que as dificuldades de acesso à habitação se têm agravado “nos últimos dez anos”.
Também advertiu que “não é possível construir casas de um dia para outro”, defendendo que as medidas precisam de tempo para produzir resultados.
Sobre as manifestações, assegurou que não as desvaloriza e que “ouve o conteúdo” das preocupações de quem protesta.
“Não há razão em Portugal para se importarem modelos de protestos violentos e tudo deve ser feito para evitar qualquer confronto indesejável”, acrescentou.
Ventura confirma presença e Carneiro saúda convite
André Ventura confirmou que já tinha estado reunido com Montenegro na terça-feira “para discutir vários dossiers legislativos, nomeadamente o da habitação”.
O líder do Chega anunciou ainda a participação no encontro de quinta-feira, com o objetivo de “resolver os problemas permanentes na habitação”.
Já José Luís Carneiro saudou a iniciativa do primeiro-ministro e garantiu disponibilidade para apresentar as propostas socialistas.
“Finalmente, o primeiro-ministro reconheceu que a crise que estamos a viver não pode ter uma solução policial […] Quero reconhecer a importância do telefonema que me fez, convidando para uma reunião de trabalho para levar as propostas que o PS tem vindo a fazer.”
Venda da TAP à Lufthansa também marcou o dia
Antes da declaração sobre habitação, Montenegro participou na assinatura do contrato de venda de até 49,9% da TAP à Lufthansa. O acordo corresponde a uma privatização parcial da transportadora.
O primeiro-ministro reiterou o interesse na privatização total da companhia, invocando a “salvaguarda dos interesses do País”, e assegurou que o Estado será “um parceiro leal e exigente”.
Por sua vez, o presidente executivo da Lufthansa, Carsten Spohr, afirmou que a TAP vai “continuar a ser uma marca portuguesa”, destacando o acesso a mercados como a América do Sul e África.
O contrato foi assinado com uma caneta oferecida por tripulantes da transportadora portuguesa.
