Rúben Luz Lameira ao Infocul: “Não podemos vender gato por lebre” no cante alentejano

Rúben Luz Lameira tinha os amigos à espera para jogar à bola, mas preferia ficar a ouvir os mais velhos cantar. Hoje, com 26 anos de percurso, defende o cante alentejano com a mesma determinação com que, em criança, procurava ocasiões para juntar as vozes da sua aldeia. Em entrevista ao Infocul.pt, o músico, ensaiador e professor fala da memória dos seus mestres, contesta a utilização da designação de cante para propostas que considera diferentes dessa tradição e explica por que precisou de seguir em nome próprio com “Modas Avulso”.

A conversa passa pelos Adiafa, por Os Vocalistas, pela televisão e pelo trabalho que está a desenvolver em estúdio, com letras deixadas por Paulo Abreu de Lima. Mas regressa sempre ao Rosário, no concelho de Almodôvar, e às pessoas com quem aprendeu muito antes de compreender inteiramente o significado das modas.

É também por elas que continua a cantar. “Sinto que tenho uma missão comigo mesmo, sinto que, se me calar, não se estão a lembrar daqueles velhos cantadores”, afirma ao Infocul.pt.

A criança que preferia os cantadores ao futebol

O percurso começou cedo, numa idade em que o interesse pelo cante o distinguia dos colegas. Rúben não olha para essa escolha como uma infância perdida. Pelo contrário, reconhece o privilégio de ter convivido com intérpretes que lhe transmitiram um repertório e as histórias que o acompanhavam.

“Sim, é verdade que o percurso é já longo, e ainda bem… Sinto que ainda apanhei vivos os grandes mestres do cante, deixavam-me estar junto deles a aprender as histórias do cante. Não era suposto uma criança da minha idade acompanhar com ‘velhos’, nem tão-pouco cantar o cante alentejano. Recordo-me dos meus amigos e colegas de escola da altura dizerem: ‘Anda jogar à bola, deixa os velhos’… Coisa que nunca fiz, felizmente, pois hoje os interesses deram a volta e são eles que querem saber mais acerca do cante e desses intérpretes.”

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O encontro decisivo com essa tradição aconteceu depois do regresso da Alemanha, onde tinha vivido com os pais e a irmã. Na memória, guarda o ano, o lugar e as mulheres que ouviu.

“Quando regresso com os meus pais e irmã da Alemanha, onde estávamos emigrados, percebo logo que na minha terra de sempre as tradições eram diferentes, existia o cante dum povo, onde todos cantavam juntos. A primeira vez que ouvi cantar, em 2000, na junta de freguesia do Rosário, um rancho de mulheres que outrora trabalharam as terras do Baixo Alentejo… Apaixonei-me e não mais descansei… Fazia de tudo para juntar homens e mulheres que já tinham silenciado as suas vozes pelos seus lutos e vergonhas. Inventava petiscos, carnavais, etc., para escutar aquele cante impactante…”

O Rosário e as vozes que lhe ensinaram a escutar

A aldeia foi o lugar onde a curiosidade se transformou em pertença. Além das pessoas que podia ouvir, existiam as histórias de cantadores de outras gerações, algumas dentro da própria família.

“O Rosário é fundamental no meu crescimento e interesse pelo cante, pois existiam velhos cantadores afamados dos anos ‘trinta’, de que se falava por alto na aldeia. Também se falava duns tios-avós meus que cantavam muito bem, e eu comecei a ter orgulho e brio naquilo que aprendia e cantava.”

É por isso que, quando se fala da aprendizagem do cante, Rúben vai além das letras e das melodias. A convivência permitiu-lhe perceber uma necessidade de expressão ligada à vida de quem cantava.

