Rui Borges iguala Amorim na Champions e deixa recado: «Não caí aqui de paraquedas»

Rui Borges iguala Amorim na Champions e deixa recado: «Não caí aqui de paraquedas», afirmou o treinador leonino.

Rui Borges iguala Amorim na Champions e deixa recado: «Não caí aqui de paraquedas»

O treinador chegou às oito vitórias pelo Sporting na Liga dos Campeões, explicou a escolha de Kaique e elogiou a resposta dos jogadores em Lens. Na conferência de imprensa, dirigiu ainda uma mensagem aos «Bernardos da vida».

Rui Borges saiu de Lens com uma vitória por 2–0 e um marco no percurso pelo Sporting: igualou Ruben Amorim como treinador com mais triunfos pelo clube na Liga dos Campeões, com oito. Questionado sobre esse registo na conferência de imprensa, o técnico destacou o trabalho que o levou a Alvalade e deixou um recado aos críticos.

“Se Deus quiser… É o sentimento de felicidade por ter ganho um jogo de Champions. E sei das dificuldades que é ganhar estes jogos, especialmente fora de casa, num grupo com muitos miúdos novos. E conseguirmos manter esta competitividade é fantástico. Deixa-me feliz. Em termos individuais, sinceramente, fico feliz e, se Deus quiser, hei de bater outros recordes quaisquer. Pelo que tem sido o meu trajeto. Estou aqui por muita competência e trabalho, não caí aqui de paraquedas. É um bocadinho para esses ‘Bernardos’ da vida.”

A vitória sobre o Lens juntou-se às conseguidas diante de Galatasaray, Bodo/Glimt, Athletic Bilbao, Paris Saint-Germain, Club Brugge, Marselha e Kairat. No caso de Amorim, os oito triunfos foram alcançados frente a Besiktas, por duas vezes, Borussia Dortmund, Eintracht Frankfurt, Tottenham, Lille, Sturm Graz e Manchester City.

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Rui Borges destaca maturidade e capacidade para resistir ao Lens

Na entrevista rápida à Sport TV, Rui Borges já tinha recusado apresentar o resultado como uma resposta às críticas, preferindo centrar-se no crescimento do plantel.

“Não são respostas. O Rui Borges está focado no seu caminho, feliz pela equipa. O Rui ainda tem um caminho longo a cumprir como treinador. É uma equipa jovem, temos miúdos cheios de potencial e ambição. Temos de juntar a ambição à humildade que tivemos hoje.”

Sobre o encontro, o treinador salientou a capacidade de explorar os espaços franceses, embora tenha identificado decisões que poderiam ter permitido criar mais oportunidades.

“Sabíamos que íamos defrontar uma grande equipa, fomos muito fortes nos ataques rápidos, era importante acalmar o jogo. Podíamos ter tido mais qualidade nas transições ofensivas, as coisas não saíram bem ao Geny e ao Luis numa ou outra combinação. Podíamos ter criado mais perigo, sabíamos do espaço que íamos ter. Um jogo muito competente de toda a equipa, quem entrou foi também extraordinário. Pedi humildade e a equipa teve-a durante os 93 minutos.”

A organização foi outro dos aspetos destacados: “A equipa procurou o homem a homem, sabíamos que o Lens tinha algumas dificuldades na profundidade. O segundo golo foi um pouco assim, com as segundas linhas a romperem, tentaram ao máximo fazer isso. Numa fase inicial do jogo foi difícil, pela intensidade do Lens e pelo ambiente, depois crescemos. Enalteço o facto de termos sido uma equipa muito madura, organizada e nunca pusemos nada em causa.”

«Coragem, ambição e humildade» foram os pedidos antes do jogo

Já na conferência de imprensa, Rui Borges desenvolveu a análise ao plano preparado para a deslocação a França. A pressão inicial do Lens estava prevista, assim como a necessidade de aproveitar os espaços quando o Sporting recuperasse a bola.

“Sabíamos que ia ser um início muito difícil, intenso e competitivo. O Lens é muito intenso e ao início sentimos dificuldades. Mas estávamos cientes do que era o adversário. Pela qualidade deles, pelo ambiente, pelo facto de disputarmos Liga dos Campeões. Mas a equipa manteve sempre a tranquilidade. Disse que hoje era preciso ter coragem, ambição e humildade, e nunca faltou isso à equipa. Depois sabíamos que podíamos ferir o Lens nos espaços que davam e até podíamos ter feito mais golos com mais qualidade. O Luis [Suárez], o Geny na tomada de decisão… São dois jogadores que fazem a diferença e que se estivessem no seu normal poderíamos ter ferido ainda mais o Lens. Em alguns momentos conseguimos abrandar o jogo, obrigar o Lens a baixar… Estou feliz porque cumpriram à regra o que foi pedido e souberam perceber o que o jogo ia proporcionar e mantiveram-se fiéis a isso.”

Kaique foi escolhido pela defesa da área e pelas saídas dos postes

A estreia de Kaique na baliza, com Rui Silva no banco, foi uma das decisões mais discutidas da partida. Na Sport TV, o treinador mostrou-se satisfeito com a resposta do brasileiro, sem deixar de lembrar que se trata de um jogador em desenvolvimento.

“Dentro do que queríamos para o jogo, das características, esteve lá. Mostrou que é mais um para ajudar. Feliz por ter conseguido agarrar a oportunidade. Vai falhar, porque todos falham, é um miúdo com um potencial enorme. Por mais que pareça mais velho, por ser alto, tem um caminho muito grande para percorrer.”

