Nelson Lisboa responde a Rita Pereira e ao “Passadeira Vermelha” após críticas ao visual de Sofia Ribeiro, nas redes sociais.
Nelson Lisboa rejeitou a associação dos seus comentários sobre o cabelo de Sofia Ribeiro ao racismo e respondeu às críticas de Sara Norte e David Motta no “Passadeira Vermelha”. Numa publicação nas redes sociais, o comentador de moda defendeu que utilizou a palavra “vulgar” no sentido de comum e acusou os seus críticos de distorcerem a análise que fez ao visual da atriz nos Globos de Ouro.
A resposta, aberta com a frase “ACABOU A BRINCADEIRA!”, surgiu depois de o assunto ter dividido o painel do programa, onde Liliana Campos interveio para distinguir a avaliação do conjunto escolhido por Sofia Ribeiro de um comentário dirigido à sua pessoa.
Nelson Lisboa rejeita acusação de racismo
Rita Pereira manifestou apoio a Sofia Ribeiro e relacionou a crítica ao cabelo natural encaracolado com preconceitos sobre características identitárias. Na sua resposta, Nelson Lisboa contestou essa interpretação.
“Quanto a uma outra atriz que veio em defesa de Sofia Ribeiro e decidiu classificar aquilo que eu disse como «racismo», aqui o assunto muda de gravidade. Racismo é uma acusação gravíssima. Não é um adereço retórico, não é uma bandeira para cavalgar uma polémica e muito menos uma palavra que aceito ver associada ao meu nome porque alguém decidiu substituir interpretação por narrativa.”
O comentador afirmou que a sua apreciação se limitou à conjugação do cabelo com o vestido usado na gala.
“Não admito que me sejam atribuídas palavras que não disse, intenções que não manifestei ou ideologias que não são minhas. Por ninguém.”
Nelson pediu que a discussão se centrasse nas palavras que utilizou: “Discordem da minha crítica de moda. Contestem-na. Detestem-na, se vos apetecer. Mas tenham a seriedade intelectual de discutir aquilo que EU DISSE. Porque discordar do que alguém disse é legítimo. Distorcer o que foi dito para depois atacar aquilo que se distorceu é outra coisa completamente diferente. ESTÁ DITO.”
David Motta questionou escolha da palavra “vulgar”
No “Passadeira Vermelha”, David Motta tinha defendido maior cuidado na linguagem usada pelos comentadores.
“Nós todos aqui nos debatemos com questões semânticas porque somos comentadores, mas somos tão rigorosos na nossa área, que é moda (…) também temos de ser rigorosos com a palavra.”
O comentador considerou que Nelson Lisboa deveria reconhecer que a expressão não tinha sido adequada: “O que eu acho é que tem de haver depois uma certa humildade de reconhecermos, ‘olha, realmente o uso da palavra vulgar não foi o mais feliz, e eu reconheço’.”
Na publicação, Nelson respondeu com uma referência ao significado do termo.
“Ao comentador do Passadeira Vermelha que decidiu corrigir publicamente o meu português, quando se sobe ao púlpito para dar lições sobre a língua, convém ter a prudência de abrir primeiro um dicionário.”
E esclareceu: “«Vulgar» não significa apenas «ordinário». Significa também comum, corrente, banal. Foi exatamente nesse sentido que utilizei a palavra.”
Nelson acusou ainda o colega de incoerência: “O mais curioso é assistir a alguém corrigir publicamente o português dos outros para, pouco depois, ter de reconhecer publicamente que afinal a correção estava errada. Há ironias que se escrevem sozinhas. O rigor que me exige na moda talvez seja um excelente princípio para aplicar às suas próprias palavras.”
Liliana Campos intervém após comentário de Sara Norte
Durante o debate televisivo, Sara Norte dirigiu uma crítica ao estilo pessoal de Nelson Lisboa.
“Eu acho só que primeiro ele tem que se saber vestir, antes de falar”, afirmou.
Liliana Campos interveio de imediato: “Ele foi nosso convidado. Temos que respeitar um bocadinho isso.”
Sara ainda procurou justificar a observação, lembrando que também já tinha sido alvo dos comentários de Nelson: “Sim, sim, está bem, mas também já falou de mim e eu posso…”
A apresentadora insistiu na distinção entre a pessoa e a escolha estética: “Ele disse que o cabelo assim torna o look vulgar. Não chamou Sofia vulgar. É a opinião dele.”
Na resposta publicada nas redes sociais, Nelson Lisboa dirigiu-se também a Sara Norte.
“À comentadora do mesmo programa que afirmou que, para comentar moda, é preciso saber vestir, é uma opinião. Eu também tenho uma: para comentar pessoas, além de opinião, convém saber estar, ter elevação e perceber que frontalidade e falta de consideração não são sinónimos.”
Gonçalo Mello destaca confiança de Sofia Ribeiro
Gonçalo Mello centrou a sua intervenção na imagem transmitida pela atriz e na importância de valorizar o cabelo natural.
“A Sofia Ribeiro abriu aqui uma porta muito importante”, afirmou no “Passadeira Vermelha”, ao recordar o estigma que pode acompanhar o cabelo encaracolado desde a infância.
“Obviamente que ninguém é vulgar por ter o cabelo encaracolado. E eu acho que ela aqui está (…) empoderada porque conseguiu transmitir uma imagem muito segura.”
O comentador descreveu ainda Sofia Ribeiro como estando “vestida de liberdade”, numa gala em que as escolhas de imagem das figuras públicas são alvo de análise.
“Não me moldo à conveniência de ninguém”
Nelson Lisboa abordou também os insultos que diz ter recebido desde o início da polémica.
“Quanto aos insultos, vídeos, ‘bimbo’, ‘azeiteiro’ e restante folclore digital, divirtam-se. Não me interessa e muito menos condiciona a minha autoestima. Mais curioso é ver alguns desses conteúdos merecerem aplausos de quem exigiu tanto respeito quando a crítica lhe tocou à porta. A coerência, pelos vistos, também é seletiva.”
O comentador garantiu que continuará a pronunciar-se sobre moda: “Continuarei a dar a minha opinião, livremente, com respeito, educação, verdade e honestidade.”
Depois de defender que “ninguém é de cristal e discordar não é desrespeitar”, encerrou a publicação com uma afirmação de independência.
“Vivemos num país livre e democrático. Não confundam pressão com razão, nem esperem que a indignação alheia determine aquilo que posso ou não dizer. Enquanto tiver voz, usá-la-ei. Com responsabilidade, mas sem medo. Com respeito, mas sem me anular. Não me moldo à conveniência de ninguém. E muito menos me calo para agradar.”
