Pedro Chagas Freitas admite que novo livro pode ser o último: “Não sei se depois dele terei coragem”, afirmou.
Pedro Chagas Freitas apresentou «O Livro do Pechimperé» como uma obra particularmente pessoal e admitiu que poderá não voltar a publicar depois dela. Numa mensagem no Facebook, o escritor explicou o lugar que o livro ocupa no seu percurso, sem anunciar uma decisão definitiva de abandonar a escrita.
“É o livro mais lindo, mais mágico, de todos os que publiquei, e pode muito bem ser o último que publico. Não sei se depois dele terei coragem para publicar algo mais”, escreveu.
A relação com a obra foi resumida numa frase: “Este livro sou eu, ou pelo menos o que eu sonho um dia conseguir ser.”
Uma obra onde reúne o que aprendeu e desaprendeu
Na apresentação, Pedro Chagas Freitas descreveu o livro como um lugar onde reuniu a sua maneira de olhar para a vida e aquilo que a experiência lhe trouxe.
“Se tenho uma maneira de ver a vida, está aqui; se tenho coisas para dizer, estão aqui; se aprendi algo, e sobretudo se desaprendi algo, com tudo o que a vida me deu a a sentir e a doer, está aqui; se tenho um manual que todos os pais, que todos os professores, que todos os adultos, podem usar, está aqui; se existe algo de que tenho orgulho enquanto autor, está aqui, poeticamente aqui, orgulhosamente aqui, ternamente aqui, absolutamente aqui.”
O escritor destacou também o trabalho da ilustradora Cat Rao e recusou limitar a obra a uma faixa etária.
“Com as ilustrações maravilhosas, extraordinárias, da incrível Cat Rao, O LIVRO DO PECHIMPERÉ não é para crianças nem é para adultos; é para todas as pessoas que querem mesmo ser pessoas.”
Pechimperé convida os adultos a olhar de outra maneira
No centro da história está um menino que questiona a seriedade com que os adultos encaram a vida.
“O Pechimperé tem a certeza de os adultos levam tudo demasiado a sério: o amor, a tristeza, o tempo, até os aniversários. Ele prefere levar a vida a brincar, a inventar abraços novos, a celebrar o primeiro macaco que saiu do nariz, a dedicar a vida a viver.”
A personagem tem uma linguagem própria, que se prolonga nas propostas de leitura do livro.
“Este livro é a história dele: um miúdo que fala a língua que todos passemos a usar: o pechimperês. É também um dicionário para aprender a alegranhar, a andarilhar e a ficar em abraçume. E traz fichas de leitura com aulas nada normais para praticarmos todos a arte de pechimperar.”
“Eu quero morar para sempre neste livro”
Pedro Chagas Freitas apresentou objetivos diferentes para os leitores mais novos e para os adultos.
“Para os mais novos, é um convite para nunca deixarem de perguntar, sonhar e rir. Para os adultos, é um manual para voltarem a olhar para o mundo com espanto.”
O escritor terminou com o desejo de que a obra chegue às famílias e às escolas, sublinhando a ligação que sente ao que escreveu:
“Eu acho que é um livro para ler em voz alta, que eu gostava tanto, tanto, que todas as escolas e todas as famílias lessem, espalhassem, usassem, sentissem. Amem-no. Eu amo-o. Eu quero morar para sempre neste livro.”
