Pedro Chagas Freitas revolta-se nas redes sociais: “A culpa é sempre de quem faz o mal. Jamais de quem o sofre”, disse.
Escritor critica a expressão “pôs-se a jeito” e alerta para a indiferença perante a violência
O escritor Pedro Chagas Freitas voltou a usar as redes sociais para deixar uma reflexão poderosa sobre a forma como a sociedade encara a violência e a culpa das vítimas.
Numa publicação recente no Instagram, o autor partilhou um texto que rapidamente se tornou viral, onde condena a expressão “pôs-se a jeito”, por considerar que perpetua ideias injustas e perigosas.
“O predador é que escolhe; não é a vítima”
Logo no início da publicação, o escritor deixou claro o seu desagrado com a forma como a culpa é, muitas vezes, transferida para quem sofre violência.
“Há frases que deviam morrer antes de serem ditas. ‘Pôs-se a jeito’ é uma delas. Nela, há a ideia idiota, e perigosa, de que o mal acontece apenas a quem o merece, que o perigo é uma questão de escolha, que basta vestir-se ‘bem’, andar ‘direito’ e não beber ‘demais’ para estar a salvo. Não é verdade. Nunca foi. Nunca vai ser. O predador é que escolhe; não é a vítima. A violência é um acto de poder; não é um acto de desejo. A culpa não está na pele exposta, no copo cheio, no sorriso oferecido, na dança sensual, provocadora. O perigo está no olhar que vê fragilidade e decide atacar.”
Com este desabafo, Pedro Chagas Freitas quis sublinhar que o problema não está nas atitudes ou escolhas da vítima, mas sim em quem comete o ato violento.
“A culpa é sempre de quem faz o mal”
O autor de “Prometo Falhar” foi ainda mais longe ao apontar o dedo à indiferença e à tendência social de culpar as vítimas em vez dos agressores.
“A culpa é sempre de quem faz o mal. Jamais de quem o sofre. É a cobardia humana no seu melhor: é mais fácil culpar quem foi ferido do que enfrentar quem fere. É mais simples dizer ‘pôs-se a jeito’ do que admitir que vivemos num mundo onde o perigo tem rosto, voz, emprego, amigos e, muitas vezes, silêncio à volta. Não falta decoro. Falta vigilância, falta humanidade.”, escreveu.
O escritor destacou ainda que a passividade da sociedade contribui para a perpetuação da violência.
“A indiferença mata. A indiferença dos que preferem virar o olhar, continuar a beber, continuar a dançar, quando alguém está a ser empurrado, isolado, convencido de que ‘é só brincadeira’. Não é brincadeira. Não pode ser.”, acrescentou.
“A vergonha não pertence a quem sofreu”
Na parte final do texto, Pedro Chagas Freitas deixou uma mensagem de força e empatia para as vítimas de violência, reforçando onde deve recair a verdadeira culpa.
“A vergonha não pertence a quem sofreu; pertence a quem fez. Também pertence a quem olhou e não fez nada.”, concluiu.
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