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Próximo ao sossego do medo!

Próximo ao sossego do medo! Artigo de opinião por Raul Tartarotti.

Próximo ao sossego do medo!

Que tipo de guerra pode ser doce, onde a munição se transforma num imenso lago vermelho, quase sangrento, espalhado pelas ruas de uma cidade, e toda população se pinta da cor de sangue, tamanha intensidade com que se espalha a tinta das balas.

Pois é com esse modelo de violência, que os moradores de Buñol, na província de Valência, morrem de rir, se divertir e de cansaço. 

O nome dessa guerra é “A Tomatina”, que se trata de uma tradicional festa, e uma das que mais atraem turistas à Espanha, que todos os anos vêm para se banharem na rua, tomada de gente e de vermelhos tomates maduros e esmagados. Uma bela confusão lambuzada que acontece toda a última quarta-feira de agosto. 

Quando se vão as estradas mesmo na falsa guerra dos dias mais viajados por todos, as terras coloridas por um Deus nos vigiam com olhos carinhosos, e um semblante sempre atento de abraço apertado, torce pra nos fazer feliz e próspero.

“O grande desejo de um coração inquieto é possuir interminavelmente o ser que ama e poder mergulhar esse ser, quando chega o tempo da ausência, num sono sem sonhos que só possa acabar no dia do reencontro”( Albert Camus).

Essa inquietude que é fonte de nossos atos, nos torna razão e resultado do tempo que dedicamos às escolhas onde os sentimentos extraem seu absoluto, da miséria das glândulas salivares, bem antes do encontro com a morte. 

Como a história contada no livro “A menina que roubava livros”, onde uma garota encontra a morte três vezes durante 1939 – 43, na Alemanha nazista. 

A menina Liesel Meminger se dedica a roubar livros, desde a primeira oportunidade no enterro de seu irmão, onde ficou com um exemplar do coveiro, sem que ele soubesse.

O Manual do Coveiro, caído na neve, foi seu primeiro encontro literário em meio a guerra com sangue real. Suas aventuras na busca de histórias de outras almas depositadas em papel, tornaram a ela e seu amigo Rudy, duas crianças livres em meio ao caos de uma devastação sem precedentes. 

Nas fogueiras de livros que Hiltler mandou exterminar, Liesel rouba e esconde um exemplar ainda quente em suas vestes acolhedoras. 

A história termina com a morte narrando como Liesel viveu e construiu sua própria família, e como a amizade com Max, um Judeu que ela ajudou esconder, tinha sido quase tão longa como sua vida. 

A desesperança por vezes ronda nossos olhares, que de tanto soprar nos parece ser a próxima verdade que açoita. 

Não existe um preparo pra escolher o tema de uma prosa vencedora, a vida se mostra, o que tem e quando será possível.

Basta apenas pisarmos na calçada áspera de dúvidas e estranhezas. 

Qual o tamanho de seu esforço? Parecido com um sonho, ou mais próximo ao sossego do medo? 

O teatro está ao ar livre, assim como seus desejos a seus pés. Se a mistura surtir algum efeito, aperte e pegue o possível para aprender a dar um laço em seus planos, furtados como a água da fonte na praça.

Nota: Artigo redigido em Português do Brasil.

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