Sexta-feira, Julho 23, 2021

Os empresários terão de assumir responsabilidade pela queda da tauromaquia

Os empresários terão de assumir responsabilidade pela queda da tauromaquia

São amadores, comunicam mal, constroem maus e repetitivos cartéis e saturam o público.

Já ninguém aguenta ver os mesmos cartéis, com os mesmos intervenientes, com a mesma linguagem promocional, sem qualquer adaptação aos tempos em que vivemos.

Começa a ser confrangedor a desorganização que paira na tauromaquia em Portugal. Adiamentos sem qualquer razão lógica, pura e simplesmente porque o público não adere e há poucos bilhetes vendidos.

Mais, os empresários gozam com a cara dos espectadores e alegam legislação que nem sequer está em vigor nos respectivos concelhos.

Aqui, tenho que destacar pela positiva duas entidades: a Tauroleve, em Vila Franca de Xira, e a Associação A Nossa Praça, em Coruche. No primeiro caso, as corridas do Colete Encarnado foram canceladas e o dinheiro devolvido às pessoas que tinham comprado bilhete. No segundo caso, a corrida foi adiada e a associação permite devolução do dinheiro a quem assim o pretenda.

É admissível que saia uma notícia num órgão regional a dar conta de uma associação que se recusa a devolver dinheiro aos espectadores e que nem sequer a emails e telefonemas responde?

Que “empresários” são estes que se negam à crítica e ao público?

Mas indo à questão da comunicação. Os órgãos generalistas não recebem qualquer comunicação da maioria das empresas promotoras de espectáculos tauromáquicos. Ora, não recebendo comunicação, como podem sequer divulgar?

E depois, há perguntas que carecem de resposta urgente: Se Rui Fernandes triunfa lá fora, por que raio nenhum empresário o contrata cá dentro? Ao invés de pagarem pouco aos que estão vistos e revistos, paguem mais e apresentem qualidade. Diego Ventura continua sem regressar a Portugal e este sim é o número 1 do rejoneio mundial, por muito que outros o tentem omitir.

Não seria melhor, o tecido empresarial unir-se e apresentar cartéis rematados, ao invés de medirem egos e verem quem dá mais e piores corridas? Ou o dito amor à festa é apenas para agradar aos mais desatentos?

Por falar em amor à festa, era bom que de uma vez por todas se entendesse uma coisa básica: a Tauromaquia não precisa de amor, precisa de competência.

Aliás, é assim em todas as áreas culturais. Claro que as pessoas gostam, mas nenhum profissional diz que anda em determinada área por amor. Amor faz com a mulher ou dedica à família e amigos. No trabalho, por muito que goste do que faz, convém ser competente. E em Portugal, na tauromaquia, reina a incompetência. E não há amor que resista.

Querem mais um exemplo de amadorismo? Empresários que escrevem com erros ortográficos nas suas páginas pessoais e profissionais a promover espectáculos. Alguém os pode levar a sério?

Apenas aqueles irrelevantes seres sociais que têm na tauromaquia o seu único e miserável protagonismo.

O objectivo deste artigo não é uma crítica destrutiva, é antes um alerta para que rapidamente se evitem erros de vários anos que colocaram, agora, a tauromaquia à beira do fim.

Seria bom que também alguns toureiros percebessem, de uma vez por todas, que não são figuras. São artistas, mas não figuras. O patamar de figura requer regularidade e competência constantes.

Não se conquista um patamar de figura com redes sociais geridas por quem não sente a sua arte, mas que apenas olha aos euros que aí vai buscar.

E para terminar, alguém entende a função e eficácia da Protoiro? Uma entidade que reage a tudo mas que não age para nada?

Continuem a tirar imensas fotografias e apregoar que amam a festa e a dar cobertura a quem a festa quer enterrar. Estamos todos no Titanic e vocês são a banda!

Nota 1: Ganadero em espanhol é Ganadeiro em português.
Não promovam uma tradição dita portuguesa, com estrangeirismos. Sejam, ao menos, coerentes.
Nota 2: Acabar com as cortesias nas corridas de touros é uma machadada na dita tradição. Ou agora, a tauromaquia resume-se a cravar bandarilhas, bater palmas e gritar Olé?

Rui Lavradorhttp://www.infocul.pt
Jornalista e Director Infocul.pt

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