Pedro Abrunhosa pediu uma intervenção do Presidente da República e Cláudio Ramos apelou à responsabilidade de todos na defesa da democracia. Em publicações distintas no Instagram, este domingo, 25 de outubro, o músico e o apresentador pronunciaram-se no contexto dos protestos pela habitação e das intervenções policiais em Lisboa e no Porto.
As duas mensagens foram acompanhadas por imagens relacionadas com as manifestações. Abrunhosa partilhou uma fotografia de uma imobilização policial, creditada a José Sena Goulão. Cláudio Ramos escolheu uma imagem de um protesto na qual sobressai um cartaz: “Ontem era sobre habitação hoje é sobre democracia.”
Pedro Abrunhosa: “As praças são […] locais da comunidade”
No início da sua publicação, Pedro Abrunhosa defendeu o papel do espaço público na participação coletiva, tanto nos momentos de celebração como nos de contestação.
“As praças são histórica, política e urbanisticamente locais da comunidade. Servem, sempre serviram, para a celebração das grandes vitórias e para os protestos pelas grandes causas. Vivemos um notório momento de contra-revolução em Portugal”, escreveu.
O músico desenvolveu uma leitura política dos acontecimentos, estabelecendo um paralelo com as desigualdades sociais e a repressão durante a ditadura. Na sua análise, existe uma tentativa de recuperar uma sociedade em que a pobreza determinava quem podia ocupar o espaço público e fazer ouvir a sua voz.
Abrunhosa recuou também ao 25 de Abril e evocou Salgueiro Maia, contrapondo a conquista das liberdades àquilo que considera ser uma ameaça atual aos direitos e às instituições democráticas.
Músico pede ao Presidente que saia do “silêncio institucional”
A crítica de Pedro Abrunhosa estendeu-se à reação de quem aprova a violência sobre os manifestantes. O artista associou essa posição ao risco de enfraquecimento dos serviços públicos e das garantias sociais.
“Os que hoje rangem a mandíbula de felizes pela porrada nos ‘desordeiros’ com rastas, como sobre os pobres de outrora, celebram o regresso do fim do SNS [ é só esperar mais um pouco e veremos ..] o fim da Segurança Social [ idem ], o fim da Escola Pública [veremos também ..] , a desarticulação da Justiça e demais instituições democráticas consagradas em Abril”, afirmou.
São receios e acusações expressos pelo músico, que considera que o debate ultrapassou a questão do acesso a uma casa.
“Entretanto já não é sobre defender o direito a uma habitação condigna que estamos a falar. É sobre defender a Democracia de ser pura e simplesmente aniquilada”, escreveu.
A publicação terminou com uma interpelação direta ao chefe de Estado: “E já agora, caríssimo Senhor Presidente da República, que tal uma saída do seu silêncio institucional para vir defender o que, juntos, todos construímos?”
Cláudio Ramos apela a “respeito e cuidado”
Cláudio Ramos optou por uma mensagem mais breve, centrada na preservação da democracia e no dever coletivo de a proteger.
“A democracia foi uma conquista. Não deve ser posta em causa sob condição alguma. Somos todos responsáveis por Ela e por isso é preciso tratá-la com respeito e cuidado”, escreveu o apresentador da TVI.
Sem identificar responsáveis políticos nem detalhar a sua posição sobre a operação policial, Cláudio Ramos associou o apelo à fotografia do cartaz que relaciona a luta pela habitação com a defesa da democracia.