“Concordo plenamente… Aprendem-se letras, melodias, mas o cante é um estado de alma, uma forma de estar na vida… O alentejano canta diferente, talvez pelas amarguras da vida difícil de outrora, do ardor nas gretas das mãos causado pelo trabalho duro de sol a sol. Eu percebi cedo nos olhos dos cantadores que me ensinavam as modas que o cante era muito mais necessário do que nós imaginávamos.”

Nesse caminho, o grupo coral As Andorinhas do Rosário teve um papel determinante: “As Andorinhas do Rosário foram fundamentais na minha carreira, fizeram com que eu me agarrasse com unhas e dentes a esta nossa tradição oral.”

Há letras que só a vida permite compreender

Entre o trabalho de músico, ensaiador e professor, Rúben encontra uma continuidade. As funções mudam, mas a aprendizagem mantém-se, incluindo quando regressa a modas que conhece há muitos anos.

“Sou o mesmo nos três papéis que desenvolvo, é claro que me adapto às circunstâncias. Todos aprendemos até ao último suspiro, a vida tem-me ensinado a entender as letras das modas alentejanas, aquelas que canto há muitos anos, mas que ainda não tinha chegado ao seu verdadeiro propósito.”

Cada moda conserva também uma ligação a alguém ou a um lugar. A emoção não está apenas no que se canta, mas na lembrança de como esse conhecimento lhe chegou.

“Eu tive a sorte de aprender muitas modas e as suas histórias… Cada moda diz-me coisas diferentes, lembro-me de quem me ensinou, das tabernas hoje extintas, enfim, a vida já vivida…”

Quando sobe ao palco, sente-se intérprete, contador de histórias e guardião dessa memória. “Sinto-me isso tudo, vou sempre falando um pouco das modas que vou cantar, explicando o que significavam para quem as interpretava…”

“Cante alentejano só há um”

A defesa dessa herança leva-o a estabelecer uma distinção clara entre o cante alentejano e os projetos musicais que nele procuram inspiração. Questionado sobre o risco de a tradição ser tratada como uma peça de museu, concorda que essa tentação existe, mas acrescenta outra preocupação: a forma como o cante é apresentado ao público.

“É verdade! Mas também é necessário que se defenda o verdadeiro e único CANTE ALENTEJANO, não podemos vender gato por lebre, nem sequer permitir que nos cartazes dos eventos se apregoe cante alentejano onde esse cante não se ouvirá. As regras são simples, o cante alentejano são grupos corais femininos ou masculinos com ponto (1.º solista), alto (2.ª voz/terceira) e depois coro, tudo sem instrumentos, apenas a vozes.”

Rúben recebe com satisfação o interesse de novos projetos pela música da região. O que contesta é a confusão entre linguagens diferentes, nomeadamente quando a aproximação à pop leva a que tudo seja apresentado sob a mesma designação.

“Eu acho fantástico que surja interesse na música do Alentejo, mas é primordial separar o trigo do joio, cante alentejano só há um.”

Essa distinção torna-se, no seu entender, ainda mais importante perante quem não cresceu a ouvir os grupos corais.

“Claro que sim! Por isso digo que não podemos vender gato por lebre, devemos mostrar o que é na realidade o cante alentejano aos públicos que não o conhecem na sua verdadeira essência…”

Parcerias, sim, mas com respeito pelo que se está a cantar

A posição não equivale a uma recusa de encontros com outros artistas. Rúben admite essas possibilidades, desde que a tradição seja conhecida e respeitada por quem se aproxima dela. A sua crítica dirige-se à utilização de um coro como elemento suficiente para classificar uma canção como cante.

“Eu penso que respeitar a tradição é interpretar fidedignamente, respeitando as letras, as melodias… É claro que podemos aceitar parcerias e projetos musicais onde o cante alentejano seja a base, onde os cantadores e cantadeiras ensinem os grandes artistas o que é o cante alentejano. O que se está a fazer é precisamente o contrário, estão a convidar coros para integrar as suas composições, para dar voz às suas canções e passar a imagem enganosa de que é cante por usar um coral, mas não é.”

