Protestos pela habitação: PSP retira tendas em Lisboa e no Porto e anuncia 31 detidos

As intervenções da PSP nos protestos pela habitação em Lisboa e no Porto terminaram com 31 detidos e sete feridos, segundo o balanço policial divulgado na madrugada deste domingo, 25 de outubro. As operações ocorreram depois de os manifestantes manterem as tendas no Rossio e na Praça D. João I, apesar das ordens para as desmontar.

Fotografias: Diogo Nora

Os números da polícia diferem dos apresentados pela organização da Acampada do Porto, que indicou ter identificado 37 feridos ligeiros e mais cinco pessoas ainda a receber assistência médica após a intervenção naquela cidade. Os balanços têm origens e âmbitos distintos e não devem ser somados.

Cordões humanos junto às tendas antecederam as intervenções

Depois das manifestações de sábado, os participantes voltaram a montar tendas nas duas cidades. No Rossio, a organização contabilizava, pelas 22h00, 130 estruturas e cerca de 300 pessoas que pretendiam passar ali a noite, segundo a informação da Lusa reproduzida pelo Correio da Manhã e pelo Diário de Notícias.

A PSP fixou as 00h30 como prazo para a retirada das tendas. Seguiram-se novos avisos e contactos com os participantes, que formaram cordões humanos junto aos acampamentos.

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No Porto, a polícia esclareceu que as pessoas poderiam pernoitar na Praça D. João I desde que desmontassem as estruturas. Os manifestantes decidiram, em assembleia, mantê-las.

Segundo a reportagem do Diário de Notícias, as intervenções nas duas cidades decorreram de forma coordenada e permitiram aos agentes chegar às tendas em cerca de dez minutos, depois de romperem os cordões humanos.

Incidentes na Baixa de Lisboa após a dispersão no Rossio

O Diário de Notícias relatou que, após a intervenção no Rossio, grupos de pessoas se deslocaram para outras zonas da Baixa, incluindo a Praça da Figueira e o Terreiro do Paço.

De acordo com o jornal, foram derrubados caixotes do lixo e mobiliário de esplanadas nas ruas Augusta e do Ouro. A mesma reportagem descreveu o lançamento de cadeiras contra agentes no Terreiro do Paço e de pedras e garrafas na Praça da Figueira.

No Porto, o relato do DN descreveu agentes a utilizarem os escudos para empurrar os manifestantes em direção às escadarias da Praça D. João I, permitindo depois a retirada das tendas. Foram prestados cuidados a feridos e apoio psicológico no local.

Milhares saíram à rua para exigir respostas para a habitação

As intervenções policiais aconteceram após um dia de manifestações em várias cidades. Em Lisboa, a marcha percorreu a Avenida da Liberdade, entre o Marquês de Pombal e o Rossio. No Porto, o percurso ligou a Praça da Batalha à Praça D. João I.

Segundo os relatos da Lusa presentes no acompanhamento do Correio da Manhã, participaram milhares de pessoas nas duas cidades. Coimbra reuniu cerca de 200 manifestantes, Faro aproximadamente uma centena e Évora cerca de 50.

Entre as reivindicações estavam a reversão das alterações à lei do arrendamento, o fim dos despejos e das demolições sem alternativa habitacional e medidas contra a especulação imobiliária.

Em Faro, Sebastião Florêncio, membro da organização local, descreveu à Lusa as dificuldades de quem trabalha sem conseguir suportar as despesas essenciais: “Isto é um caso de calamidade, isto é uma emergência que temos no nosso país e que ainda mais grave se torna quando nos tentam descredibilizar”.

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