RTP1 aposta em novela brasileira e é criticada, numa crónica.

Amanhã, a RTP1 estreia a novela ‘Topíssima’, à tarde.
Nuno Azinheira abordou o tema numa crónica, na Nova Gente.
“O anúncio, feito pela televisão pública na semana passada, está a suscitar alguma polémica entre os “fãs” dos bastidores televisivos, pode causar alguma indignação numa certa elite, que se prepara para ir a banhos, mas, acredito, não é um caso para os espetadores habituais do daytime de serviço público”, escreveu.
“É verdade que Topíssima, uma novela da Record com 145 episódios, quebra uma promessa antiga de que a RTP deixaria de ter novelas, mas se a medida for isolada e não for a ponta de um arpão comercial que se prepara na Marechal Gomes da Costa, não vem mal ao mundo com ela”, acrescentou.
“(…) Apostar agora numa novela brasileira à hora de almoço não representa qualquer linha programática, apenas uma forma de tomar competitiva a grelha num horário difícil – e essa, parece-me, não é a vocação da RTP. Nos arquivos da estação há milhares de horas de ficção ou de humor, por exemplo, cujos direitos são da RTP, e que provavelmente seriam tão competitivos como a novela que está a chegar – As Lições do Tonecas, por exemplo, vêm-me logo à cabeça. É que este trunfo brasileiro não é uma coisa de verão: a não ser que a duração original dos episódios seja alterada, teremos novela por sete meses. Ou seja, até fevereiro”, continuou.
“Para os espetadores clássicos, não há problema. Se a novela for fraca, vão optar pela concorrência. Se a trama for boa, vão aderir à oferta, sem grande questionamento crítico. E bem sabemos como a televisão, na maior parte dos casos, é o ópio do povo. E, convenhamos, não vem mal ao mundo por isso”, rematou.





