Um poema de José Tolentino de Mendonça, partilhado numa página de Facebook dedicada à sua obra e reflexões, dirige palavras de esperança a quem enfrenta o cansaço e a solidão. Os versos evocam a possibilidade de recuperar forças e encontrar amparo na partilha.
A publicação apresenta o texto com a assinatura do autor, começando por recordar aqueles que carregam o peso das dificuldades quotidianas:
“Os que se afadigam com duros fardos,
Os que esgotaram entre canseiras sua porção:
Como ramo que reverdece terão ainda vigor.”
A imagem do ramo que volta a ganhar vida prolonga-se numa promessa de alento para quem perdeu o ânimo. Nesse caminho, o poema aproxima a esperança da possibilidade de deixar de estar sozinho:
“Os de ânimo abatido levantarão o olhar;
Uma estrela guiará nossos passos dispersos:
Não mais seremos expostos à solidão.”
O convite à alegria estende-se também a quem chora e a quem permanece à margem, através de palavras que chamam à participação e ao encontro:
“Ao que chora será dito: ‘alegra-te!’
Ao da margem alguém gritará:
‘junta-te ao júbilo da dança!’”
Nos versos finais, a perda dá lugar à possibilidade de reaprender a esperar. A partilha da vida e da beleza surge, por sua vez, associada à presença de Deus:
“Os que lamentam tesouros gastos
Reaprenderão a esperar pelo orvalho.
E em qualquer canto da terra,
Quem reparte a vida e a beleza
Será chamado o fermento de Deus.”
