Pedro Chagas Freitas despede-se do tio com texto comovente: “A vida é uma cabra injusta”, assinalou.
O escritor Pedro Chagas Freitas recorreu às redes sociais para partilhar uma mensagem profundamente emotiva. O autor anunciou a morte do tio, a quem descreveu como “a pessoa que mais gostava de viver”.
Num texto marcado pela dor e pela gratidão, o escritor recorda memórias, aprendizagens e a influência que esta figura teve na sua vida.
“Nunca tiveste idade”
Logo nas primeiras palavras, Pedro Chagas Freitas revela o impacto da perda.
“Morreu a pessoa que mais gostava de viver. A vida é uma cabra injusta. Nunca tiveste idade. Tinhas mais de oitenta; querias pelo menos mais oitenta.”
Assim, descreve o tio como alguém que, apesar da idade avançada, mantinha uma energia contagiante e uma vontade inesgotável de viver.
Um pai longe de casa
Além disso, o autor recorda os anos em que estudou em Lisboa. Durante esse período, encontrou no tio uma figura paterna.
“Quando estudei em Lisboa, foste meu pai. Quatro anos a rir, não foi? Nunca senti que não era parte da família. Nunca me senti menos do que em casa. Deste-me, deram-me todos, o que havia para dar.”
O escritor sublinha o apoio recebido, não apenas emocional, mas também material.
“Fui feliz contigo, com vocês. Ajudaram-me em tudo: atenção, ombros, carinho, afecto, compreensão, até dinheiro quando as minhas contas de estudante apertavam. Acho que foste tu que me pagaste o curso da carta de condução, por mais que nunca me tenham dito.”
“Eras um dos tios fixes”
Por outro lado, Pedro Chagas Freitas recorda a infância e o encanto que o tio exercia.
“Não fui menos amado do que na minha casa, e eu fui sempre tão amado na minha casa. Eras um encantador das palavras. Sabias contagiar, envolver. Na minha infância, eras um dos tios fixes. Todos temos os tios fixes.”
De seguida, explica o que representa essa figura especial.
“Os tios fixes são os adultos que nós queríamos ser quando éramos crianças. Eras fixe. Ensinaste-me a usar a vida, a ver nela o destino desta porra toda e não um destino.”
“Viveste para viver”
No final do texto, o autor deixa uma reflexão sobre a forma como o tio encarava a existência.
“Viveste para viver. A tua vida foi um festival. Tinhas mais de oitenta anos mas nunca foste um velho. Vou fazer tudo para não ser também.”
A despedida encerra-se com palavras simples e diretas.
“Amo-te, meu tio. Até já.”
Desta forma, Pedro Chagas Freitas partilhou com os seguidores um testemunho íntimo sobre amor, gratidão e legado, transformando a dor da perda numa homenagem à vida vivida intensamente.