É com esse cuidado que procura transportar a experiência coletiva para o trabalho em nome próprio, distinguindo o repertório e a inspiração da forma tradicional de os interpretar.

“Transporta-se apenas a inspiração, a vivência e a aprendizagem com os cantadores e cantadeiras… Transporta-se também o repertório, mas, na minha opinião, devemos manter as modas tal como elas são, apenas criar arranjos com ‘pinças’, não estragando o que já de origem é tão bom.”

Há, aliás, limites que não quer ultrapassar: “Sim, sem dúvida, há modas intocáveis, apenas podem ser cantadas a vozes e em total silêncio.”

Em Praga, a emoção chegou a quem não conhecia o cante

Levar esta tradição para fora de Portugal deu-lhe a possibilidade de observar como as vozes encontram resposta mesmo em públicos sem uma ligação prévia ao Alentejo. Uma atuação com os Ganhões de Castro Verde, na República Checa, permanece entre as recordações mais fortes.

“É verdade que já cantei cante alentejano em vários países com grupos corais a vozes. Eu penso que me emociono mais ao fazê-lo para públicos que desconhecem o cante alentejano… É quase como tentar mostrar ao máximo a verdade do cante alentejano. Recordo uma atuação em Praga, na República Checa, com os Ganhões de Castro Verde, onde os portugueses éramos nós e a comitiva, demos por nós a chorar e reparámos também no público emocionado, tal era a força deste cante, impactante pelo seu amadorismo de amar.”

A circulação por outros lugares é também parte do que a música lhe trouxe. Quando lhe perguntamos o que recebeu deste percurso que a vida, por si só, talvez não lhe tivesse dado, responde: “Parcerias fantásticas com músicos do mundo, viajar, conhecer artistas geniais.”

O reverso está no tempo que falta junto de quem lhe é próximo. “A música tira o tempo para os nossos, mas todos sabem que estou a ser feliz fazendo o que gosto.”

Dos Adiafa a Os Vocalistas: aprender o palco e sentir o peso do negócio

As passagens pelos Adiafa e por Os Vocalistas deram-lhe experiência, exposição e ferramentas para comunicar com públicos diferentes. Também o confrontaram com uma dimensão profissional em que nem sempre se reconheceu.

“Em todos os projetos em que estive dei sempre o melhor de mim, o repertório que tinha aprendido. Sinto que sou um cantador que não gosta de estar só em palco, o cante não se canta sozinho… Sinto também que era demasiado sensível, leal e fiel para o mundo do ‘business’. Aprendi a estar em palco, aprendi a entreter, aprendi a perceber o público, e isso só com anos de estrada…”

Sobre a experiência nos Adiafa, reconhece o contacto com outras exigências, mas também uma diferença entre aquilo que sentia ser valorizado e o que mais procurava musicalmente.

“Sem me querer repetir, aprendi a estar num mundo mais profissional, mais frio… É claro que a qualidade tem de prevalecer, mas senti que era mais importante fazer rir, eu prefiro a harmonia vocal, enfim, a música no geral.”

Com Os Vocalistas, destaca sobretudo a pesquisa e o trabalho das vozes, numa tentativa de apresentar repertório que não chegava tão frequentemente ao grande público.

“Tentei revelar um lado de trabalho… Pesquisa de novo repertório no cancioneiro alentejano, tentámos vocalizar, colocar em prática arranjos vocais e mostrar ao grande público modas que não conheciam.”

A televisão e o lado humorístico que surgiu naturalmente

A presença em formatos como “The Voice Gerações”, “À Capela” e “The Voice Portugal” ampliou o reconhecimento do público. Rúben admite que essa visibilidade teve consequências diretas no trabalho, embora nem sempre o interesse de quem o via se concentrasse apenas na música.