Perante os jornalistas, explicou com maior detalhe a escolha e abordou também a definição ofensiva:

“A baliza temos quatro guarda-redes. O Kaique deu uma boa resposta. Teve muito a ver com o momento [do Rui], mas também a característica do jogo. Sabíamos que podíamos estar mais tempo num bloco mais baixo e o Kaique dá mais caraterísticas para estes jogos. Sai mais dos postes do que o Rui. E na defesa da área, era importante ter alguém que desse essa segurança. É muito por aí. No futuro, logo se verá. Tanto um como o outro darão sempre a resposta. Definição? É a treinar, a insistir… No jogo com o Sp. Braga aconteceu o mesmo. Lances de superioridade em que não conseguimos tirar partido. E como equipa grande que somos, temos de definir melhor. É treinar, repetir e repetir. Os jogadores não crescem numa semana, mas com o tempo vão ficando cada vez mais maduros. E hoje deram uma demonstração de grande qualidade apesar de ser uma equipa jovem. É acreditar sempre apesar de falharem em alguns momentos.”

Irankunda recebe abraço e elogios: «Tem muito potencial»

O abraço a Irankunda no final do encontro motivou uma pergunta sobre o contributo do australiano. Rui Borges começou por esclarecer as dinâmicas táticas da equipa e terminou com uma descrição bem-humorada do jogador.

“Podemos sempre melhorar. Jogamos em 4x3x3 sempre. Mas mudam as dinâmicas conforme quem está em campo. Invertemos o triângulo. Mas não deixa de ser um 4x3x3. Metemos um ala mais aberto e às vezes vinha mais para dentro. Vamos moldando consoante a estratégia e o adversário. Já defendemos a cinco com o Geny, agora defendemos a cinco com o Sergi [Altimira]. Tentamos ir buscar o melhor de cada um e temos tentado fazer isso da melhor forma. A equipa tem-se habituado bem a essa alteração de comportamentos. Estão preparados. Estão no Sporting e têm de ter essa capacidade mental. São pequenas coisas que podem fazer a diferença para ferir o adversário. E é assim que conseguimos ganhar. Irankunda? Tem feito bons jogos e hoje fez um grande jogo. Vem da 2.ª divisão inglesa e não estava habituado a jogar Champions. Dei-lhe um abraço porque ele se estava a rir. É um ‘palhaço’ no bom sentido, está sempre a rir-se e feliz. Tomou a melhor decisão em vir para o Sporting, e nós estamos muito felizes com um miúdo que tem muito potencial. Não tenho dúvidas de que irá ter cada vez mais impacto nas decisões da equipa.”

Suplentes dão sinais de um grupo «forte» e «unido»

As entradas de Jesse Derry e Silas Andersen tiveram influência no segundo golo, mas Rui Borges estendeu o elogio a todos os jogadores utilizados a partir do banco.

“Em relação a quem entrou, dão sinais ao treinador. De que estão ligados e de que estão ali para ajudar. Hoje fiquei muito feliz porque toda a gente que entrou, até o Luis Guilherme, o Fotis e o Pedro Lima já na fase final, entraram com o espírito de querer ajudar a equipa. Estão ligados e isso dá-nos sinais de que o grupo é forte, é bom, é unido. E temos de ter essa humildade. Perceber que hoje vão ser importantes uns e amanhã outros. E todos têm tido mais ou menos oportunidades. E vão respondendo. O Silas não fez um grande jogo em Braga, mas foi tentando ajudar a equipa. Mas vem da 1.ª divisão da Suécia… Vai ter dificuldades, vai errar, vai fazer um grande jogo, depois outro menos conseguido. Temos de perceber que isso vai acontecer e ser equilibrados na tomada de decisões, nas leituras. E eles querem vir, jogar outra vez, treinar, ouvem, querem fazer… Ganhámos hoje e em Braga em dois grandes jogos. Mas vai haver um ou outro jogo em que não vamos estar tão bem. Mas quando não correr tão bem, que consigamos ganhar na mesma.”

João Simões elogiado pela energia e pela entrega

O regresso de João Simões à titularidade também mereceu destaque. Rui Borges explicou que a capacidade dos médios para atacar a profundidade fazia parte da preparação do encontro.

“Tem caraterísticas muito próprias. Sabíamos que os médios iam ter um papel muito importante. O Lens acompanhava muito o Luis [Suárez] e tem alguns problemas na profundidade. O Doumbia fez isso muito bem e o Simões também tentou. E dá-nos isso. Capacidade de rotura, de condução. É um ‘puto’ cheio de energia e que a passa para os colegas. Tanto lhe faz jogar com o Lens como com uma equipa da Distrital para a Taça de Portugal: vai ter a mesma entrega, energia, humildade e vontade. E foi isso que pedi hoje. E ele é um miúdo cheio disso. Fico feliz por vê-lo voltar a este nível.”

A camisola que o médio entregou ao treinador no final tinha, por sua vez, um destinatário familiar.

“Foi para um primo meu que está aqui em França e que infelizmente não vejo muitas vezes. Sou muito ligado à minha família e sempre serei. Fez o sacrifício de vir aqui e ver o primo, o mínimo que podia fazer era oferecer-lhe uma camisola. O Simões foi o primeiro que apanhei à frente…”, contou.

Rui Borges defende Suárez depois do mercado de verão

Autor do primeiro golo em Lens, Luis Suárez voltou a merecer a confiança pública do treinador. Rui Borges associou o período mais conturbado do avançado ao mercado e garantiu que nunca duvidou da sua capacidade.

“Sempre disse que o Suárez ia ser o Suárez. Nunca pus nada em causa. Muito ruído, sabemos bem com quem trabalhamos. O mercado mexeu com muita gente, como uma equipa grande é natural que se fale. Perante a equipa técnica, tenho sempre respeito, é saber entendê-los, puxá-los para nós. Está aí o mesmo Luís a fazer o que melhor faz: golos.”

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