Pedro Chagas Freitas deixa apelo aos pais: “A imperfeição não é uma vergonha”

Pedro Chagas Freitas deixa apelo aos pais: “A imperfeição não é uma vergonha”, afirmou o escritor, nas redes sociais.

Um copo entornado, um desenho fora das linhas ou um erro nos trabalhos de casa. Pedro Chagas Freitas partiu de situações comuns na infância para deixar uma reflexão sobre a forma como os adultos respondem às falhas dos filhos e sobre o medo de errar que, no seu entender, essa resposta pode alimentar.

Numa publicação na sua página de Facebook, o escritor dirigiu-se aos pais, defendendo que as crianças devem poder crescer sem serem humilhadas ou castigadas por não corresponderem a uma expectativa de perfeição. A mensagem acompanha a divulgação de “O Livro do Pechimperé” e estende-se ao respeito pelos limites das crianças, incluindo quando não querem dar um beijo ou um abraço.

Pedro Chagas Freitas pede aos pais que não castiguem os erros dos filhos

O autor começou por enumerar episódios do quotidiano familiar, colocando lado a lado pequenos acidentes, dificuldades de aprendizagem e comportamentos que nem sempre correspondem ao que os adultos esperam.

“Se o teu filho virou um copo de água ou de vinho na toalha nova, não o castigues.
Se o teu filho se sujou com o gelado ou com o bolo, não o humilhes.
Se o teu filho não deu um beijinho ou um abracinho a um estranho que é teu amigo, não o envergonhes.
Se o teu filho não disse a palavra que tu querias que ele dissesse no momento em que tu querias que ele a dissesse, não o culpes.
Se o teu filho não pinta sempre direitinho por dentro das linhas do desenho, não o punas.
Se o teu filho se enganou no trabalho de casa, não o penalizes.
Se a letra do teu filho não é bonitinha, desenhadinha, não o espezinhes.”

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A sequência de apelos prepara a ideia central da publicação: para Pedro Chagas Freitas, ensinar uma criança a recear a sua própria imperfeição pode condicionar a forma como enfrenta desafios ao longo da vida.

Escritor reflete sobre o medo de falhar na idade adulta

Na continuação do texto, o escritor relacionou essa exigência com a dificuldade em aceitar falhas e experimentar caminhos novos.

“A criança que ensinas hoje a temer o erro, o lado imperfeito de que é feito, é o adulto que amanhã ficará em pânico se não conseguir ser perfeitinho, direitinho, imaculadinho.”

O autor desenvolveu a reflexão, associando o receio de sair da norma à perda de espaço para a criatividade e para a descoberta.

“A criança que ensinas hoje a temer o erro, o lado imperfeito de que é feito, é o adulto que amanhã não arriscará, não se aventurará, não tentará novas soluções, novos caminhos. Será a criança em pânico sempre que falhar, sempre que fugir da norma; será a criança com medo, medo absoluto, de arriscar a criatividade, o sonho — a felicidade, enfim.”

“Não coloques um estigma” sobre a imperfeição

O apelo final abrange também os adultos que se reconhecem nessa educação. Pedro Chagas Freitas incluiu-se numa experiência coletiva de dificuldade em aceitar o erro como parte da vida.

“A criança que ensinas hoje a temer o erro, o lado imperfeito do que é, é o adulto que quase todos somos, espartilhados por essa educação que nos comprimiu, que nos asfixiou, que nos impediu de integrar o erro como parte de nós. Não coloques um estigma, um carimbo mortal, fatal, doloroso, sobre o imperfeito. Não, não não: a imperfeição não é uma vergonha.”

A publicação termina com a referência a “O Livro do Pechimperé”, ligando a divulgação da obra a uma mensagem sobre a infância e a forma como as palavras e os gestos dos adultos podem marcar a relação das crianças com as suas próprias falhas.

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