Pedro Chagas Freitas partilhou uma reflexão sobre a saudade e a forma como a memória mantém presentes as pessoas de quem sentimos falta. Num texto publicado no Facebook, esta quarta-feira, 21 de outubro, o escritor recorreu à voz de uma criança para abordar a ausência e o valor dos momentos vividos.
A publicação começa com um pequeno diálogo entre uma mãe e um filho, em que a mesma saudade provoca reações diferentes.
“– Porque estás a chorar, mamã?
– Tenho saudades do teu pai.
– Eu também. E é por isso que estou a sorrir.”
A ausência vista pelos olhos de uma criança
A partir dessa conversa, o texto questiona a importância atribuída à presença física e apresenta a memória como uma forma de proximidade.
“Os adultos levam o corpo demasiado a sério. Dizem que é isso que define se uma pessoa existe ou não, já viram que baboseira? As pessoas existem quando existem em nós, qualquer criança sabe isso.”
A reflexão prossegue com uma observação sobre a tendência para reconhecer o valor dos acontecimentos apenas depois de passarem.
“Os adultos têm a mania de só dar valor aos momentos quando passam a ser memórias, não têm?”
“Basta-me fechar os olhos e estou com ele”
Mantendo a perspetiva da criança, Pedro Chagas Freitas termina o trecho com uma declaração de afeto que transforma a recordação numa maneira de continuar acompanhado.
“O meu papá vai estar sempre vivo e é a melhor pessoa do mundo. Basta-me fechar os olhos e estou com ele, há lá proximidade maior do que esta?”
O texto apresenta uma cena literária sobre a perda e a permanência dos afetos, sem a associar a um acontecimento pessoal concreto do escritor.
