Ricardo Quaresma fala sobre Ronaldo e divide comentadores: “Deitamo-nos na cama que fazemos”

Ricardo Quaresma fala sobre Ronaldo e divide comentadores: “Deitamo-nos na cama que fazemos”, assinalou.

Ricardo Quaresma considerou que a situação em torno de Cristiano Ronaldo e da Seleção deveria ter sido resolvida internamente. Abordado por Hugo Mendes na ModaLisboa, o antigo internacional recusou tomar partido, mas deixou uma frase que gerou debate no “Passadeira Vermelha”: “Nós às vezes também nos deitamos na cama que fazemos.”

No programa da SIC Caras, Sara Avelar e Filipa Torrinha questionaram se a proximidade entre os dois jogadores deveria ter levado Quaresma a reservar essa opinião para uma conversa privada. Hugo Mendes defendeu o contexto da entrevista e sublinhou que o antigo extremo também tinha criticado a exposição pública do caso.

Quaresma diz que perdeu interesse no futebol

Antes de abordar Ronaldo, Quaresma explicou que já não acompanha os jogos com o entusiasmo de outros tempos. Embora continue a participar em encontros de antigas glórias, considera que a discussão à volta da modalidade se afastou demasiado do que acontece em campo.

“O futebol mudou tanto que eu já não tenho muita paciência para estar a ver o jogo, porque o jogo perdeu aquela alegria, aquele brilho. Hoje em dia fala-se muito mais de polémica do que do jogo, por isso perdi um bocado o interesse sobre isso”, afirmou a Hugo Mendes.

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Quando a conversa passou para o momento de Cristiano Ronaldo, respondeu: “Nós às vezes também nos deitamos na cama que fazemos.”

Quaresma ressalvou, contudo, que mantém boas relações com os intervenientes e que não conhece tudo o que foi conversado entre eles.

“Isto podia resolver-se lá dentro”

O antigo internacional defendeu que a responsabilidade pela resolução do assunto pertence a quem esteve envolvido.

“Dou-me bem com o Cris, dou-me bem com o selecionador, dou-me bem com o presidente. Agora, claro que são eles é que têm de falar, eles é que estiveram lá dentro, eles é que sabem o que é que conversaram. Já somos crescidos. Isto podia resolver-se lá dentro e escusava de vir cá para fora”, declarou.

Quaresma afastou também a intenção de aconselhar publicamente qualquer das partes.

“Não sou eu que tenho de estar a comentar ou falar ou dar conselhos a alguém, porque o selecionador é mais velho do que eu, o Cris é mais novo do que eu, o presidente é mais velho do que eu. Eles sabem bem o que é que têm de fazer.”

Sara Avelar questiona exposição de um amigo

No “Passadeira Vermelha”, Sara Avelar mostrou-se surpreendida com a frase sobre as consequências das próprias escolhas.

“Esta frase foi muito impactante, é muito forte. Eu ainda estou aqui em estado de choque a olhar”, afirmou.

A comentadora considerou que a história comum dos dois jogadores tornava a declaração particularmente sensível.

“Se é amigo, acho essa frase muito forte para se dizer de um amigo. (…) Há muita coisa que eu posso concordar, mas não me fica bem em dizê-lo. Aqui neste caso, acho que ele como amigo, ainda por cima eles têm um passado juntos, jogaram desde pequeninos no Sporting. Dizer assim, deitas-te na cama ao passo… ele acabou por ter coragem de o dizer, mas acho que pensou, mas não refletiu o que disse.”

Filipa Torrinha concorda com a ideia, mas questiona o local

Filipa Torrinha distinguiu o conteúdo da opinião de Quaresma do facto de a ter transmitido diante das câmaras.

“Ele está a expor o amigo. (…) Eu concordo com o que ele disse e concordo com o raciocínio, mas do ponto de vista da amizade, havendo uma amizade, obviamente dizer a verdade é muito importante, é sinal de ser amigo, mas não tem de ser na televisão, nas redes sociais”, defendeu.

A comentadora acrescentou a sua própria leitura do momento do avançado: “A realidade é que o Cristiano Ronaldo está a colher o que plantou. E se um colega de profissão pensa isso, é o que toda a gente pensa”.

Durante a discussão, Liliana Campos fez uma ressalva sobre a convivência atual dos dois antigos colegas: “Eles não estão em contacto.”

Hugo Mendes explica como decorreu a entrevista

Responsável pela conversa na ModaLisboa, Hugo Mendes garantiu que o testemunho foi exibido praticamente na íntegra.

“Eu percebo também o facto de ele se querer proteger e não ter comentado antes. Esta peça não tem praticamente cortes, é quase in e out, portanto vem na totalidade, não há aqui sequer margem para termos adulterado o discurso do Ricardo Quaresma. (…) Foi mesmo muito generoso, porque eu percebi e fui tirando a saca-rolhas mais um bocadinho e acaba por nos dar a frase de que as pessoas deitam-se na cama que fazem.”

Hugo Mendes destacou ainda a defesa de uma resolução interna, que considerou um dos pontos centrais da entrevista.

“O Quaresma aborda aqui outra questão com que concordo em absoluto, que é: isto podia ter ficado resolvido entre quatro paredes. Para mim [Ronaldo] é o melhor do mundo, é extraordinário e merece o melhor do mundo, mas também tem de lidar com a crítica. Agora, acho é que não pode expor determinadas coisas. (…) Está a expor a seleção e os meandros que se calhar não era necessário.”

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