“A televisão ajuda muito a mostrar o nosso trabalho, a ter mais trabalho em palco a curto prazo… Eu sou bastante divertido e senti que era isso que o público queria ver ao vivo…”

Ainda assim, rejeita ter construído uma personagem para corresponder aos programas. O humor, assegura, fazia parte da sua maneira de ser, mesmo quando as produções procuravam destacá-lo.

“Em todos estes programas televisivos eu apenas fui eu próprio, não consigo mudar… Senti que algumas produções quiseram puxar este meu lado mais humorístico, eu apenas existi, e saía naturalmente tudo o que viram.”

Da televisão retirou também uma confirmação sobre a responsabilidade perante o público: “A televisão veio reforçar o que eu já sabia e queria para mim, temos de ser profissionais em tudo, na forma de vestir, falar para o público e, claro, respeitar quem nos quer…”

Houve espaço para experimentar outros caminhos. Quando lhe perguntamos o que ainda lhe falta cantar, a resposta não estabelece fronteiras: “Falta cantar tudo, eu quero sair da minha zona de conforto. No The Voice, a produção quis mostrar isso e eu aceitei.”

“Senti que não conseguia mais ser eu próprio”

“Modas Avulso”, apresentado em 2025 com a sua banda, nasceu depois da saída dos projetos em que estava envolvido. Avançar a solo foi uma decisão ligada à necessidade de voltar a reconhecer-se no trabalho que levava ao palco.

“Decidi avançar com o meu primeiro projeto a solo porque saí dos projetos onde estava, senti que não conseguia mais ser eu próprio… Eu queria fazer algo mais honesto comigo mesmo e também algo que o público que me conhece sabia que eu lhes podia entregar em cada atuação.”

Entre liberdade e afirmação de uma identidade artística, não escolhe apenas uma razão. “Nasce dos dois, eu precisava de me dar esta oportunidade.”

Assumir o próprio nome trouxe uma exposição diferente, mas encontrou-o com muitos anos de experiência e uma ligação ao público já construída.

“O público conhece-me do Alentejo, ligam-me sempre ao Alentejo e ao cante. É claro que estou mais exposto porque sou eu que estou na frente do barco, mas lido bem com isso, já ando por aqui há 26 anos, é como o peixe na água.”

Essa associação à terra nunca o assustou nem lhe pareceu uma limitação. “Não! Porque é verdade, tenho mesmo uma ligação muito forte ao Alentejo, daí talvez estar a solo tão tarde…”

“Modas Avulso”: ir ao talego buscar o que o público quer ouvir

O nome do projeto traduz uma relação aberta com o repertório e com quem está na plateia. Há um alinhamento, mas também disponibilidade para acolher pedidos que não estavam previstos.

“Modas avulso significa modas variadas, é quase como ir ao talego, saco de pão, e sacar a moda que querem que eu cante. Este projeto vai totalmente ao encontro do público, o que quiserem ouvir eu canto. Já me têm pedido modas que não estão no alinhamento e eu não consigo sair sem fazer o gosto às pessoas.”

Quando lhe pedimos uma frase que apresente o espetáculo a quem nunca ouviu cante alentejano, regressa à forma espontânea como as modas lhe surgem: “Cantar as modas que me vêm à cabeça, cada palavra falada me lembra uma moda não cantada.”

Na preparação dos concertos, essa vontade de corresponder ao público convive com a intenção de lhe dar a conhecer outras partes do cancioneiro.

“A escolha de repertório vai ao encontro do que o público quer, porque o público faz parte do espetáculo, também modas que não são tão conhecidas e, claro, as mais ritmadas para dançar.”

Entre festa e recolhimento, procura uma progressão: “É um equilíbrio dos dois, o espetáculo é fogo de artifício, vai crescendo.”

Os instrumentos de uma proposta que procura aproximar gerações

Em “Modas Avulso”, o trabalho instrumental acompanha a voz e procura dar outra apresentação às melodias. É nesse contexto de projeto musical em nome próprio que Rúben explica as escolhas da banda.

