A Polícia Judiciária esteve esta terça-feira, 20 de outubro, no Rossio, em Lisboa, para investigar danos no monumento a D. Pedro IV, após a intervenção policial que retirou as tendas da Acampada pelo direito à habitação. O movimento convocou um regresso à praça às 19h00, numa noite que contará com a participação de Ana Moura e de outros músicos.
Segundo o Correio da Manhã, inspetores da Diretoria de Lisboa da PJ deslocaram-se ao local ao final da manhã para iniciar diligências relacionadas com pinturas, grafitis e outros eventuais danos no monumento. A investigação pretende determinar a extensão dos estragos e identificar os responsáveis.
O diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro, confirmou que estavam a ser realizadas perícias no Rossio. De acordo com o CM, a colaboração da Judiciária foi determinada pelo Ministério Público. A autoria dos danos é matéria da investigação.
Manifestantes convocam regresso ao Rossio
A operação policial decorreu de madrugada, em simultâneo em Lisboa e no Porto. Segundo a PSP, tratou-se de “uma operação policial nacional devidamente coordenada”, iniciada pelas 05h45 na Praça D. Pedro IV, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto.
Na capital, foram detidas 55 pessoas por desobediência. A PSP justificou a intervenção com a manutenção das manifestações, danos em edificado público e a instalação de estruturas de acampamento sem autorização.
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, a Polícia Municipal apreendeu 228 estruturas de acampamento em Lisboa. Os 55 detidos foram entretanto constituídos arguidos, libertados e notificados para comparecerem no Tribunal de Pequena Instância na quarta-feira, de acordo com uma fonte da PSP citada pela Lusa.
O movimento contestou a atuação policial e anunciou uma nova concentração para as 19h00: “A Acampada resiste. Cuidamos do Rossio como se fosse a nossa casa, mas fomos despejados mais uma vez. Não desistimos!”
Também no Porto foi convocado um encontro para a mesma hora. Em Coimbra, o movimento Não Dá Mais Para Viver Assim anunciou uma concentração pela habitação “em solidariedade com as acampadas”.
Acampada acusa polícia de não dar tempo para recolher pertences
Num comunicado publicado no Instagram, a Acampada de Lisboa apresentou a sua versão dos acontecimentos. Segundo o movimento, pelas 05h45, “enquanto a maioria das pessoas dormia, o corpo de intervenção da PSP apareceu no local onde estava, desde sábado, a decorrer uma acampada para exigir soluções para a crise da habitação”.
Os organizadores afirmaram que a intervenção avançou “em menos de 15 minutos, e, ao contrário do que aconteceu simultaneamente no Porto, não dando sequer tempo aos presentes para recolherem os seus pertences”. Na mesma mensagem, acusaram a polícia de começar a “reprimir aqueles que têm lutado por esta causa tão justa”.
As acampadas surgem no contexto dos protestos pelo acesso à habitação e contra o custo de vida. No Porto, a mobilização começou a 10 de outubro, com cerca de 1500 pessoas reunidas na Praça D. João I, junto ao Rivoli, onde vários participantes permaneceram em tendas.
Ana Moura anuncia atuação em apoio à luta pela habitação
Ana Moura anunciou que vai cantar no Rossio às 21h00. À iniciativa juntaram-se também Tim, dos Xutos & Pontapés, Nenny, Samuel Úria e Expresso Transatlântico, com o início das atuações previsto para as 20h15.
No Instagram, a cantora explicou os motivos da sua participação: “Hoje vou estar a cantar na acampada, a manifestar o meu apoio a todas as pessoas que sofrem com a crise da habitação, um direito fundamental e constitucional que afeta a todas as pessoas.”
A artista deixou ainda uma reflexão sobre as reações aos protestos: “Vivemos tempos de bolhas de isolamento que têm provocado uma enorme falta de empatia e assistir ao que tem acontecido nas acampadas é muito comovente.”
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