Pedro Chagas Freitas dirigiu uma mensagem a quem sofre bullying, apelando à procura de apoio e à quebra do silêncio. Na publicação partilhada no Facebook, esta quarta-feira, 21 de outubro, o escritor lembrou também a responsabilidade de quem assiste às agressões e pode ajudar.
O texto acompanha uma ilustração intitulada “A carta do Pechimperé a quem sofre bullying”, na qual uma criança aparece sentada e isolada, enquanto outras riem à distância.
“Isto não é culpa tua”, começa por escrever.
“As palavras deles não falam sobre ti; falam sobre eles. Quem magoa não tem força: tem medo. Quem humilha esconde a própria vergonha. Não acredites no que dizem para te destruir.”
“Falar quebra a muralha de silêncio que protege quem agride”
O apelo central da mensagem é que as vítimas contem o que estão a viver e procurem alguém que as escute. Pedro Chagas Freitas disponibilizou-se também para receber mensagens.
“Fala.”
“Falar sobre o que te está a acontecer é um acto de coragem. Mesmo que aches que ninguém vai ouvir. Há sempre alguém disposto a ouvir: um professor, um familiar, um psicólogo, um amigo, ou eu: podes enviar-me uma mensagem. Eu vou ler. Estou aqui. Fala. Falar quebra a muralha de silêncio que protege quem agride.”
A carta dirige-se igualmente a quem presencia situações de bullying, incentivando gestos de apoio que podem começar por recusar participar na humilhação.
“Não te isoles, não isoles ninguém.”
“É isso o que o bullying quer. Não tens de lutar sozinho. Se vires alguém a passar pelo mesmo, a tua voz pode ser a diferença entre o desespero e a esperança. Não é preciso seres herói. Basta dizer ‘eu vi’. Basta não rir. Basta estar presente.”
Guardar provas e aceitar ajuda
Na publicação, o escritor aconselhou ainda a preservar registos das situações, incluindo quando as agressões acontecem através de meios digitais.
“Se conseguires, guarda provas: mensagens, capturas de ecrã, testemunhos, o que houver. No cyberbullying, o telemóvel ou o computador podem ser usados como armas, mas também podem ser usados para te proteger. A justiça, muitas vezes, pode começar com pequenos registos.”
O texto prossegue com uma mensagem de reconhecimento da dor de quem é alvo de bullying e um incentivo para que aceite apoio.
“Cuida de ti. O que sentes é real. Não é exagero, não é drama. A dor invisível é uma dor verdadeira. Não carregues a vergonha que não te pertence. A vergonha pertence a quem agride, a quem vê, a quem escolhe calar-se. Ajuda os outros quando puderes; deixa que te ajudem também.”
“A tua voz vale mais do que os risos que tentam silenciá-la”
Pedro Chagas Freitas encerra a carta contrariando o sentimento de isolamento e reafirmando o valor de quem está a sofrer.
“Não acredites na mentira mais cruel de todas: a de que estás sozinho. Não estás. A tua voz vale mais do que os risos que tentam silenciá-la. Tu importas.”