“A minha banda foi pensada para me acompanhar, mantendo as melodias das modas, dando uma roupagem mais moderna que vá ao encontro dos públicos mais jovens.”

Cada instrumento cumpre uma função nessa construção, da ligação ao Baixo Alentejo à evocação da profundidade dos coros.

“Tenho a viola campaniça, que é um cordofone baixo-alentejano, é um instrumento que acompanhava a voz no cante e despique alentejano, percussão para ritmar algumas modas de baile, acordeão e piano para acalmar as modas mais dolentes e populares. O baixo para dar o chão que me lembra as vozes graves dos coros.”

Aproximar gerações diferentes da música alentejana é uma intenção assumida: “Sem dúvida, é mesmo esse o meu objetivo.”

E, quando coloca na balança a emoção da plateia e a coerência musical, entende que pode conduzir uma através da outra.

“Penso sempre primeiro no público, penso que consigo a coerência musical levando o público onde quero, é como se mostrasse a minha casa: aqui é o quarto, a sala, etc.”

Originais em estúdio com letras de Paulo Abreu de Lima

A nova fase inclui trabalho de criação. Ao Infocul.pt, Rúben revela que está a gravar originais e que recebeu letras deixadas por um amigo, entretanto falecido.

“Eu estou neste momento em estúdio a gravar originais. Felizmente, o meu amigo Paulo Abreu de Lima, antes de falecer, deixou-me algumas letras que a viúva nos fez o favor de me entregar há pouco tempo, estamos a trabalhar nisso.”

A vontade de avançar não elimina o cuidado com o património de onde parte. Entre preservar a raiz e arriscar sobre ela, considera a segunda tarefa mais exigente.

“Eu penso que é mais difícil arriscar em cima de uma raiz tão profunda e rica como o cancioneiro alentejano.”

Já o peso de representar uma tradição parece hoje mais partilhado. A presença de novas gerações permite-lhe olhar para essa responsabilidade de outra maneira.

“Sim, já senti mais quando éramos poucos miúdos no cante. Agora, não existe tanto essa preocupação.”

Aos mais novos deixa, porém, um conselho que acompanha a posição defendida ao longo de toda a entrevista: “Aprendam o cante alentejano lá de trás e não o que está na moda.”

Uma voz, um verso e o vagar

Nas respostas mais breves, Rúben volta a desenhar o território afetivo e musical de que fala. A moda que nunca se cansa de cantar é “É tão grande o Alentejo”. Um palco que o marcou foi “em Macau”. A voz que o inspira é a de “Dulce Pontes”.

Para definir o Alentejo, escolhe uma palavra: “Vagar.” Quanto aos sonhos que ainda faltam cumprir, responde sem restringir possibilidades: “Todos.”

Há também um verso que permanece consigo, onde a identidade alentejana se cruza com a injustiça:

“Por eu ser alentejano
Alguém me chamou ladrão
Foi o que eu nunca chamei
A quem me roubava o pão.”

No final de um espetáculo de “Modas Avulso”, gostaria que o público levasse uma sensação simples: “Que bonita viagem ao Alentejo.”

“Não esqueças esta moda”: o pedido que continua a acompanhá-lo

Depois dos grupos, dos programas de televisão, dos concertos e dos novos projetos, a entrevista termina onde este percurso começou: junto dos cantadores mais velhos. São essas pessoas que Rúben evoca quando lhe perguntamos quem é hoje, no instante em que ficam apenas a voz, a moda e o silêncio antes do aplauso.

“Ficam sempre as mesmas lembranças dos velhos que tanto me ensinaram, tenho muitos desgostos, os meus amigos têm todos mais 50 anos do que eu. Não os consigo esquecer nunca, muitos chegaram a pedir-me: ‘Não esqueças esta moda, já ninguém a canta, não te esqueças também deste velho teu amigo.’ Na escola, nas aulas, uma criança há pouco tempo chamou-me ‘antigo’, eu achei lindo.”

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