Nuno Markl deixa de responder a provocações nas redes sociais e admite que só se arrepende de não ter tomado essa decisão mais cedo. Numa publicação no Instagram, o humorista explicou que passou a ignorar comentários destinados a gerar discussões, embora vá continuar a expressar as suas opiniões.
“Olá, o meu nome é Nuno e há um mês e tal que não dou conversa a haters e trolls. E a minha vida digital nunca foi tão feliz”, começou por escrever.
O balanço levou-o a reconhecer o tempo e a energia que dedicou a confrontos online, apesar dos conselhos de quem lhe é próximo.
“O único pensamento chato no meio disto tudo foi perceber o quanto deveria ter dado ouvidos a amigos e família (e até a estranhos com sabedoria) e o tempo e a energia que perdi a irritar-me com malta que aqui vinha irritar, alguma dessa malta sendo, muito provavelmente, bots”, afirmou.
“Levei tempo, fui estúpido, mas mais vale tarde do que nunca”, acrescentou.
Uma campanha no Brasil motivou a mudança
Nuno Markl identificou uma campanha contra os trolls, surgida no Brasil durante as eleições, como o momento que o fez repensar a forma de reagir.
“Foi a campanha anti-trolls que surgiu no Brasil na altura das eleições que foi o meu abre-olhos definitivo. Engajar em discussões acesas é fazer o favor ao vilão”, considerou.
Na sua perspetiva, responder a quem procura deliberadamente provocar acaba por dar maior visibilidade a essas intervenções.
“É fortalecê-lo e às suas ideias no algoritmo, é alimentar a lucrativa máquina de ódio e rage bait que vive da nossa ingénua premissa de que debater temas com estranhos agressivos é uma missão importante”, escreveu.
O humorista rejeitou essa ideia e enumerou aquilo a que prefere dedicar o seu tempo.
“Não é. Não tem qualquer valor ou utilidade. É tempo de vida perdido que poderíamos partilhar a amar, a ler, a ver filmes, a ouvir música, a ser feliz e a tirar partido do escandalosamente curto tempo que passamos à superfície do planeta.”
“Quem começou a embirrar ganha sempre”
Ao dirigir-se aos seguidores, Markl alargou a reflexão a quem também se envolve em discussões nas redes sociais.
“E isto é válido para mim e para vocês: para todos nós, debater de forma acesa e irritada com um estranho é inútil, é parvo, é lesivo para a nossa saúde. Quem começou a embirrar ganha sempre, mesmo quando parece que perdeu a discussão”, defendeu.
“Nós nunca ganhamos. Nunca”, reforçou.
A decisão passou, por isso, a ser uma regra na sua utilização do Instagram: “Deixei oficialmente de entrar em zaragatas de Instagram. Na sua essência, entrar em zaragatas de Instagram é das coisas mais deprimentes e doentias que uma pessoa pode fazer a si própria.”
Opiniões continuam mas sem prolongar discussões
O humorista esclareceu que vai manter a partilha das suas posições, estabelecendo um limite para o que acontece depois de publicar.
“Continuarei a dar as minhas opiniões nos meus posts e reels, e elas ali ficam dadas e nada mais acrescentarei. Quem quiser embirrar, que embirre, mas no que depender de mim fica a embirrar sozinho”, afirmou.
A publicação terminou com um apelo aos seguidores: “A sério malta. Não façam isso à vossa saúde.”
